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“Viver com maior consciência o grande dom recebido no batismo”
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O Papa Francisco reforçou a importância de saber a data do batismo. Nesta semana, líderes religiosos assinaram a mensagem conjunta para a Proteção da Criação, o Vaticano divulgou os documentos preparatórios do Sínodo dos Bispos, o Papa pediu aos países para acolherem a população afegã e lamentou que a pandemia tenha semeado a desolação.

 

1. O Papa Francisco deu continuidade às catequeses sobre a Carta aos Gálatas, alertando para “as diferenças e os contrastes que criam separação” e que “não deveriam existir entre os fiéis em Cristo”. “Pelo contrário, a nossa vocação é tornar concreto e evidente o chamamento à unidade de toda a raça humana”, lembrou, na audiência-geral de quarta-feira, 8 de setembro.

Segundo o Papa, os cristãos dão por certa esta realidade de ser filhos de Deus, mas “é bom recordar sempre com gratidão o momento em que nos tornamos tais, o do nosso batismo, para viver com maior consciência o grande dom recebido”. Neste sentido, como já fez em diversas ocasiões, Francisco reforçou a importância de saber a data do batismo e recordar esse dia todos os anos. “Se hoje eu perguntasse quem de vocês sabe a data do batismo, creio que poucos levantariam a mão”, brincou Francisco, recomendando que os fiéis celebrem esta memória.

Depois, o Papa lembrou que, nas suas Cartas, São Paulo refere-se várias vezes ao batismo, e explicou que, para o apóstolo, “ser batizado equivale a participar de modo efetivo e real no mistério de Jesus”. “Portanto, não é apenas um rito externo. Aqueles que o recebem são transformados nas profundezas do seu ser, no seu íntimo, e possuem uma nova existência, precisamente a vida que lhes permite dirigir-se a Deus e invocá-lo com o nome de ‘Aba, Pai’”, apontou. Francisco define como audaciosas, chocantes e revolucionárias as afirmações do apóstolo na época, pois, através do batismo, a filiação divina prevalece sobre as diferenças culturais, sociais e religiosas: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher”.

 

2. O Papa Francisco, o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, e o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, assinaram uma mensagem conjunta para a Proteção da Criação, indicou a Sala de Imprensa da Santa Sé. “Ninguém está seguro até que todos estejam seguros. As nossas ações realmente influenciam umas às outras, e o que fazemos hoje influencia o que acontecerá amanhã”, lê-se no texto, divulgado esta terça-feira, 7 de setembro. A mensagem convida a considerar a calamidade mundial como uma oportunidade que “não se pode desperdiçar”. “Devemos decidir que tipo de mundo queremos deixar para as gerações futuras. Devemos escolher viver de forma diferente; devemos escolher a vida”, escrevem.

Os três líderes religiosos lembram que se maximizam os interesses do presente “às custas das gerações futuras” e apontam que, se por um lado, a tecnologia abriu novas possibilidades de progresso, por outro, induziu a “acumular riquezas desenfreadas” com pouca preocupação com as outras pessoas ou com os limites do planeta. “A natureza é resistente, mas delicada. Temos a oportunidade de nos arrepender, de voltar atrás com decisão”, pode ler-se.

Na mensagem conjunta dos três líderes cristãos destaca-se o pedido de “colaboração cada vez mais estreito entre todas as Igrejas no seu compromisso com o cuidado da criação”.

 

3. A Santa Sé publicou, no passado dia 7, dois documentos com vista à preparação do Sínodo dos Bispos, que vai decorrer em outubro de 2023. Trata-se do Documento Preparatório intitulado ‘Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão’ e do Vade-mécum que fornecem indicações e sugestões sobre o processo de escuta e discernimento, que as Igrejas locais farão após a abertura da fase inicial do Sínodo no dia 9 de outubro, pelo Papa Francisco, em Roma, e no dia 17 de outubro, nas Igrejas particulares.

Na base das duas publicações há uma questão fundamental: “Como é que este ‘caminhar juntos’ se realiza hoje em diferentes níveis (do local ao universal) que permite à Igreja de anunciar o Evangelho, de acordo com a missão que lhe foi confiada? Que passos o Espírito nos convida a dar para crescermos como Igreja sinodal?”, refere o Vaticano.

 

4. O Papa Francisco lembrou a população afegã e reafirmou a sua oração para os que procuram “refúgio” e para os “mais vulneráveis”, pedindo aos países que “acolham e protejam uma nova vida”. “Rezo para que os países acolham e protejam quem procura uma nova vida. Rezo pelos deslocados internos para que recebam a assistência e proteção necessária. Possam os jovens afegãos receber as instruções, bens essenciais para o desenvolvimento humano e possam, todos os afegãos, seja na pátria, em trânsito ou nos países de acolhimento, viver com dignidade, em paz e fraternidade com os seus vizinhos”, afirmou o Papa, depois da oração do Angelus, no Vaticano.

Nas palavras que dirigiu aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no passado Domingo, 5 de setembro, o Papa lembrou ainda as populações afetadas pelo furacão Ida, que provocou cerca de 50 vítimas mortais. “Rezo pelas populações do Estados Unidos da América que foram afetadas pelo furacão. Que o Senhor acolha os defuntos e sustente quantos sofrem esta calamidade”, pediu.

A oração do Angelus foi antecedida por uma reflexão sobre a escuta, que o Papa Francisco quis dirigir às famílias e a todas as pessoas, em especial aos sacerdotes. “Vamos pensar sobre a vida familiar: quantas vezes você fala sem primeiro ouvir, repetindo os seus próprios refrões, que são sempre os mesmos. Incapaz de escutar, nós dizemos sempre as mesmas coisas. O renascimento de um diálogo muitas vezes passa não por palavras, mas pelo silêncio; recomeçar com paciência para ouvir o outro, os seus trabalhos, o que ele carrega dentro. A cura do coração começa com a escuta”, sublinhou.

 

5. O Papa Francisco lamentou que a pandemia de covid-19 tenha semeado desolação. “Lamentavelmente, a pandemia ainda não foi superada nem as suas consequências económicas e sociais, sobretudo para a vida dos mais pobres que são graves”, observou, sublinhando que não só “empobreceu numerosas famílias”, como “semeou desolação e aumentou as tensões”. “Face ao agravamento de múltiplas crises políticas e ambientais convergentes”, como a fome, a crise climática ou o problema das armas nucleares, o compromisso social e político “com a paz nunca foi tão necessário e urgente”, frisou o Papa, no dia 4 de setembro, numa audiência com a fundação ‘Líderes para a Paz’, criada pelo antigo primeiro-ministro francês Jean-Pierre Raffarin.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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