Lisboa |
Festa da Família
“A vida familiar é uma ótima experiência de Deus”
<<
1/
>>
Imagem
Video

O Cardeal-Patriarca de Lisboa considerou que os casais que vivem “como um só” são “uma imagem lindíssima do que o próprio Deus é”. A Festa da Família ficou marcada pelos 670 casais jubilares, de 143 paróquias da diocese, com D. Manuel Clemente a garantir, em Óbidos, que são “um sinal da Uni-Trindade divina”.

 

“Quando participamos na vida divina, e depois a repartimos com os outros, então sabemos o que Deus é. Meus caros casais: é nas famílias que isto começa. Porque exatamente como diz o mandamento bíblico ‘deixará o homem a casa dos seus pais, unir-se-á a sua mulher e serão os dois como um só’, é isto mesmo, serem como um só. Por isto mesmo, o casal é uma imagem lindíssima do que o próprio Deus é, como comunhão de vida e de amor, como partilha inteira daquilo que se é, e que se é com os outros, para os outros e nos outros. A vida da família é uma ótima experiência de Deus”, garantiu o Cardeal-Patriarca, na Missa de encerramento da Festa da Família.

Na Igreja de São Pedro, em Óbidos, na tarde do passado Domingo, 30 de maio, D. Manuel Clemente sublinhou que “é exatamente quando se nasce numa família, concretamente numa família do sacramento do Matrimónio vivo”, e “essa vida se compartilha”, que se tem “uma experiência de Deus autêntica”. “Na vossa vida conjugal, na vossa vida familiar, no dia-a-dia, a graça do sacramento do Matrimónio faz-vos sustentar em Cristo, na relação com Deus, na vivência do seu Espírito e na convivência com todos. Esta é a graça especialíssima do sacramento do Matrimónio. A família é, por excelência, o sinal da Uni-Trindade divina, como ela pode ser compartilhada na pluralidade da vida de uma família, unida num só amor. Isto não é apenas um ideal a atingir, mas uma realidade prática”, garantiu.

 

Uni-Trindade divina

Nesta celebração transmitida em direto pelo YouTube e Facebook do Patriarcado e da Pastoral Familiar, o Cardeal-Patriarca não esqueceu os casais jubilares da diocese. “Aqueles casais que hoje são especialmente lembrados, e que comemoram datas marcantes do seu percurso matrimonial – 10 anos, 25 anos, 50 anos, 60 anos, por aí fora –, são a manifestação e a comprovação viva, eloquente, indesmentível, de que isto pode ser, de que isto é, realmente, na graça do sacramento do Matrimónio, sinal da Uni-Trindade divina: vários como um só, um único Espírito, como acontece em Deus, como por Cristo acontece em nós, na vida das famílias e na própria vida da Igreja, como família de famílias. É isto mesmo que estamos a celebrar no dia da Santíssima Trindade”, apontou. Neste sentido, segundo D. Manuel Clemente, as famílias cristãs “são um sinal concreto de como, neste mundo, se pode viver como Deus: um, em vários”. “Num só espírito, no amor verdadeiro, numa vida compartilhada. É isto que o matrimónio cristão oferece ao mundo. Mostra que é possível, que não está ultrapassado. Porque a novidade é Cristo! A humanidade de Deus na nossa vida, a Uni-Trindade divina na família cristã. É isto que cada um de vós, que estais aqui, em Óbidos, e os que estais connosco através da transmissão, como Matrimónio cristão, como família cristã, oferece ao mundo. Oferecer isto, é oferecer tudo”, assegurou.

 

 

Proximidade com as famílias

O casal diretor da Pastoral Familiar de Lisboa faz “um balanço muito positivo” da Festa da Família deste ano. “As paróquias aderiram muito bem à iniciativa e foi possível ter mais proximidade com as famílias no formato presencial. Os movimentos e outras realidades eclesiais também aderiram com entusiasmo ao desafio online, criando os eventos que foram transmitidos nas redes sociais durante a semana anterior à Festa da Família e que tiveram milhares de visualizações. As inscrições dos casais jubilares, para receberem o diploma com a bênção patriarcal, também correram muito bem: à medida que se vai espalhando, há cada vez mais famílias a quererem celebrar as suas bodas matrimoniais, dando assim um grande testemunho da importância do casamento e da família”, resume, ao Jornal VOZ DA VERDADE, Tiago Líbano Monteiro. A mulher, Regiani, lamenta apenas que “muitos casais jubilares” tenham sabido “tarde de mais”, ou até “nem chegaram a saber”, das inscrições. “Temos de melhorar para chegar a todos, para não deixar ninguém de fora. Talvez melhorando a comunicação, pedindo a todos que divulguem mais… fez-nos muita pena ver a tristeza de casais que ficaram de foram porque não sabiam desta iniciativa, mas fizemos um grande esforço para dar resposta a todos os pedidos que nos chegaram”, garante, ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Neste ano de 2021, foram abençoados 670 casais jubilares (que fizeram 10, 25, 50, 60 ou mais anos de casados). Um número que inclui também 100 casais jubilares do ano passado, que não puderam receber a bênção devido ao cancelamento, em 2020, da Festa da Família, devido à pandemia. Os 670 casais jubilares representavam 143 paróquias do Patriarcado, ou seja, 50% das paróquias da diocese, quando em 2019 foram abrangidas “cerca de 35% das paróquias”. “São números muito animadores, mas que também mostram que, para o ano, podemos chegar a mais casais”, deseja Tiago.

