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“Colocar Deus e as pessoas no centro das preocupações”
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O Papa Francisco convidou os sacerdotes a assumirem as fragilidades e a evitarem a tentação de serem “super-homens”. Na semana em que falou da ligação entre as celebrações litúrgicas e a caridade, o Papa assinalou a beatificação de uma religiosa italiana brutalmente assassinada, o cardeal Marx apresentou a demissão ao Papa e foi publicada a intenção de oração do mês de junho.

 

1. O Papa considera que os sacerdotes devem assumir as suas fragilidades como “lugar teológico” e evitar a tentação de serem “super-homens”. “A minha fragilidade, a de cada um de nós, é um lugar teológico de encontro com o Senhor. Os sacerdotes super-homens terminam mal, todos eles. O sacerdote frágil, que conhece as suas fraquezas e fala delas com o Senhor, esse irá bem”, indicou Francisco, numa audiência aos membros do Colégio de São Luís dos Franceses, no dia 7 de junho.

A intervenção desafiou os padres a serem pessoas de esperança, cultivando o sentido de comunidade “numa sociedade marcada pelo individualismo, autoafirmação e indiferença”. “Na vida comunitária, existe sempre a tentação de criar pequenos grupos fechados, de se isolar, de criticar e falar mal dos outros, de se julgar superior, mais inteligente”, advertiu, destacando a necessidade de refletir sobre o sacerdócio a partir da comunidade católica, para “colocar Deus e as pessoas no centro das preocupações”.

 

2. O Papa presidiu à Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, no Vaticano, e sublinhou a ligação entre as celebrações litúrgicas e a caridade, nas comunidades católicas. “Não podes partir o Pão do Domingo, se o teu coração estiver fechado aos irmãos. Não podes comer este Pão, se não deres o pão aos famintos. Não podes partilhar deste Pão, se não partilhas os sofrimentos de quem passa necessidade”, destacou, na homilia da celebração na Basílica de São Pedro, na tarde do passado Domingo, 6 de junho.

Devido à pandemia, a Missa decorreu com participação limitada de fiéis e sem a tradicional procissão, pelas ruas da capital italiana. “No fim de tudo, inclusive das nossas solenes liturgias eucarísticas, restará apenas o amor. E, já desde agora, as nossas Eucaristias transformam o mundo, na medida em que nós mesmos nos deixamos transformar, tornando-nos pão partido para os outros”, indicou o Papa, refletindo sobre a “sede” de transcendência que marca o coração humano e que pode estar a desparecer na sociedade contemporânea. “Todos nós, cada um de nós tem sede de amor, de alegria, duma vida conseguida num mundo mais humano. E, para esta sede, não basta a água das coisas mundanas, pois trata-se duma sede mais profunda que só Deus pode satisfazer. O drama de hoje, podemos dizer, é que muitas vezes se extinguiu a sede. Apagaram-se as perguntas sobre Deus, afrouxou o anseio por Ele, são cada vez mais raros os buscadores de Deus. Deus deixou de atrair, porque já não nos damos conta da nossa sede profunda”, assinalou.

 

3. O Papa destacou a beatificação da irmã Maria Laura Mainetti (1939-2000), morta há 21 anos por “três jovens influenciadas por uma seita satânica” e reconhecida como mártir pela Igreja. “A crueldade! Logo ela, que amava os jovens mais do que tudo, amava e perdoava aquelas mesmas meninas que eram prisioneiras do mal”, indicou Francisco, após a recitação do Angelus, no passado Domingo, 6 de junho, perante os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. A beatificação foi celebrada em Chiavenna, na Diocese de Como, no norte da Itália. O altar da celebração tinha um relicário com uma pedra manchada de sangue, recolhida no local do martírio da religiosa. “A irmã Maria Laura deixa-nos o seu programa de vida: ‘Fazer tudo com fé, amor e entusiasmo’. Que o Senhor nos dê a todos fé, amor e entusiasmo”, referiu o Papa, que pediu uma salva de palmas para a nova beata.

Na janela do apartamento pontifício, o Papa condenou ainda o “modelo colonizador” na relação da Igreja e da sociedade do Canadá com as comunidades indígenas, mostrando a sua tristeza pela descoberta de restos mortais de 215 crianças numa instituição católica. “Sigo com dor as notícias que chegam do Canadá sobre a desconcertante descoberta dos restos mortais de 215 crianças, alunos da Kamloops Indian Residential School (Escola Residencial Indígena Kamloops), na província da Colúmbia Britânica. Uno-me aos bispos canadianos e a toda a Igreja Católica, para manifestar a minha proximidade ao povo canadiano, traumatizado pela chocante notícia”, referiu. “As autoridades políticas e religiosas do Canadá continuem a colaborar com determinação para trazer luz sobre este triste acontecimento, empenhando-se humildemente num caminho de reconciliação e cura”, apelou.

Finalmente, Francisco lamentou o atentado que fez, na véspera, mais de 100 vítimas no Burquina Faso. “Estou próximo dos familiares e a todo o povo do Burquina Faso, que está a sofrer muito, por causa destes ataques repetidos. África precisa de paz, não de violência”, lembrou.

 

4. O cardeal Reinhard Marx, Arcebispo de Munique e Freising, anunciou a sua renúncia, numa carta enviada ao Papa Francisco, por “falhas no âmbito pessoal” e “erros institucionais e sistemáticos” relacionados com a crise de abuso de menores na Alemanha. Marx, que integra o grupo de cardeais conselheiros do Papa Francisco e que presidiu à Conferência Episcopal da Alemanha até 2020, reconhece que, face à atual crise instalada no seio da Igreja alemã, lhe parece terem chegado “a um ‘beco sem saída’”. Na carta, assinada a 21 de maio e publicada dia 4 de junho, em várias línguas, o cardeal refere-se a “investigações” e “perícias” realizadas nos últimos dez anos que revelam “erros pessoais e administrativos”. E assume a sua “corresponsabilidade” e “concomitância da culpa da instituição pela catástrofe dos abusos sexuais perpetrados pelos representantes da Igreja nas últimas décadas”.

Um comunicado da arquidiocese alemã, publicado no site oficial, informa que o Papa autorizou a publicação da carta “e que o purpurado continua o seu serviço episcopal até que uma decisão seja tomada”.

 

5. O Papa Francisco dedica a sua intenção de oração do mês de junho à beleza do casamento, uma jornada de compromisso ao longo da vida, em que “a esposa e o esposo não estão sozinhos”, pois “Jesus os acompanha”. Na edição deste mês de ‘O Vídeo Papa’, Francisco encoraja os jovens a embarcarem nesta jornada de compromisso, pois “casar-se e compartilhar a vida é algo belo”. “Deus tem um sonho para nós, o amor, e nos pede que o façamos nosso”, refere. A intenção de oração reafirma a natureza da vocação matrimonial, que “não é apenas um ato ‘social’”, mas “nasce do coração”.


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