Lisboa |
I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos
“Acompanhamento e diálogo intergeracional entre avós e netos, entre jovens e idosos”
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O presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, D. Joaquim Mendes, deseja que o I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que se celebra este Domingo (25 de julho), possa “desencadear processos de proximidade” e deixa sugestões concretas para viver esta “jornada de ternura”. Jornal VOZ DA VERDADE dá a conhecer a ‘jovem’ avó Júlia Costa, de 54 anos, que participou na JMJ Madrid 2011 e que agora procura colocar o ‘bichinho’ das Jornadas nos três netos.

 

O I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos deve ser “uma jornada de festa, de alegria, de proximidade e convívio entre avós e netos, entre jovens e idosos”. É este o desejo do presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF). “É fundamental o contacto, a relação, a proximidade. Que a experiência deste I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos possa desencadear processos de proximidade, de acompanhamento e diálogo intergeracional entre jovens e idosos e que a sabedoria e a riqueza dos anos ajudem os jovens a contruir um futuro com raízes”, assinala D. Joaquim Mendes, que é também Bispo Auxiliar de Lisboa, em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Sublinhando a necessidade de “observar as regras sanitárias” devido à pandemia, o prelado reforça que “todos” temos necessidade de “proximidade e convívio”, principalmente “os avós e os idosos, que, no período de pandemia, passaram por experiências de isolamento, de sofrimento”. “Que na pastoral, cada uma das nossas comunidades considere os idosos não como clientes ou utentes dos nossos serviços sociais, mas também eles protagonistas dos nossos programas pastorais, valorizando o seu contributo, a sua espiritualidade. Colocar os avós e os idosos no centro e acolher o contributo da sua presença, da sua sabedoria”, ambiciona o presidente da CELF.

 

Uma jornada de ternura

O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos foi instituído, a 31 de janeiro último, pelo Papa Francisco, para ter lugar no quarto Domingo de julho, nas proximidades da festa litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus Cristo, comemorada em 26 de julho. A primeira edição deste Dia tem lugar este Domingo, dia 25, e tem como tema ‘Eu estou contigo todos os dias’ (cf. Mt 28, 20). “O Papa deseja que esta seja uma jornada de ternura, que os avós e os idosos possam sentir a proximidade, o acompanhamento, o ‘estou contigo todos os dias’ que o Senhor nos assegura, sendo sinais e portadores do seu amor, da sua ternura”, explica D. Joaquim Mendes.

O responsável por este órgão da Conferência Episcopal Portuguesa sublinha ainda que, “segundo o Papa, o futuro do mundo está na aliança entre os jovens e os idosos”, e deixa exemplos concretos de como pode ser vivido, por cada pessoa e por cada comunidade cristã, este I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. “O Papa Francisco deseja que cada avô, cada avó, cada idoso – especialmente os que estão sozinhos, recebam a visita de um anjo, como aconteceu com São Joaquim e Santa Ana. Concretamente, é pedido aos jovens que visitem os avós e os idosos, que se for possível os acompanhem à Eucaristia. Que convidem e acompanhem os idosos que estão em lares próximos de um local e tenham alguma mobilidade ou transporte a participarem na celebração dominical. Que os acompanhem a um passeio pelo parque e, numa esplanada, lanchem com eles, conversem com eles, os escutem e lhe manifestem ternura, como os jovens sabem bem fazer. Que nas igrejas catedrais e paroquiais se promova uma celebração dedicada aos avós e aos idosos, com presença pessoal e/ou virtual, e se faça memória dos que morreram durante a pandemia”, aponta D. Joaquim Mendes.

