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Vinha de Raquel organiza webinar sobre o aborto
“O aborto é a vergonha da humanidade”
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A cantora Elba Ramalho não tem dúvidas de que “o aborto é um erro, um equívoco”. A conhecida artista brasileira deu testemunho no webinar da Vinha de Raquel para reforçar que “o aborto não tem retorno”. “As mulheres que fizeram um aborto precisam de amparo psicológico, precisam do nosso amor, do nosso carinho. Não precisam do nosso julgamento”, garantiu.

 

“O aborto é a vergonha da humanidade. Uma sociedade que se insurge contra a sua própria espécie está muito doente e precisa de rever todos os seus valores”. Elba Ramalho vendeu mais de 10 milhões de discos aos longo da carreira e hoje integra um movimento pró-vida. “A vida é um direito igual para todos”, garantiu a cantora, num webinar organizado pela Vinha de Raquel, na noite do passado dia 3 de maio, que procurou refletir sobre a realidade e os efeitos do aborto. Hoje, com 69 anos, a artista brasileira partilhou este capítulo da sua história de vida. Estávamos no início dos anos 70, do século passado, Elba tinha 22 anos e a sua gravidez teve como desfecho o aborto. “Foi uma situação complicada. Vim do Nordeste para o Rio de Janeiro, com 19 anos, sozinha. Era atriz e tornei-me escrava do pecado. Sem pai, sem mãe, sem irmãos, procurava o teatro e o autoconhecimento. O aborto foi uma das coisas amargas. Eu não tinha ninguém, era muito nova, não tinha uma casa para morar, não tinha dinheiro. Eu não tinha saída”, recordou, assumindo também que tinha “uma certa ignorância” sobre o assunto. “Eu achava que não estava a matar uma criança. Eu achava que estava a provocar em mim um sangramento. Só comecei a tomar consciência disso anos depois, com muitas sequelas na alma, com muita dor escondida, porque tentamos camuflar o nosso sofrimento”, contou.

Elba referiu que “era jovem e moderna, entre aspas”, e pensava: “O corpo é meu, as regras são minhas… mas os jovens não têm consciência de que estamos a abrir uma porta para um precipício enorme. O aborto é um equívoco. Nós pagamos para matar um filho, e quando acordamos queremos camuflar essa realidade. Eu não tinha mesmo consciência”, assegurou, não escondendo que quando ganhou consciência sentiu “uma tonelada de ferro sobre os ombros”. Hoje, passados mais de 40 anos sobre aquele dia, Elba Ramalho apontou para o coração e garantiu que “o aborto fica na carne, como espinho”. “Sempre que você se lembra, quer apagar. Sempre que me lembrava da situação, eu bebia, eu fumava, fazia umas coisas para ‘sair’”, recordou.

 

O arrependimento

Lamentando que o aborto seja legal em Portugal e seja apresentado como “uma solução fácil”, Elba Ramalho disse ter entrado no movimento pró-vida há mais de 10 anos e já ter salvo “mais de 300 bebés”. “Presencialmente, por telefone… com as minhas parceiras no movimento, são já mais de mil!”, contou. “O que tentamos mostrar a essas meninas é que o aborto é um equívoco, e que depois virá o arrependimento. É um espinho que vai perfurar e que vai trazer uma nuvem escura para a nossa consciência. Você nunca se vai perdoar, principalmente quando o tempo vai passando e você vai ficando mais madura, mais responsável”, assegurou quem um dia passou por esta experiência, lembrando ainda que “o aborto não tem retorno”. “Não se pode voltar atrás, não existe máquina do tempo para entrar e consertar o erro. É um erro, um equívoco, uma dor que você traz consigo na sua alma”, reforçou.

Neste encontro online organizado pela Vinha de Raquel, a artista brasileira considerou que vivemos num mundo “em que as pessoas se distanciaram de Deus, cada vez mais”. “Hoje, sou uma pessoa convertida. A minha saída para o aborto foi Deus, estar diante do sacrário, diante de Jesus e pedir perdão. Fazer uma confissão, duas, três, dez, até o sacerdote dizer: ‘Chega Elba, pare de confessar esse pecado. Você já está perdoada’”, partilhou.

 

Acolhidas e amadas

Esta artista considera que as mulheres que fizeram um aborto “precisam de amparo psicológico, de tratamento, de um sacerdote e da Igreja”. “Precisam do nosso amor, precisam do nosso carinho. Não precisam do nosso julgamento. O aborto é o cálice amargo que o mundo de hoje oferece e que muitas mulheres, ingenuamente, bebem”, frisou.

