Lisboa |
D. Américo Aguiar visita Hospital de Egas Moniz no Dia Internacional do Enfermeiro
“A nossa gratidão não tem limites”
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No Dia Internacional do Enfermeiro, o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Américo Aguiar visitou o Hospital de Egas Moniz e levou àqueles profissionais a “gratidão” de muitos que veem ser correspondidos os “pedidos de ajuda e de acompanhamento”, sobretudo num “período tão difícil”. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, duas enfermeiras partilharam como viveram os tempos de “maior pressão” nos serviços e apontam os ganhos que fazem olhar o futuro com esperança.

 

“Queremos que sintam, da parte de Deus, esta gratidão de tantos e tantas que, nestes tempos, nestas circunstâncias, olhavam para os nossos hospitais, para as vossas batas, com olhos de esperança, de carinho, de amor, de afeto por serdes alguém que corresponde a esse grito de pedido de ajuda e de acompanhamento em momentos tão difíceis das nossas vidas”, frisou D. Américo Aguiar, no Hospital de Egas Moniz, na manhã do dia 12 de maio, por ocasião do Dia Internacional do Enfermeiro. Na homilia da Missa, o Bispo Auxiliar de Lisboa referiu-se à abnegação de todos os profissionais de saúde durante a pandemia. “O relógio deixou de ter 24 horas, passou a ter muitas mais e as vossas mãos, as vossas palavras, os vossos gestos multiplicaram-se de maneira impensável durante este tempo. A nossa gratidão não tem limites”, sublinhou.

Na Capela de São João de Brito, neste hospital do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, D. Américo Aguiar pediu ainda a intercessão de São José – neste ano que lhe é dedicado – para os profissionais de saúde e também para as suas famílias. “O Papa Francisco fala de São José como o pai cuidador. É uma imagem que se aplica, sem grande esforço, à figura dos enfermeiros e enfermeiras. Um simples gesto, uma palavra, um olhar, faz toda a diferença. Pedimos a São José que fortaleça, encoraje, interceda junto de Deus, por todos e por cada um de vós, e que as vossas famílias se sintam também protegidas na desproteção que foram sentindo, ao longo deste tempo, em razão do valor maior a que fostes chamados”, sublinhou o Bispo Auxiliar de Lisboa, que iniciou esta visita ao Hospital de Egas Moniz com um encontro com alguns enfermeiros e com o Conselho de Administração deste hospital. “Sabemos que todos foram inexcedíveis neste tempo que passou, todos ultrapassaram as próprias capacidades e excederam os seus limites”, reconheceu. “Queremos dizer obrigado e pedir a Deus que a todos retribua”, pediu.

 

Visita muito esperada

Esta visita do Bispo Auxiliar de Lisboa foi desejada e planeada, há mais de um ano, por enfermeiros do Hospital de Egas Moniz. O contexto pandémico obrigou a redimensionar as celebrações do Dia Internacional do Enfermeiro 2020, mas a Eucaristia, nesse dia, celebrada por D. Américo Aguiar, ficou na memória destes profissionais de saúde. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, a enfermeira-chefe Fátima Almeida partilha a importância desse momento. “Foi muito bom estar com o senhor D. Américo, tê-lo a celebrar a Eucaristia connosco. Muitas vezes, durante o ano, recordámos as palavras dele e isso foi um ânimo para nós. Agora, em 2021, para celebrar o Dia do Enfermeiro, voltámos a convidá-lo, já com a possibilidade de termos mais pessoas presentes na Eucaristia”, explica esta enfermeira-chefe do Serviço de Neurotraumatologia do Hospital de Egas Moniz.

Os tempos vividos pelos profissionais de saúde no último ano foram marcantes a vários níveis. O “grande embate” no serviço da enfermeira Fátima aconteceu já este ano, em janeiro, quando foi necessário transformar pisos inteiros para receber doentes covid, uma vez que, na primeira fase da pandemia, estes doentes eram encaminhados para o Hospital de São Francisco Xavier, que também faz parte do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental. “Aprendemos que cada dia é um dia, cada hora é uma hora e o que é verdade neste momento, daqui a duas horas pode já não ser. Mas a adaptação que tivemos que fazer não nos tirou o humanismo das nossas enfermarias”, garante esta profissional de saúde, sublinhando a importância do acompanhamento dos doentes em fase terminal, que, mesmo durante a pandemia, “não deixou de existir”. “Tivemos o capelão a entrar no ‘covidário’ e tivemos situações de chamar familiares de madrugada para virem despedir-se daquele ente querido que estava em fase terminal e que iria morrer proximamente. Manter isto tudo e não nos tornarmos frios no nosso medo, faz-nos sair disto melhores”, assegura.

