Lisboa |
Ordenações de diáconos permanentes, nos Jerónimos
“Caminho sinodal é caminho pascal”
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Na ordenação de quatro diáconos permanentes, o Cardeal-Patriarca de Lisboa apelou à participação no processo sinodal convocado pelo Papa Francisco e pediu aos novos ministros ordenados para ajudarem o povo de Deus a “concentrar-se na Cruz do Senhor”. “Que ela seja a razão fundamental dos vossos gestos e palavras”, pediu.

 

Na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, o Cardeal-Patriarca dirigiu-se aos novos ministros ordenados para lhes pedir para serem “na Igreja e no mundo sinais evidentes e mobilizadores da vida ganha quando se entrega, para louvor de Deus e bem de todos”. “Aliás, chegais hoje e aqui porque em cada um de vós foi reconhecida esta boa propensão, que a graça divina suscita e mantém”, prosseguiu. Dessa forma, será manifestada “a prevalência da caridade de Cristo, na Igreja e para o mundo”, assegurou. “Caridade que vale por si e há de preencher tudo o mais. Com o vosso ministério manifestareis, pela simplicidade da atitude e a prontidão do serviço, que tudo o que a Igreja tem para transmitir em catequese, celebrar em liturgia e oferecer em caridade é a vida de Cristo”, resumiu D. Manuel Clemente.

Nesta celebração, que decorreu na tarde do passado Domingo, 12 de setembro, e que foi transmitida em direto pelo site e redes sociais do Patriarcado, o Cardeal-Patriarca de Lisboa ordenou quatro diáconos permanentes: António Hipólito, 62 anos, da paróquia de Alcabideche; Diogo Clemente, 65 anos, da paróquia de Fanhões; Nuno Jorge Andrade, 44 anos, da paróquia da Lapa; e Samuel Sanches, 63 anos, da paróquia de Alcabideche. Por último, na sua homilia, o Cardeal-Patriarca convidou os novos diáconos a que, durante o “caminho sinodal que percorremos”, ajudem “os irmãos e irmãs das comunidades que servirdes a concentrarem-se na Cruz do Senhor, dando a esta o maior relevo catequético e litúrgico, para que nada a ofusque, visualmente sequer”. “Que ela seja a razão fundamental dos vossos gestos e palavras. Que ela seja também o critério do que rezardes ou decidirdes pessoalmente e com os outros, pois tudo há de ser iluminado pela luz que só dela irradia”, garantiu D. Manuel Clemente, alertando ainda para distrações que podem surgir no caminho: “O mais vale o que vale, mas sempre e só em relação ao caminho que Jesus culminou no Calvário, para daí mesmo transbordar imenso, por todo o espaço e tempo. Não vos fiqueis por menos, nem demoreis a vida, própria e alheia. O ponto final é o que Cristo alcançou, o caminho para lá chegar é o que Ele percorreu, elevando tudo e todos ao nível em que Jesus sempre se manteve e nos requer a nós. Caminho sinodal é caminho pascal”.

 

Aprofundar a realidade sinodal

No Mosteiro dos Jerónimos, o Cardeal-Patriarca pediu também aos cristãos para afirmarem Jesus Cristo, através de uma vida cristã “pascalmente traduzida e operada, tanto na orientação geral das coisas como nos gestos concretos do mais corrente dia a dia”. “Na família, na profissão, na Igreja, só poderá ser assim, para ser substantivamente cristão”, assegurou D. Manuel Clemente, enaltecendo a importância da sinodalidade e, em particular, o caminho sinodal percorrido pelo Patriarcado, desde 2016. “No caminho sinodal que durante sete anos prosseguimos na diocese de Lisboa, acentuámos a proeminência da Palavra que é Cristo, da Liturgia que nos inclui na sua vida e da Caridade que o seu Espírito infunde nos nossos corações. Muitos encontros realizámos, indo mesmo além dos rostos e dos locais já conhecidos. Ficámos certamente mais convictos de que só em conjunto e com responsabilidade compartilhada podemos seguir a Cristo, que tanto anunciou o Reino como nos recriou em Igreja – único modo de aprendermos o que é o próprio Deus, uno e trino”, resumiu o Cardeal-Patriarca.