Questionada sobre o que se diz a uma jovem para não abortar, Elba Ramalho considerou que o importante é o acolhimento. “Digo que ela não está sozinha, que eu vou estar com ela, que tem muitas pessoas que a amam, que a querem ajudar. As mulheres têm de ser acolhidas e amadas. Acolher, trabalhar o psicológico, o emocional e a alma. A Igreja chega com o seu suporte cristão, porque Cristo é misericórdia. As meninas que fazem um aborto não se perdoam. Precisamos de lhes oferecer o prato cheio de misericórdia, o perdão que vem pela confissão”, respondeu, manifestando-se “feliz” pela obra da Vinha de Raquel, que considerou “inspiradora”. “É uma obra de acolhimento de pessoas que passaram por uma realidade triste, a triste realidade do aborto. Ninguém passa por essa experiência impunemente. As sequelas são grandes e precisamos desse acolhimento que a Vinha de Raquel oferece”, garantiu.

Elba Ramalho tem “três filhos e uma neta, que acabou de nascer do primeiro filho”. “Deus tem sido muito generoso comigo. Se eu tiver a graça de entrar no Céu, espero que essas alminhas possam estar lá, inclusive a que eu não deixei nascer, e que ela me perdoe”, terminou a cantora brasileira.

 

 

Nunca se esquece

Lucivânia Abreu é mãe de sete filhos, mas, na sua história de vida, tem uma primeira gravidez que terminou em aborto e que foi partilhada também neste webinar da Vinha de Raquel. “Um filho que não nasce é um filho que nunca se esquece. Causa uma dor na alma, que não passa com paracetamol. Vivemos anos, anos, anos, com isto. A dor do aborto, em mim, passou a ter um peso ainda maior à medida que também fui crescendo”, descreveu esta mãe, monitora do grupo ‘Jovem Levanta-te’, que participou no Got Talent Portugal.

Lucivânia partilhou como tudo aconteceu. “Havia o estigma de ser virgem aos 18 anos e não tive uma estrutura familiar que me desse a fortaleza que eu precisava. Vivia com a minha mãe e o meu padrasto e tínhamos um desequilíbrio familiar muito grande. Fui eu que abri as portas para que o mal entrasse. Sentia-me desvalorizada”, confessou, lembrando que, naquela época, começou a “perder os valores”. “Deixei de sonhar e passei a querer curtir e depois logo se via. Quando fiquei grávida, a primeira coisa que ouvi dele foi: ‘Eu não estou preparado’. E eu, com 18 anos? Claro que também não estava. E entrou o medo, o desespero e o colocar isto nas mãos do namorado. Ao ouvir o ‘não’, sentimo-nos sozinhas”, manifestou. Esta mãe recordou que o aborto que fez foi “para não trazer mais problemas”. “Mesmo no seio das amigas, não houve uma que dissesse ‘sim, tem a criança’. Não querendo pôr a culpa nos amigos, estamos sempre à espera daquela palavra que traz vida. De um modo geral, a palavra é de morte”, lamentou.

 

Mulheres são fonte de vida

Feito o aborto, Lucivânia sentiu a necessidade de “abafar” o assunto, de “passar com uma borracha”, essencialmente “pelo vazio”. “Toda a mãe sente, quando está grávida, que tem uma vida dentro de si”, observou. “O aborto é um assunto que não se fala, é algo que é muito difícil de falar. Só é fácil falar no consultório quando se está grávida, quando os próprios médicos ou enfermeiros sugerem como solução. Mas as consequências, não conheço ninguém que me diga que foi falar das consequências psicológicas e emocionais do aborto”, frisou.

Quando ficou grávida pela segunda vez, assumiu que “teve medo” que “alguém voltasse a apresentar o aborto como uma solução”. “Não contei a ninguém que estava grávida, nem à minha mãe. Foi um segredo meu e da minha bebé. Eu dizia-lhe: ‘Ninguém te vai tirar daqui’. E esse bebé, hoje, já tem 20 anos”, referiu, feliz.

Lucivânia Abreu é mãe de quatro filhas biológicas, mais duas meninas adotadas e ainda um menino adotado. “As mulheres são fonte de vida. Não somos um cemitério. Não fomos feitas para matar, mas para iluminar a vida em nós”, disse, sublinhando a importância de associações, movimentos e obras pró-vida, como a Vinha de Raquel, onde diz ter encontrado “conforto”. “Foi muito bom perceber que afinal há alguém a trabalhar nisto, a acolher estas mães que passam por esta situação, foi muito bom poder ouvir testemunhos de outras mães, foi bom poder perceber que aquela alma é amor e não está ali para me julgar. Estes bebés têm um anjo-da-guarda e não estão ali para nos julgar. São os primeiros a perdoar-nos por nós não termos permitido que eles vissem a luz. Na Vinha de Raquel, estas crianças abortadas ressuscitam, ganham vida”, completou.