 

Avós como espaço de escuta

Júlia Costa é uma ‘jovem’ avó da paróquia da Amadora. Com 54 anos, tem já três netos – o Martim, de 15 anos, Filipe, com 14, e Francisca, de 7 – da sua única filha, Raquel, de 33 anos, e diz acreditar que ser avó no século XXI, “e ser uma avó jovem”, é “desafiante” e tem uma função que é “ser espaço de escuta”. “Os pais – ainda para mais com três filhos –, vivem sempre muito em corrida e os avós podem prestar este papel: ser um lugar de escuta, de paciência”, frisa esta avó, ao Jornal VOZ DA VERDADE, acrescentando que “ser avó é muito bom, porque não tem aquela carga educativa que o pai e a mãe têm”.

Júlia Costa está ainda na vida ativa, o que, em seu entender, afeta o tempo de relacionamento com os netos. “É muito bom ser avó jovem! Por outro lado, também me falta aquela parte do ser avó reformada e poder estar mais tempo com os meus netos. Ainda estou em atividade profissional, o que me impede de poder estar com eles e poder tomar conta deles. No fundo, fazer aquele papel ‘completo’ de avó”, explica.

Esta avó assume que a filha e o genro “não vivem a fé de uma forma praticante”, os netos rapazes já estiveram na catequese, mas agora “estão um pouco mais desligados”, e que a neta Francisca “começou agora as catequeses”. Por isso, ganha relevância o testemunho que Júlia dá ao viver a sua fé em Igreja. “O meu papel enquanto avó e enquanto testemunho, a forma como vivo a fé e estou ligada à Igreja, de certa forma faz com que eles tenham muita curiosidade e perguntem muitas coisas. Sou, de certa maneira, uma referência na fé, o que me leva também a ser mais cuidadosa na minha forma de estar em Igreja, porque os tenho a olhar para mim. Sabendo que é algo importante para mim e que é bom, quero que também eles, de alguma maneira, se sintam chamados a participar de uma forma ativa na vida cristã e na paróquia”, deseja.

 

Acolher jovens em casa

Júlia faz parte da equipa de coordenação da comunidade juvenil da paróquia da Amadora, é animadora de um grupo de jovens e participou na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Madrid 2011. “Curiosamente, participei apenas numa Jornada. Costumo dizer que já ‘estive’ em muitas Jornadas, em quase todas, porque encaminhei muitos jovens, na preparação. Tive depois a graça de poder participar na Jornada de Madrid, porque foi oportuno, porque fazia parte da equipa de coordenação da comunidade juvenil e como era aqui perto de Lisboa conseguimos levar um grupo de quase 60 jovens. Foi muito bom”, partilha.

Para a JMJ de Lisboa, em 2023, Júlia Costa diz esperar “acolher alguns jovens em casa”. “Mesmo que não participe em mais nenhuma, já fiz a experiência e foi muito bom, intenso e desafiante”, frisa, sublinhando ter atualmente a missão de lançar o ‘bichinho’ das Jornadas aos netos. “Quando comecei a falar do assunto e a dizer que iria receber jovens aqui em casa, eles ficaram muito espantados. Eu conto-lhes que quando participei na Jornada de Madrid fiquei num pavilhão, mas que é sempre muito melhor quando ficamos em casa de famílias. Este ‘bichinho’ da JMJ em Portugal começou a mexer com eles, até por culpa desta entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, porque tive de ir buscar as coisas da JMJ Madrid 2011 para tirarmos a fotografia e pude conversar com eles sobre a Jornada. Portanto, o processo começou já a acontecer e gostava muito que eles participassem, ou pelo menos me ajudassem a fazer com que acontecesse, para alguns jovens, um bom momento aqui no nosso país”, deseja esta ‘jovem’ avó.

 

Um Dia “maravilhoso”

Sobre a criação do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, Júlia Costa diz que “o Papa Francisco é maravilhoso”. “Em tudo o que diz, na forma como chega às pessoas e tudo aquilo que tem acontecido no seu pontificado tem sido marcante para o mundo em geral e não só para a Igreja. Aquilo que eu vejo é uma atenção muito especial aos anciãos, que muitas vezes são colocados à margem e à parte da vida das famílias. Com este Dia, o Papa Francisco chama a atenção do mundo para os avós, para o papel essencial que os avós têm, pela ajuda que prestam, pela forma de estar, devido à sua idade e pela experiência de vida que têm. Acho maravilhoso aquilo que o Papa fez”, observa a ‘jovem’ avó Júlia Costa.