 

“Yes, we can”

O acompanhamento dos doentes também foi o que mais marcou a enfermeira Lina Martins. Para esta profissional, a possibilidade de fazer videochamadas entre os doentes e os familiares “dava ânimo a todos”. “Essa fase em que fomos ‘covidário’, fez-nos crescer muito e percebemos que nos conseguimos transformar, para melhor, e que os doentes também perceberam isso”, salienta, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Para a enfermeira-chefe do Serviço de Medicina 1 A, a sua equipa de 30 enfermeiros e 20 auxiliares foram “uma excelente surpresa”. “As pessoas surpreendem-nos porque têm uma capacidade de se transformarem, sendo ou não católicos. Transformaram-se, tiveram o sentido de solidariedade e de reinvenção muito grande, sentiram o carinho através de pequenos gestos como a entrega de sumos, bolachas... Isso e o saber que, lá fora, estava alguém que lhes dava o devido valor, enchia-os de ânimo para continuar”, sublinha.

Questionada sobre o que a faz olhar para o futuro com esperança, a frase ‘Yes, we can’ (‘Sim, nós podemos’) ocorre facilmente. Lembrada do tempo de maior pressão e quando o seu serviço contou com o reforço de novos enfermeiros, Lina Martins partilha que os incentivou a “não terem medo, porque os colegas aprenderam a ser melhores pessoas, a terem maior solidariedade e a comunidade também percebeu que os profissionais de saúde estão cá para ajudar”.

 

Ser presença

O padre Rui Louro é capelão do Hospital de Egas Moniz desde outubro de 2019 – a poucos meses do início da pandemia – e começa por partilhar, ao Jornal VOZ DA VERDADE, aqueles 15 dias, em março de 2020, em que foi aconselhado a não ir ao hospital. “Houve uma reestruturação dos serviços e disseram-me que, nessa altura, seria conveniente não vir. Passadas duas a três semanas, começaram a chegar-me os pedidos dos doentes que queriam ajuda espiritual. Foi quando começaram a convidar-me para vir ao hospital”, lembra este sacerdote, que, devido à proibição da visita dos familiares, acabou por ser “a única ponte entre alguns doentes e as famílias”.

Para o padre Rui Louro, um dos maiores ensinamentos deste tempo complexo de pandemia foi a evidência da “necessidade que as pessoas têm das relações humanas” e “a importância do apoio espiritual e humano dado aos doentes”. “As pessoas absorviam a minha presença de uma forma diferente porque era uma ligação ao mundo lá fora, à família, à comunidade. Nisso, vê-se a importância das relações humanas, do sentido de pertença a um grupo maior que ajuda a pessoa a ultrapassar aquela situação sabendo que não está sozinha, mas está acompanhada por Deus, por uma comunidade...”, aponta.

Em relação ao futuro, este sacerdote de 46 anos apresenta-se confiante na forma como se vai conquistando uma maior “proximidade” com o doente. “Vamos ganhando maior confiança porque os receios já são mais controláveis”, realça. Também o retomar do trabalho do grupo de 7, 8 voluntários da capelania que, juntamente com este sacerdote, faziam as visitas aos doentes, é visto como um sinal de esperança para o futuro. “Este não é um trabalho só do capelão, mas de uma equipa. Estar sozinho, é um peso bastante grande. Estamos, pouco a pouco, a retomar a atividade da capelania, com o convite para o ‘rearranque’”, afirma o sacerdote, ainda sem uma data para o reinício do trabalho dos voluntários.

Sobre a visita de D. Américo Aguiar, por ocasião do Dia do Internacional do Enfermeiro, o padre Rui refere que o seu papel foi apenas o de “mediador para que a iniciativa acontecesse” e deseja que esta iniciativa “ajude a marcar a presença da dimensão espiritual na vida do próprio hospital”. “Este contacto pessoal do Bispo ou do padre com os doentes e profissionais acaba por levar as pessoas a abrirem-se mais à dimensão da relação com Deus. E isso é muito bom”, assegura o capelão do Hospital de Egas Moniz.

 

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Voluntários

Alguns dos voluntários da capelania do Hospital de Egas Moniz partilham, com o Jornal VOZ DA VERDADE, a importância da sua missão.

 

“Neste trabalho, sinto-me tão realizada... Levar o nosso olhar, o nosso sorriso e irmos ao encontro do irmão, é muito bom! É o melhor que eu faço.”

Maria Isabel Andrade

 

“Nesta missão, há sempre uma compensação que nos leva para outra dimensão. Quando for possível regressar, certamente vamos encontrar doentes desejosos de ter uma palavra. Já estamos com saudades.”

Carlos Duarte

 

“Ser voluntária é dar a cara pelos outros, acarinhar as pessoas. É uma ambivalência entre o dar e o receber, sabendo que damos pouco em relação ao muito que recebemos.”

Maria José Duarte

 

Mais informações

Facebook: http://bit.ly/CapelaniaEgasMoniz

Email: capelaniaegasmoniz@gmail.com

texto e fotos por Filipe Teixeira
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