Apontando ao próximo Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023, convocado pelo Papa Francisco, para “aprofundar a realidade sinodal”, o Cardeal-Patriarca mostrou-se convicto da participação da diocese “neste caminho” que tem, entre 17 de outubro de 2021 e abril de 2022, a “fase sinodal diocesana” e que pressupõe a auscultação às Igrejas locais. “Participaremos convictamente neste caminho, tanto mais que já o trilhamos aqui, de alguns anos a esta parte. Também com a sinodalidade própria e peculiar da Igreja de Cristo”, garantiu D. Manuel Clemente, salientando que “um caminho de Igreja percorre-se entre os caminhos de toda a gente, mas a outro nível, como Jesus sempre o colocou. (...) O que Jesus oferece ao mundo é a sua resolução a partir de Deus, como o demonstrou na vitória final da cruz”, referiu. “Assim mesmo, a relação Igreja – Mundo não é a redução da Igreja ao Mundo, mas a sinalização do que este há de ser finalmente, na Páscoa de Cristo e nossa. Isto mesmo aprofundamos conjuntamente, no caminho sinodal que é o da Igreja”, reforçou.

 

Fotos da celebração em: www.flickr.com/patriarcadodelisboa

 

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“Há caminho por percorrer na compreensão deste ministério”

Os primeiros diáconos permanentes no Patriarcado de Lisboa foram ordenados em 1987. Eram sete. A partir do último Domingo, são agora 94. Na opinião do delegado e coordenador do Diaconado Permanente no Patriarcado de Lisboa, “isto quer dizer que bastante caminho foi feito, embora muito mais haja ainda por percorrer, sobretudo na compreensão deste ministério a partir daquilo que lhe é próprio e específico, e não olhando o diácono como uma espécie de ‘mini-padre’ ou de ‘super-sacristão’”. Para o diácono Duarte João Ayres d’Oliveira, estes cooperadores do Bispo e do presbítero devem ser, “sobretudo pela sua condição no mundo, que decorre da sua situação familiar e profissional”, a “presença qualificada da Igreja” que transporta “a luz e a esperança da Palavra de Deus, a força e a graça da Liturgia e o serviço humilde, atento e amoroso da Caridade”.

Ordenado em 2004, o diácono Duarte João apresenta este ministério como uma oportunidade para “viver com simplicidade e naturalidade a vida de cada dia nas suas diversas vertentes – pessoal, familiar, social, profissional, eclesial – mas fazendo-o com aquela mesma consciência que São Paulo tinha quando afirmava: ‘Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim’ (Gal 2,20)”. “Tenho de procurar ser, com a ajuda da Graça, um testemunho de atenção ao outro, de proximidade, de disponibilidade, de humildade e de serviço que se torne encarnação e prolongamento do amor de Jesus Cristo pela sua Igreja, sobretudo pelos mais frágeis e desprotegidos”, assegura este ministro ordenado, alertando também para a importância de se “estabelecer uma profunda relação de comunhão com os Bispos e os presbíteros”. “Diáconos ‘por conta própria’ é algo que não pode existir”, assegura.

As ordenações diaconais de Domingo, à semelhança do que aconteceu há um ano, realizaram-se no início do ano pastoral e separadas das ordenações presbiterais. Segundo o diácono Duarte João, este facto “concorre para que, em cada uma das celebrações, se acentue e sublinhe melhor o respetivo carácter ‘presbiteral’ e ‘diaconal’”. Na prática, também contribui para “celebrações menos longas e mais facilitadoras de uma maior e melhor participação do povo de Deus”, verifica. Por último, ao realizar-se a ordenação diaconal no XXIV Domingo do Tempo Comum “não compromete a inserção e o envolvimento dos recém-ordenados no ano pastoral que se inicia”, observa.

texto e fotos por Filipe Teixeira
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