No final das partilhas, o assistente da obra Vinha de Raquel, cónego Rui Pedro Carvalho, confessou-se “emocionado” ao ouvir os dois testemunhos. “É uma grande coragem darem estes testemunhos, que podem ajudar tantas pessoas que os vão escutar e que podem mudar o rumo das suas vidas e, acima de tudo, ajudar a encontrar um Deus que perdoa e que chama sempre a recomeçar”, observou.

 

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Vinha de Raquel

Fundada nos Estados Unidos, pelos ‘Priests for Life’ (‘Padres pela Vida’), a obra Vinha de Raquel chegou a Portugal há cerca de 20 anos, pela mão da Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa. “A Vinha de Raquel inicia com um primeiro contacto por parte das mulheres, que nos pedem ajuda. É feita uma entrevista de acolhimento, em que ouvimos a história e recolhemos alguns dados. Depois, há um acompanhamento, uma espécie de pré-retiro”, refere, ao Jornal VOZ DA VERDADE, Sílvia Pires, uma das psicólogas desta obra, sublinhando a importância dos retiros organizados pela Vinha de Raquel: “O retiro tem a parte espiritual, que exerce um impacto nas mulheres de grande ajuda, porque é a parte da reconciliação, da misericórdia, do regressar, e tem a parte psicológica, porque é de facto um processo muito difícil. É muito importante reconhecer que o síndrome pós-aborto diz respeito à saúde das mulheres e do casal e é acompanhado de vários sintomas que interferem na qualidade de vida: a depressão, a ansiedade, os pesadelos, as dificuldades com as datas de aniversário e as datas possíveis de nascimento das crianças”.

Maria José Vilaça é também psicóloga nesta obra e destaca, ao Jornal VOZ DA VERDADE, que, do ponto de vista psicológico, “os temas mais trabalhados no retiro são a culpa, o luto e os ressentimentos”. “Verificamos que a partir do momento em que fazem as pazes com quem estavam zangadas, elas próprias também conseguem ser perdoadas”, observa, sublinhando que “a questão do luto é resolvida essencialmente através do conhecer a criança, dar-lhe um nome”. “Não podemos fazer o luto de alguém que não conhecemos. É essa relação que vai trazer a mãe de volta para Deus. O início da cura é quando a própria criança trabalha no sentido de recuperar a relação da mãe com Deus. É algo com que elas ficam muito admiradas, quando dizemos: ‘Você sabe que já é mãe e que tem um filho no Céu?’”, acrescenta.

Convidadas a deixar uma mensagem às mulheres que fizeram um aborto e nunca participaram nos retiros da Vinha de Raquel, Maria José Vilaça referiu que “a mensagem principal é a de que há esperança”. Já Sílvia Pires garante que “o objetivo principal é que as mães percebam que é possível acolher o perdão de Deus”.

Site: www.vinhaderaquel.org

Facebook: www.facebook.com/vinhaderaquel

 

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Encontrar caminhos de reconciliação

O assistente da Vinha de Raquel considera que o aborto “é uma realidade delicada, difícil de abordar”, mas que “é necessário trazer à luz do dia e enfrentar”, para assim “podermos encontrar caminhos de reconciliação e de vida”. “Um filho não se esquece. Nos retiros da Vinha de Raquel, naquelas vidas que escutei e acompanhei, naqueles corações magoados, via que por mais que se quisesse passar esta página, colocar uma pedra sobre o assunto, as feridas permaneciam. Na verdade, não se cura uma ferida tentando esquecê-la. É preciso tratá-la, curá-la”, observou o cónego Rui Pedro Carvalho, no início da primeira sessão deste webinar.

Este sacerdote referiu ainda que estes retiros são “um lugar de ajuda onde aqueles que passaram pelo aborto, através da fé, da descoberta do amor e do perdão de Deus, se reencontram com a sua história, com os filhos perdidos e, acima de tudo, com Deus, que oferece perdão e recomeço”.


Webinar Vinha de Raquel: https://bitly.com/webinarvinhaderaquel1

Próximas sessões nos dias 7 e 10 de maio, às 21h15, em direto no Facebook da Vinha de Raquel e do Patriarcado de Lisboa

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