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“Continuemos a pedir ao Senhor que proteja o mundo inteiro da pandemia”
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O Papa Francisco reviu a legislação que pune os abusos. Na semana em que rezou o terço nos jardins do Vaticano, o Papa revelou que vai reunir-se com líderes cristãos do Líbano para construir a paz, lembrou que “Deus, sendo um e único, não é solidão, mas comunhão”, e nomeou um arcebispo inglês para suceder ao cardeal Sarah.

 

1. O Vaticano publicou, no dia 1 de junho, a reforma do livro VI do Código de Direito Canónico (CDC) sobre sanções penais na Igreja. A revisão do texto pretende “favorecer a unidade da Igreja na aplicação das penas, especialmente no que se refere aos crimes que causam maiores danos e escândalos na comunidade”. A publicação destas alterações vem acompanhada da constituição apostólica ‘Pascite Gregem Dei’, onde o Papa reconhece que “muitos foram os danos causados no passado pela falta de compreensão da relação íntima que existe na Igreja entre o exercício da caridade e o cumprimento da disciplina sancionatória”. Francisco declara que, nestas matérias, não bastam exortações nem sugestões e, muito menos, “contemporizações que tornam mais difícil a correção e, em muitos casos, agravam o escândalo e a confusão entre os fiéis”.

Estas alterações pretendem, pois, reforçar a aplicação das penas por parte dos Pastores e Superiores eclesiásticos. “A negligência do Pastor no uso do sistema penal mostra que ele não está a cumprir a sua função correta e fielmente”, escreve o Papa. Por isso, esta reforma obriga os Pastores a recorrer ao sistema penal “sempre que necessário, tendo em conta os três fins que o tornam necessário na sociedade eclesial, isto é, o restabelecimento das demandas de justiça, a emenda do réu e a reparação dos escândalos”, lê-se.

O Papa explica que, “a fim de favorecer a unidade da Igreja na aplicação das penas, especialmente no que se refere aos crimes que causam maiores danos e escândalos na comunidade, também se seguiu o critério ‘servatis de iure servandis’ para reduzir os casos em que a aplicação de sanções fica ao critério da autoridade”.

 

2. O Papa Francisco encerrou, na tarde de 31 de maio, a ‘Maratona do Rosário pelo fim da pandemia’, presidindo à oração do terço, nos jardins do Vaticano. “São tantos os nós que se apertam em torno às nossas vidas e restringem nossas atividades. São nós de egoísmo e de indiferença, nós económicos e sociais, nós de violência e de guerra”, disse o Papa, diante da Imagem. Rodeado de crianças e adolescentes de paróquias italianas, Francisco meditou sentado numa cadeira, de frente para o quadro que veio expressamente da Alemanha e reproduz fielmente a obra original de ‘Maria desatadora dos nós’, pintada pelo artista alemão Johann Schmidtner, no ano de 1700. O quadro original, com 1,1 m de largura por 1,82 m de altura, encontra-se na capela de St. Peter am Perlach, na cidade alemã de Augsburg. No final do terço e ladainha em honra da Virgem, o Papa colocou uma pequena coroa na tela do quadro, sobre a cabeça de Nossa Senhora desatadora dos nós, e permaneceu alguns minutos em oração silenciosa.

A encerrar a celebração, Francisco agradeceu aos que se associaram, um pouco por todo o mundo, a esta ‘Maratona de oração’ e concluiu: “Continuemos a pedir ao Senhor que proteja o mundo inteiro da pandemia e que a todos, sem exclusão de nenhum tipo, rapidamente seja dada a possibilidade de se proteger através da vacina”.

 

3. “No próximo dia 1 de julho, vou encontrar-me, no Vaticano, com os principais responsáveis das comunidades cristãs presentes no Líbano, para uma jornada de reflexão sobre a preocupante situação do país e para rezarmos juntos pelo dom da paz e da estabilidade”, anunciou o Papa, no passado Domingo, 30 de maio. No final do Angelus, Francisco disse confiar “estas intenções à intercessão da Mãe de Deus, tão venerada no santuário de Harissa”. “A partir deste momento, peço-vos para acompanharem a preparação deste evento com a oração solidária, invocando, para aquele amado país, um futuro mais sereno”, pediu.

O Papa tem mantido sucessivos contactos com as autoridades políticas e com os responsáveis cristãos daquele país do Médio Oriente com forte identidade cristã. Por diversas vezes, Francisco manifestou o desejo de visitar o Líbano, desde que haja condições de estabilidade na “terra dos cedros”, mas a complexa situação política terá motivado este encontro no Vaticano. Até agora, três Papas já visitaram o Líbano: Paulo VI (1964), João Paulo II (1997) e Bento XVI (2012).

 

4. O Papa Francisco assinalou, no Vaticano, a Solenidade da Santíssima Trindade, sublinhando a centralidade do “mistério de um único Deus” em três Pessoas, Pai e Filho e Espírito Santo. “Na medida em que é amor, Deus, sendo um e único, não é solidão, mas comunhão. Entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O amor é essencialmente um dom de si mesmo, e na sua realidade original e infinita é o Pai que se dá gerando o Filho, que por sua vez se doa ao Pai e o seu amor mútuo é o Espírito Santo, o vínculo de sua unidade”, referiu, antes da oração do Angelus, perante centenas de peregrinos na Praça de São Pedro. “A festa de hoje faz-nos contemplar este maravilhoso mistério de amor e luz de onde vimos e para o qual se orienta o nosso caminho terrestre”, explicou o Papa, a partir da janela do apartamento pontifício. “Hoje paramos para celebrar este mistério, pois as Pessoas não são adjetivação de Deus, não. São Pessoas reais, diversas, diferentes. Não é fácil entender, mas é possível viver este mistério”, acrescentou.

Francisco afirmou ainda que este mistério da Trindade foi revelado pelo próprio Jesus. “Ele fez-nos conhecer o rosto de Deus como um Pai misericordioso; apresentou-se, verdadeiro homem, como Filho de Deus e Verbo do Pai salvador, que dá a sua vida por nós; ele falou do Espírito Santo que procede do Pai e do Filho, o Espírito da Verdade, o Paráclito, isto é, Consolador e Advogado”, indicou.

Após a oração, o Papa aplaudiu o testemunho de coragem e fé de três enfermeiras da Cruz Vermelha espanhola, beatificadas na véspera, na cidade de Astorga. Pilar, Olga e Otávia foram mortas por ódio à fé, enquanto tratavam dos feridos, em 1936 durante a guerra civil.

 

5. O Papa Francisco nomeou o arcebispo inglês Arthur Roche para suceder ao cardeal Robert Sarah à frente da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. D. Roche, que era bispo de Leeds antes de ser chamado para o Vaticano, já trabalhava como número dois do cardeal Sarah naquela congregação e tem larga experiência de colaboração com o Papa. A relação de Francisco com o arcebispo, que é visto como mais moderado que Sarah, era boa, segundo a imprensa católica inglesa.

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