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Amar… como
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DOMINGO VI DA PÁSCOA Ano B

“É este o meu mandamento:

que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.”

Jo 15, 12


Quem não conhece o mandamento “novo”, “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, a que Jesus depois chama “meu” pois vai realizá-lo da entrega da cruz? Conseguimos imaginar a revolução que esta frase trouxe consigo, a novidade que vence todas as ideias “bafientas” de religião, o fim de julgamentos e condenações sumárias tão do agrado de todos os poderes, a responsabilidade do amor como dádiva absoluta de vida, e não posse ou domínio de alguém? Aquele “como Eu” fica a interpelar a história da humanidade, da Igreja, e de cada um de nós que assume ser cristão, e sê-lo com outros. Vindo do Pai como fonte, o amor é dado ao Filho que, por sua vez o dá aos seus amigos, para que chegue a todos. Nenhum de nós é a origem do amor; entramos ou não, na sua corrente, e tornamo-lo presente com as nossas vidas.


Amar pede sempre alguém a quem amar. É a passagem do “eu” ao “nós”, do pequeno gosto egoísta à alegria imensa de partilhar. É o desejo de fazer feliz alguém, um ou muitos; é compromisso com o crescimento, com a salvação do que parecia perdido. Saboreio e partilho a recente entrevista do actor Luís Miguel Cintra, com o encanto de descobrir o seu amor ao teatro como amor às pessoas: “o teatro é um trabalho de comunicação com os outros. Portanto, só faz sentido em função dos outros e não da exibição da nossa própria personalidade. [..]. Limitado pela doença de Parkinson, com a cabeça “muito capaz de pensar e de se mexer. E esse mexer-se não é físico, o corpo não o acompanha”, partilha como “tudo ficou mais concentrado na voz e no olhar.” Na perspetiva cristã como vê o mundo fala do “percurso de aperfeiçoamento da Humanidade que é sinónimo de esperança” e na importância de que “não podemos reagir a situações como esta pandemia fechando-nos no nosso destino individual, cada vez mais protegido dos perigos. Temos, pelo contrário, de nos juntar a outros na perigosa tarefa de reformar o mundo.”


Confundimos facilmente o amor com emoção e sentimento, “jackpot” de um golpe de sorte, privilégio só de alguns. Associá-lo a escolha, vontade, compromisso, dádiva, parece que lhe retira a “magia” e o encanto. E quem não concorda que o amor é o que mais dá trabalho na vida humana? Amar e conhecer, num processo de intimidade e de responsabilidade, implicam-se mutuamente. Jesus chama aos discípulos “amigos” porque a sua dádiva de vida por eles foi também dar a conhecer o que ouviu ao Pai. E é essa amizade que importa desde já viver nos grupos, nas comunidades, nos pequenos e grandes serviços, onde trabalhamos e vivemos, onde brincamos e cuidamos uns dos outros. De que amor podemos falar sem inaugurarmos a palavra amigo (cf. Alexandre O’Neill)?

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