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São José, Pai no Acolhimento e da Confiança
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Tal como nos artigos dos últimos 3 meses, no Familiarmente deste ano vamos responder ao desafio do Papa Francisco, colocado na sua Carta Apostólica ‘Patris corde’ (‘Com coração de Pai’), no sentido de aprofundar a devoção a São José e de olhar para a sua autoridade de Pai e padroeiro da Igreja.

Neste sentido, pedimos a várias pessoas para testemunharem a sua vida, confrontando-a com as várias dimensões/virtudes da personalidade de São José oferecidas pelo Papa Francisco:

1) Pai amado - Pai que foi sempre amado pelo povo de Cristão

2) Pai na ternura - Jesus viu a ternura Deus em São José

3) Pai na obediência - Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo

4) Pai no acolhimento - José acolhe Maria sem condições prévias. Confia nas palavras do anjo

5) Pai com coragem criativa - O Céu intervém confiando na coragem criativa deste homem

6) Pai trabalhador - São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da família.

7) Pai na sombra - a sombra na Terra do Pai Celeste: guarda-o, protege-o, segue os seus passos sem nunca se afastar dele.

Neste 4º número, vamos aprofundar a dimensão de São José, Pai no Acolhimento e da Confiança.

Convidamos-vos a aprofundar estes pontos lendo o nosso artigo e a carta apostólica: http://bit.ly/patriscordept.

 

Confiar

Na Constituição Pastoral Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II, há uma frase que tem sido para mim muito esclarecedora sobre a importância da relação com Deus na nossa vida: “Cristo … na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime” (GS, 22).

Deus tem por nós um conhecimento e amor profundos, maior do que aquele que nós próprios temos. Desta noção nasce a vontade de irmos adequando a nossa vontade e ações, àquilo que vamos discernindo ser o plano de Deus para nós.

Estou casado com a minha mulher Diana há 10 anos, durante este percurso temos tido períodos em que notamos ter sido muito importante esta tentativa de discernimento sobre aquilo que Deus nos vai pedindo.

Antes de nos casarmos tivemos um período de três anos de namoro. Neste tempo de gradual conhecimento mútuo e desejo crescente de estar um com o outro partilhando a vida, antes de tomarmos a decisão de casar, fizemos Exercícios Espirituais de discernimento vocacional. Apesar de interiormente sentir muito claramente que a minha felicidade passava por partilhar a vida com a Diana, o ato de nos pormos à disposição de Deus tentando escutar qual a sua vontade, ajudou-nos a aprofundar a noção do matrimónio ser uma vocação, a nossa principal missão e na qual nos devemos empenhar “de corpo e alma”.

A Diana e eu somos médicos, conhecemo-nos na faculdade em Lisboa e fizemos a especialidade em Coimbra. Este último período coincidiu com os primeiros anos do nosso casamento e o nascimento dos nossos dois primeiros filhos, o Santiago e o Francisco. Numa cidade longe das nossas origens e numa nova fase de vida, tivemos de nos apoiar muito em casal e fomos tendo também o apoio de bons amigos que connosco formavam uma Comunidade de Vida Cristã (CVX). Terminada a especialidade propuseram-me ficar a trabalhar em Coimbra na área de ortopedia pediátrica, área de que gostava muito. O não aceitar essa proposta tinha o peso de não saber se me poderia continuar a dedicar a essa área. No entanto, sentíamo-nos deslocados em Coimbra. Com esta incerteza e a necessidade de tomar uma decisão, procurámos ajuda para discernimento com um padre amigo, que nos disse uma frase muito inspiradora: “Na incerteza o Espírito Santo tem maior margem de manobra”. Aconteceu que uma semana depois de não ter aceite esta proposta recebi outra de um hospital pediátrico em Lisboa, local onde atualmente trabalho e me sinto muito realizado.

Atualmente temos três filhos, o Tomás nasceu passado vinte meses depois do nascimento do Francisco. Desde essa altura a notícia de mais uma gravidez para além de ser recebida com alegria, era também acompanhada de algumas dúvidas: seríamos capazes de ter disponibilidade de tempo e mental? Seria uma gravidez bem compreendida pelos outros? A mudança que os filhos foram trazendo à nossa vida foi sempre muito positiva com as suas conquistas e alegrias. A educação dos filhos é para nós um desafio constante na procura da melhor abordagem e no encontrar calma e disponibilidade para estar com eles. Temos três rapazes que têm muita energia e muita intensidade nas alegrias e nas “birras”. Um casal amigo disse-nos que todos os dias pediam a Deus que os seus filhos crescessem bem-intencionados, nós habituámo-nos também a fazer esta prece com frequência. Achamos que a melhor contribuição que podemos deixar para um mundo melhor são os nossos filhos bem formados e que para os nossos filhos a melhor herança que lhes poderemos facultar são os irmãos. Pedimos a São José a graça de conseguir ter a atitude do Pai da parábola do filho pródigo, sempre disponível para acolher os filhos!

Atualmente vivemos em Lisboa há cinco anos. Durante este período tive algumas propostas para realizar a minha atividade profissional em hospitais ou clínicas privadas, acrescendo este trabalho àquele que tenho de base no hospital. Uma delas, especialmente interessante, coincidiu com a realização de exercícios espirituais para casais (tentamos fazer exercícios espirituais uma vez por ano, habitualmente 2-3 dias). Chegámos nessa altura à conclusão que, para equilíbrio familiar, disponibilidade para acompanhar os filhos e equilíbrio emocional próprio, não deveria aceitar esse convite. Passados três anos, reconheço ter sido a decisão mais acertada. Temos tempo para os filhos, para descansar e para nos prepararmos cientificamente para servir os nossos doentes.

Vamos adaptando os nossos gastos diários à realidade de uma família mais numerosa. Por exemplo optámos por ter apenas um carro, faço o trajeto de casa para o hospital habitualmente de bicicleta, o que é mais saudável, ecológico e económico.

Nesta altura, esperamos o nascimento do quarto filho, desta vez uma menina!

Com o crescimento da família é nossa intenção mudar para uma casa maior, mas está a ser difícil encontrar uma opção que nos convenha. À semelhança dos outros períodos de incerteza, mantemos a confiança que “na indefinição o Espírito Santo tem maior margem de manobra”!

 

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Pedro Jordão, com a mulher Diana, grávida de uma menina, acompanhados dos filhos Santiago, Francisco e Tomás

texto por Pedro Jordão
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