 

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“Toda a Igreja está solidária contigo e não quer deixar-te abandonado”

Numa mensagem vídeo para assinalar o I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, o Papa repetiu aos mais velhos a promessa de Jesus aos discípulos ‘Eu estou contigo todos os dias’, que serve de tema a este Dia. “Palavras que também eu, Bispo de Roma e idoso como tu, gostaria de te dirigir: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, connosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado”, garantiu Francisco.

O Papa reconhece que esta mensagem surge num tempo difícil, em que “a pandemia foi uma tempestade inesperada e furiosa, uma dura provação que se abateu sobre a vida de cada um”, em que muitos “adoeceram, partiram, viram apagar-se a vida do seu cônjuge ou dos próprios entes queridos, e tantos – demasiados – viram-se forçados à solidão por um tempo muito longo, isolados”. No entanto, Francisco também fala de esperança e “mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão repetindo-nos: «Eu estou contigo todos os dias». Di-lo a ti, di-lo a mim, a todos”. É este “o sentido deste Dia Mundial que eu quis celebrado pela primeira vez precisamente neste ano, depois de um longo isolamento e com uma retomada ainda lenta da vida social: oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem de entre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo!”, que “poderá ter o rosto dos netos, dos familiares, dos amigos de longa data ou conhecidos”, continuou. “Neste período, aprendemos a entender como são importantes, para cada um de nós, os abraços e as visitas, e muito me entristece o facto de as mesmas não serem ainda possíveis em alguns lugares”, salientou o Papa.

 

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Fazer Missão pelos Avós e Idosos

A organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 convidou “cada jovem” a “fazer missão onde quer que esteja”, por ocasião do I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, convocado pelo Papa Francisco. Este “grande movimento nacional” pretende “juntar os jovens aos mais idosos”, no fim-de-semana de 24 e 25 de julho. “O convite é, onde quer que estejamos, olhar e cuidar dos avós e dos mais velhos, seguindo precisamente o apelo do Papa Francisco do encontro de gerações”, desafia o COL (Comité Organizador Local) da JMJ Lisboa 2023.

Para “dar visibilidade” a esta iniciativa, é pedido a cada jovem que vista a t-shirt da JMJ. “Concretiza o desafio do Papa Francisco e faz-te próximo dos mais velhos. Telefona aos teus avós, conversa à janela com um vizinho mais velho que se encontre sozinho, vai às compras por um idoso que não tenha a família por perto, colabora com o centro de dia da tua paróquia. As possibilidades são inúmeras: convidamos-te a que, olhando para a realidade em que vives, faças aí diferença”, exemplifica a nota, desafiando os jovens a partilhar o momento, através de uma fotografia ou vídeo, nas redes sociais, utilizando os hashtags #Lisboa2023 e #Iamwithyoualways.

Informações: www.lisboa2023.org/pt

 

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Corrente ‘Queridos Avós’

Um grupo de famílias do Movimento Apostólico de Schoenstatt na Diocese de Lisboa lançou a corrente ‘Queridos Avós’, para “entusiasmar cada família de Lisboa, e oxalá de Portugal, a agarrar este dia com os seus Avós, sejam de sangue, sejam de coração”. “O desafio é festejar o dia dos avós em família, a 25 de julho, num ABRAÇO que se expressa pelo amor, carinho, cuidado e por palavras que iluminam. Propomos que cada família organize o seu picnic, o seu encontro, as suas brincadeiras e jogos para marcar este dia dos QUERIDOS AVÓS!”, indica um comunicado, reforçando: “Famílias, vamos agarrar este dia! Que nenhuma família deixe de festejar os seus avós e de lhes mostrar como precisam deles!”.

Informações: https://queridosavos.pt

texto por Diogo Paiva Brandão
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