Juventude |
Testemunho
Viver o anonimado como José
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O meu nome é Diana Silva, tenho 23 anos, sou licenciada em Solicitadoria e trabalho como técnica auxiliar de serviço social num abrigo temporário para mulheres sem abrigo, uma resposta da Câmara Municipal de Lisboa em parceira com a AMI à emergência social COVID-19.

Porquê trabalhar numa área que não é a minha? Antes de mais, concluí a minha licenciatura em 2020, já em tempos de pandemia o que, fez com que se fechasse uma porta (dificultou a entrada na Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução) e, ao mesmo tempo, gerou esta oportunidade de explorar e trabalhar numa área que também gosto (a área social).

Desde cedo que, sendo jovem cristã, quis ser ativa na sociedade e fiz voluntariado com pessoas com diversas faixas etárias e diferentes condições de vida, o que me tornou apaixonada pelo Evangelho vivido perto dos outros.

Uma das passagens que sempre me inspirou e causou alguma indignação, talvez por não compreender na totalidade, foi o da perda e encontro do menino Jesus no templo, afinal, “Maria guardava todas estas coisas no seu coração”, mas e José? Não tem palavra? Como reagiu? Parece que, também ele toma parte no silêncio de Maria e, mais que isso, vive, de certa forma, o anonimato- o seu coração é puro!

Trabalhar neste abrigo, por vezes, é também viver esse silêncio e viver o anonimato, no sentido de não procurar reconhecimento, até porque muitas vezes, não nos é dado.

Nem sempre é simples encontrar Jesus no templo que estas senhoras são, por vezes é preciso perceber onde Se perdeu, porque é que não age como esperado, porque Se revolta connosco e, mais do que isso, qual é a necessidade d’Ele, uma vez que, tantas vezes é expressa de forma bastante diferente do que seria expectável.

Pessoalmente, gosto muito de cada uma das utentes o que não invalida que, por vezes, seja difícil lidar com uma crise, gerir os conflitos existentes quer entre utente-utente, quer entre utente-técnico. Mas a verdade é que é importante o tu-a-tu, todas elas são mulheres com histórias únicas e que, como todos nós, querem ser apreciadas, valorizadas e amadas. É essencial a compreensão, a permanência e a estabilidade, é essencial criar laços fortes, estando igualmente prontos para acolher o lado menos positivo que isso poderá ter; é, também, importante não procurar nenhum tipo de reconhecimento e ser bastante assertivo: saber quando viver o silêncio e guardar no coração, e, ao mesmo tempo, saber quando dizer “eles não têm mais vinho” (Maria, nas bodas de Caná) e incentivá-las a ver além do que se sentem capazes de ser, fazer, ou até responder.

Uma das coisas mais importantes e bonitas deste trabalho é saber que podemos ser família, ser estrutura, saber que apesar dos dias mais chuvosos, podemos sempre ser sol para alguém.

Ainda não sei se vivo de forma acertada todos os dias esta procura e este encontro de Jesus no templo, mas gosto sempre de me lembrar da imagem de uma Mãe e de um Pai que acolhem o filho após ter feito algo que, muito provavelmente, abriu uma ferida nos seus corações.

texto por Diana Silva

 

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DIA 23… em Junho

No caminho de preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, o DIA 23 deste mês tem lugar esta quarta-feira, numa transmissão online às 21h30, a partir do salão da paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica. ‘Late Night 23’ é o tema desta iniciativa organizada pelo COD Lisboa (Comité Organizador Diocesano) e pelo Serviço da Juventude de Lisboa, que tem transmissão direta nos locais habituais (Facebook do Serviço ou Facebook e YouTube do Patriarcado de Lisboa). Junta-te a nós! Apressadamente, como Nossa Senhora.

Informações: www.facebook.com/juventudelisboa

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