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“Zangar-se com Deus também é rezar”
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O Papa Francisco convidou a rezar a oração dos “porquês”, perante os momentos dolorosos da vida. Na semana em que foram publicadas as ‘Orientações pastorais para a celebração da Jornada Mundial da Juventude nas Igrejas particulares’, o Papa rezou por Myanmar e falou de natalidade. Passaram 40 anos do atentado contra João Paulo II.

 

1. O Papa dedicou a catequese de quarta-feira a três dificuldades que se enfrentam na oração: a distração, a aridez e a acídia, também conhecida como preguiça espiritual. Para as combater, Francisco apelou à perseverança, mesmo no meio das incertezas e agruras. Quando surge a incompreensão ou o desalento e não se percebe onde está Deus, o Papa incentiva ao protesto. “Muitas vezes, protestar diante de Deus também é uma forma de rezar, porque às vezes o filho zanga-se com o pai e é um modo de se relacionar com ele”, referiu, na audiência-geral de 19 de maio, no Pátio São Dâmaso, no Vaticano.

O Santo Padre garante que Deus responde sempre e deixa-nos um conselho. “Não se esqueçam da oração do ‘porquê?’. É a oração que fazem as crianças quando começam a não entender as coisas e os psicólogos chamam-lhe ‘a idade dos porquês’, porque a criança pergunta ao pai: ‘Pai, porquê…? Pai, porquê…?’. Ora, quando nos zangamos um pouco com Deus, estamos a atrair o coração de nosso Pai para a nossa miséria, para a nossa dificuldade, para a nossa vida”, lembrou. “Mesmo nas nossas expressões mais duras e amargas, Ele vai recolhê-las com o amor de um pai, e vai considerá-las como um ato de fé, como uma oração”, acrescentou.

Para reforçar o valor da oração, independentemente das circunstâncias do dia a dia, o Santo Padre improvisou várias vezes, com episódios concretos da vida. “Muitas vezes estamos ‘em baixo’. São aqueles dias cinzentos, mas o perigo é ter o coração cinzento. Quando o ‘estar em baixo’ atinge o coração e o põe doente... é terrível. Não se pode avançar com uma aridez espiritual. O coração deve estar aberto e luminoso, para entrar a luz do Senhor. E se não entra, devemos aguardá-la, com esperança” afirmou o Papa.

No final da audiência-geral, Francisco deixou uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa. “Nestes dias de preparação para a festa de Pentecostes, peçamos ao Senhor que derrame em nós a abundância dos dons do seu Espírito, para que, firmes na oração, encontremos a força do Alto que nos torna testemunhas de Jesus até os confins da terra. Obrigado”, disse.

 

2. O Vaticano publicou esta terça-feira, 18 de maio, as ‘Orientações pastorais para a celebração da Jornada Mundial da Juventude nas Igrejas particulares’, com o objetivo de reforçar, a nível local, a importância desta “festa da fé” protagonizada pelos jovens. Desde que o Papa João Paulo II criou as Jornadas Mundial da Juventude (JMJ), em 1985, o ritmo deste evento tem sido trienal e realiza-se sempre num país diferente. Nos anos intermédios, em que não há encontro mundial, cada diocese é autónoma para organizar iniciativas juvenis. Até agora, essa edição local realizava-se no Domingo de Ramos, mas o Papa Francisco alterou a data, por conveniência pastoral, para a Solenidade de Cristo-Rei. O anúncio desta alteração foi feito a 22 de novembro de 2020, no final da Missa em que a delegação portuguesa recebeu, no Vaticano, os símbolos da JMJ. O passo seguinte surgiu agora, com este novo documento do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Trata-se de um conjunto de orientação pastorais dirigidas a todas as dioceses do mundo, permitindo assim, a um maior número de jovens, viver uma experiência local da JMJ. “Alguns jovens, por objetivas dificuldades de estudo, de trabalho ou financeiras não têm a possibilidade de participar nas celebrações internacionais de tais Jornadas, razão pela qual é bom que cada Igreja particular ofereça-lhes também a possibilidade de viver na primeira pessoa, mesmo que em nível local, uma festa da fé, um evento forte de testemunho, de comunhão e de oração análogo às edições internacionais, que marcaram profundamente a existência de tantos jovens nas mais diversas partes do mundo”, lê-se neste documento, que enuncia uma série de pontos principais programáticos que devem nortear as JMJ locais: “festa da fé”, “experiência de Igreja”, “experiência missionária”, “ocasião de discernimento vocacional” e “chamamento à santidade”, como “experiência de peregrinação” e “experiência de fraternidade universal”.

 

3. Na Missa dirigida à comunidade de fiéis de Myanmar, antiga Birmânia, o Papa Francisco apelou ao fim da violência no país “ferido pela violência, o conflito, a repressão”. Na Basílica de São Pedro, no Domingo, 16 de maio, o Papa desafiou os católicos de Myanmar a “não ceder à lógica do ódio e da vingança, mas a ficar com o olhar voltado para o Deus do amor que nos chama a ser irmãos entre nós”, e assinalou a necessidade de promover a “unidade”, face aos pequenos e grandes conflitos. “Hoje quero depor sobre o altar do Senhor os sofrimentos do vosso povo e rezar convosco para que Deus converta os corações de todos à paz. Que a oração de Jesus nos ajude a guardar a fé, mesmo nos momentos difíceis, a ser construtores de unidade, a arriscar a vida pela verdade do Evangelho. Por favor, não percais a esperança”, apelou.

 

4. O Papa inaugurou um encontro promovido pelo Fórum das Associações Familiares Italianas e alertou que, “para o futuro ser bom, é necessário cuidar das famílias, particularmente das famílias jovens, atormentadas por preocupações que correm o risco de paralisar seus projetos de vida”. “É triste ver mulheres obrigadas a esconderem a barriga no local de trabalho, com medo de que uma gravidez possa resultar em demissão”, lamentou.

Francisco considerou “indispensáveis uma política, uma economia, uma informação e uma cultura que promovam corajosamente a natalidade”, e medidas que implicam uma visão ampla, “não apenas baseada na procura de consensos imediatos, mas no crescimento do bem comum a longo prazo”.

 

5. O antigo secretário de São João Paulo II celebrou Missa no altar do túmulo do Papa polaco, na Basílica de São Pedro, no dia 13 de maio, por ocasião dos 40 anos do atentado. “Confesso que até hoje sinto o seu corpo escorregar para os meus braços, com o sangue a escorrer pela sua batina branca e a manchar as minhas mãos e roupa. E também posso ouvir a sua oração constantemente repetida, com voz débil, ‘Maria, minha Mãe, Maria minha Mãe’. Como é difícil esquecer o ruído dos disparos da pistola daquele homem que, num instante, podia ter acabado com o extraordinário pontificado que começava a florescer sob a força do Espírito Santo”, testemunhou o cardeal Stanislaw Dziwisz.

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