Domingo |
À procura da Palavra
A verdade inesperada
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DOMINGO XIV COMUM Ano B

«Um profeta só é desprezado na sua terra,

entre os seus parentes e em sua casa».

Mc 6, 4

 

Um polígrafo é o nome dado a uma máquina de detectar mentiras. Graças às inúmeras redes de comunicação, à rapidez com que se produzem conteúdos, à multiplicação das fontes, ao aumento de “notícias falsas” que se espalham como verdadeiras, este é um instrumento precioso. Principalmente porque a desistência de pensar de muitos, o bombardeamento de distrações constantes, e a “selfização” de todos os momentos para “partilhar” com “sabe-se lá quem”, não deixam lugar ao gosto da verdade. Será que o medo de exprimir pensamento próprio e levantar questões não domina muitos dos espaços privados e públicos? E assim a inteligência e a consciência não correrão o risco de ficar “raquíticas”?


Muitas eram as expectativas em torno do Messias de Israel. A maior parte delas construída em torno de ideias de “poder, domínio e realeza” que estabeleceriam o domínio próprio de uma grande nação e prolongariam o estatuto hierárquico dos mais fortes, dos mais ricos, e dos mais religiosos. Alguns lembravam-se que estava escrito que o messias seria também para os pobres, curaria os doentes, libertaria os oprimidos e iria fazer um mundo novo. Mas um mundo novo com critérios de igualdade e fraternidade nunca agradaria aos que se julgam mais do que os outros! Naquele e em todos os tempos!


Jesus foi à sua terra, onde tinha crescido como outros meninos da sua idade. Já o rodeava uma fama considerável e muitos ouvem a sabedoria das suas palavras. Ficam admirados e fazem as perguntas fundamentais: “Donde lhe vem tudo isso?”. Mas não aprofundam. Desistem da verdade, pois isso implica porem-se em questão, abrirem-se ao Deus inesperado que interpela a renovar a vida. É mais fácil agarrarem-se às “verdades” que conhecem, às justificações da “terra” em vez de abraçar a novidade do “Céu” que Jesus lhes traz. Recusam a ousadia da fé e a coragem de se maravilharem. Acobardam-se na estreiteza do pensamento e do coração, tão própria de quem se julga dono da verdade. Não há milagres para quem recusa abrir-se à grandeza de Deus!


Sempre os verdadeiros profetas desacomodaram. Suportamos mal a correcção e o “abre-olhos” das suas palavras. Sobretudo se nos chegam de quem é mais próximo. É difícil acolher uma palavra que abala as nossas certezas, agita os nossos hábitos e, sobretudo, denuncia a autossatisfação secreta que nos protege. Será que nos damos conta que todos participamos da missão profética de Jesus pelo Baptismo? Como cultivamos este serviço de misericórdia na “terra” que é a nossa, e o acolhemos de tantos conhecidos e amigos? Que milagres inesperados pode Jesus realizar connosco no meio de nós?

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