Para Regiani, apesar de os números “serem importantes” para “dar uma visão estatística”, o que “interessa mesmo” é o que se passa “com cada casal, a história de cada família”. “Ajudei a colocar os diplomas nos envelopes para irem para o correio e gostei muito, porque fui rezando por cada casal, por cada família real que estava por trás daqueles papéis. Os números não valem nada se não chegarmos ao coração das pessoas”, garante esta mãe de sete filhos.

 

Festa a crescer

A Festa da Família do Patriarcado de Lisboa teve início em Mafra (2014), a que se seguiram as edições no Mucifal - Sintra (2015), Casa do Gaiato em Santo Antão do Tojal (2016), Alcobaça (2017), Penafirme - Torres Vedras (2018) e parque da Quinta das Conchas, em Lisboa (2019). Em 2020, a Festa da Família foi cancelada, devido à pandemia, e este ano decorreu em modo paroquial e online. Após sete anos, o casal diretor da Pastoral Familiar diz acreditar que esta iniciativa tem ganho o seu espaço na pastoral diocesana, porque “a família é mais forte do que a pandemia”. “A Festa da Família é cada vez mais conhecida, e isso é muito bom. Talvez o facto de a parte presencial ter sido, este ano, nas paróquias tenha levado alguns casais jubilares a inscreverem-se por ser a Festa na Missa da paróquia, e não longe de casa. Mas o dinamismo dos convites ao nível paroquial aumentou. Houve exemplos de párocos que se empenharam muito e conseguiram chegar a casais que estavam afastados da Igreja… foi claramente uma oportunidade de concretizar, mais um pouco, o nosso ‘Sonho missionário de chegar a todos’, como diz a Constituição Sinodal de Lisboa que estamos agora a avaliar”, considera Regiani. Para Tiago, este formato com dupla vertente “ajuda a crescer nos números, a chegar a mais gente”. “Temos de pensar como vamos fazer no próximo ano. O que é certo é que ainda há muito a fazer. Como vimos, metade das paróquias não tiveram nenhum casal jubilar inscrito. Claro que há paróquias muito desertificadas, onde provavelmente não se conseguirá encontrar casais jubilares, mas ainda há muito espaço para evoluirmos”, constata o casal responsável pela Pastoral Familiar no Patriarcado de Lisboa.

 

_____________


Festa da Família 2022 em Óbidos

A próxima edição da Festa da Família vai decorrer em Óbidos, no dia 15 de maio de 2022. “No encerramento da Festa da Família de 2019, em Lisboa, foi anunciado que a Festa da Família de 2020 seria em Óbidos. Essa Festa foi cancelada e esta de 2021 teve o formato presencial distribuído geograficamente pelas paróquias. O padre Ricardo Figueiredo, pároco de Óbidos, manteve a sua total disponibilidade, com o mesmo entusiasmo inicial, para acolher a Festa em 2022. Foi assim, com grande alegria, que anunciámos que a próxima Festa da Família será no dia 15 de maio de 2022, em Óbidos! Se Deus quiser, sem pandemia!”, deseja o casal diretor da Pastoral Familiar de Lisboa.

 

_____________


A educação dos filhos, em vídeos online

Na semana anterior à Festa da Família, entre 24 e 30 de maio, foram publicados cinco vídeos nas redes sociais (YouTube e Facebook). No próprio dia da festa, antes da Missa de encerramento, foi publicado um último vídeo, com testemunhos. “Pretendemos, com estes vídeos, terminar a reflexão sobre a educação dos filhos, tema que escolhemos para este ano pastoral”, refere Tiago Líbano Monteiro.

Esta iniciativa foi organizada em conjunto com os movimentos e outras realidades eclesiais, segundo refere Regiani. “O Papa Francisco anunciou o ano Família Amoris Laetitia, propondo às famílias a releitura da sua exortação apostólica. Juntando isto ao nosso tema, desafiámos os movimentos e outras realidades eclesiais a elaborar eventos online, ajudando-nos a refletir sobre o capítulo 7 da exortação. O resultado foi este conjunto de cinco vídeos, que ficou muito interessante pela sua profundidade, mas também pela riqueza da diversidade construída sobre o carisma de cada um. Vale a pena ver: continuam disponíveis no YouTube da Pastoral da Família e do Patriarcado de Lisboa”, salienta. Para o marido, Tiago, a “relação próxima” da Pastoral da Família com os movimentos ligados à família, presentes na diocese, “já vem de há vários anos e continua a ser uma prioridade” que é “muito acarinhada pelo nosso Patriarca”. “Estes movimentos – e outras realidades eclesiais, pois nem todos são movimentos – fazem um trabalho excecional com as famílias e trazem a diversidade. É muito bonito, e mesmo importante, ver como esta diversidade alarga a abrangência sem diminuir a unidade, muito pelo contrário, porque todos nos levam a Cristo”, frisa.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos Pastoral Familiar de Lisboa e Nuno Batista
A OPINIÃO DE
P. Manuel Barbosa, scj
1. Estamos em plena fase diocesana do processo sinodal, que vai até ao verão de 2022. Importa recordar...
ver [+]

António Bagão Félix
Há uns dias, deparei com um belo texto do sacerdote e teólogo italiano Ermes Ronchi. A certa altura,...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES