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“Até nos momentos mais dolorosos, nunca estamos sós”
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O Papa Francisco encerrou a série de catequeses dedicada à oração. Na semana em que sublinhou que o mundo anda “a consumir e a destruir sem vergonha o que pertence a todos”, o Papa publicou a Mensagem para o V Dia Mundial dos Pobres, considerou “uma tragédia” haver “150 milhões de crianças exploradas pelo trabalho” e desejou maior rotatividade no governo das associações de fiéis.

 

1. O Papa Francisco encerrou a série de catequeses dedicada à oração e à necessidade de cultivar a espiritualidade. O Santo Padre sublinhou que “uma das caraterísticas mais evidentes da vida de Jesus é a oração e que esta se tornou ainda mais frequente e intensa nas horas da sua paixão e morte”. Na audiência-geral de quarta-feira, 16 de junho, no Pátio São Dâmaso, no Vaticano, Francisco explicou que a dimensão filial de Jesus para com Deus, apesar do grande sofrimento daquelas horas, se manifesta “de modo muito humano, desafogando na presença do Pai a angústia do seu coração com a palavra aramaica Abbá, repleta da ternura e confiança de uma criança no seu papá”.

Para penetrar no mistério da oração, o Papa diz que “vale a pena deter-nos na chamada «Oração Sacerdotal» de Jesus no Cenáculo de Jerusalém”, porque nela está tudo concentrado: “Deus e o mundo, o Verbo e a carne, a vida eterna e o tempo, o amor que se entrega e o pecado que o atraiçoa, os discípulos presentes e os que hão de crer em Jesus pela palavra deles”.

Desde 2020, Francisco dedicou 38 catequeses semanais à oração. “O dado mais belo que podemos guardar destas catequeses, é que não só rezamos com Jesus, mas fomos acolhidos no seu diálogo com o Pai, na comunhão com o Espírito Santo” e amados de tal modo em Cristo que, “mesmo na hora da sua paixão, morte e ressurreição, tudo foi oferecido por nós”. Por isso, “até no mais doloroso dos nossos sofrimentos, nunca estamos sós”.

 

2. O Papa associou-se, com uma mensagem vídeo, à 16.ª edição do GLOBSEC Bratislava Forum, dedicado ao tema ‘Rebuild the World Back Better’. Francisco agradeceu os trabalhos desta plataforma, “tão importante para a reconstrução do mundo depois da pandemia, que obriga ao confronto com uma série de questões socioeconómicas, ecológicas e políticas graves e todas relacionadas entre si”. Neste contexto, usou o método do “ver, julgar e agir” para deixar algumas sugestões.

Para reconhecer os erros do passado, de modo sério e honesto, é necessário “corrigir o que já não funcionava antes de aparecer o coronavírus que contribuiu para agravar a crise”, diz o Papa: “Quem quer levantar-se de uma queda, deve confrontar-se com as circunstâncias da própria queda e reconhecer os elementos de responsabilidade”. Francisco também não gosta do que vê a nível ecológico, pois “habituámo-nos a consumir e a destruir sem vergonha o que pertence a todos, pondo em causa os pobres e o futuro das novas gerações”. Para ajuizar o que se passa, o Papa reafirma algumas das suas preocupações: “Uma crise obriga a escolher, para o bem ou para o mal. De uma crise, como já repeti, não se sai igual: ou se sai melhor ou se sai pior. Mas nunca igual”. Por isso, Francisco acrescenta: “Julgar o que vimos e experimentamos incentiva-nos a melhorar”.

Para não desperdiçar esta oportunidade oferecida pela crise, é urgente “agir com uma visão global e de esperança”. O Papa deixa um apelo à conversão, “sobretudo nas decisões que convertem a morte em vida, as armas em comida”. Esta conversão também não poderá esquecer “a perspetiva de uma criação entendida como casa comum, que requer ações urgentes para a proteger”.

 

3. O Papa publicou a Mensagem para o V Dia Mundial dos Pobres, onde alerta para consequências da pandemia, pede nova abordagem na luta contra a pobreza e reforça as críticas ao sistema financeiro. Na mensagem, publicada em várias línguas, pode ler-se que “os pobres não são pessoas «externas» à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento se partilha, para abrandar o seu mal e a marginalização, a fim de lhes ser devolvida a dignidade perdida e garantida a necessária inclusão social”. Francisco distingue entre “um gesto de beneficência, que pressupõe um benfeitor e um beneficiado” e a partilha que gera fraternidade. “A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura. A primeira corre o risco de gratificar quem a dá e humilhar quem a recebe, enquanto a segunda reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça”, referiu.

O texto valoriza “muitos exemplos de Santos e Santas que fizeram da partilha com os pobres o seu projeto de vida” e aponta como modelo dos nossos tempos o padre Damião de Veuster, apóstolo dos leprosos. Este santo belga foi viver com os leprosos para a ilha de Molokai, “fez-se médico e enfermeiro, sem se preocupar com os riscos que corria, levando a luz do amor àquela «colónia de morte», como era designada a ilha” e acabou por morrer contagiado com lepra. “O seu testemunho é muito atual nestes nossos dias, marcados pela pandemia de coronavírus”, acrescenta o Papa, certo de que “a graça de Deus continua em ação no coração de muitas pessoas que, sem dar nas vistas, se gastam concretamente partilhando a sorte dos mais pobres”.

 

4. O Papa Francisco considera o trabalho infantil como “uma escravidão dos nossos tempos” que é urgente eliminar. No final do Angelus de Domingo, 13 de junho, Francisco referiu, a propósito do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil que “não é possível fechar os olhos à exploração das crianças, privadas do direito de brincar, de estudar e de sonhar”. O Papa citou as estimativas da Organização Internacional do Trabalho que referem haver mais de 150 milhões de crianças exploradas. “É uma tragédia, é mais ou menos como todos os habitantes de Espanha, da França e de Itália juntos. Isto acontece hoje!”, lamentou.

Francisco também se mostrou preocupado com a fome na região do Tigrai, na Etiópia, atingida por “uma grave crise humanitária, que expõe os mais pobres à fome”, e pediu orações.

 

5. Para evitar personalismos e abusos, o Papa aprovou um decreto que regulamenta a duração e o número de mandatos de governo nas associações internacionais de fiéis. O documento, promulgado a 11 de junho, é vinculativo para todas as associações de fiéis e tem como objetivo “promover uma rotação saudável” nos cargos de governo, para que a autoridade seja exercida “como um autêntico serviço que se articula em comunhão eclesial”. O decreto estabelece que, a partir de agora, “os mandatos no órgão central de governo a nível internacional, podem ter a duração máxima de cinco anos” e que a mesma pessoa pode cumprir um cargo nesse órgão “por um período máximo de dez anos”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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