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“Quando a Igreja pára, adoece”
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O Papa Francisco visitou a Eslováquia, convidando a “não esquecer” que “não se pode reduzir a fé a um açúcar que adoça a vida”. Na rápida visita de algumas horas à Hungria, o Papa sublinhou que “o antissemitismo é um rastilho que deve ser apagado”, e, em Roma, ofereceu gelados aos reclusos.

 

1. O Papa Francisco visitou, ao longo de quatro dias (12 a 15 de setembro), a Eslováquia e apresentou Maria como modelo do cristão. “No logótipo desta Viagem Apostólica, há um caminho desenhado dentro dum coração encimado pela cruz: Maria é o caminho que nos introduz no coração de Cristo, que deu a vida pelo nosso amor”, salientou o Papa, aos milhares de fiéis reunidos no Santuário Nacional de Sastin, a cerca de 70 quilómetros a norte de Bratislava, que São João Paulo II visitou em 1995.

Naquela quarta-feira, a Igreja celebrava a Festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira da Eslováquia, e o Papa salientou: “Podemos olhar para Maria como modelo da fé. E, na sua fé, reconhecemos três caraterísticas: o caminho, a profecia, a compaixão. Assim, a Virgem é modelo da fé deste povo eslovaco: uma fé que se põe a caminho, sempre animada por uma devoção simples e sincera, sempre em peregrinação, à procura do Senhor. E, caminhando, venceis a tentação duma fé estática, que se satisfaça com algum rito ou tradição antiga; em vez disso, saís de vós mesmos, levais na mochila as alegrias e os sofrimentos, e fazeis da vida uma peregrinação de amor a Deus e aos irmãos. Obrigado por este testemunho! E, por favor, continuai a caminho”.

Na 34.ª viagem internacional do pontificado, Francisco advertiu ainda que “quando a Igreja pára, adoece; quando os bispos param, adoecem a Igreja; quando os padres param, adoecem o Povo de Deus”. “Não nos esqueçamos disto: não se pode reduzir a fé a um açúcar que adoça a vida”, pediu o Papa. “Quem acolhe Cristo e se abre para Ele, ressuscita; quem O rejeita, encerra-se na escuridão e arruína-se a si mesmo”, alertou.

Francisco, que antes da celebração presidiu a um momento de oração com os Bispos eslovacos, ofereceu ao Santuário Nacional de Sastina a Rosa de Ouro, uma das distinções mais importantes concedidas por um Papa.

 

2. Durante um encontro com a comunidade cigana da Eslováquia, o Papa convidou a passar ao diálogo e à integração. “Digo-vo-lo do coração – sede bem-vindos! Senti-vos sempre em casa na Igreja e nunca tenhais medo de habitar nela. Que ninguém vos afaste, a vós ou a qualquer outra pessoa, da Igreja”, declarou Francisco, no Bairro Luník IX, na cidade de Kosice. Na tarde de terça-feira, 14 de setembro, o Papa foi ao encontro da comunidade cigana. “Quantas vezes os juízos não passam realmente de preconceitos, quantas vezes adjetivamos! Deste modo desfiguramos com as palavras a beleza dos filhos de Deus, que são nossos irmãos. Não se pode reduzir a realidade do outro aos próprios modelos pré-concebidos, não se podem rotular as pessoas. Antes de mais nada, para conhecê-los verdadeiramente, é preciso reconhecê-los: reconhecer que cada um traz em si a beleza incancelável de filho de Deus, no qual se espelha o Criador”, lembrou.

Francisco encontrou-se depois com milhares de jovens eslovacos. “Deus nunca Se envergonha de ti, perdoa sempre”, garantiu, no Estádio Lokomotiva. E quando alguém se sentir em baixo, “há um remédio infalível para erguer-se”: a confissão, convidou. O dia tinha começado com o Papa a celebrar em Presov, perto de Kosice, uma Divina Liturgia em rito bizantino, usado pela Igreja Greco-Católica da Eslováquia, que tem forte presença no leste daquele país, e a recordar que muitos católicos bizantinos foram perseguidos ou deram mesmo a vida por amor a Cristo.

 

3. Na segunda-feira, 13 de setembro, Francisco encontrou-se com a comunidade judaica de Bratislava. “Queridos irmãos e irmãs, a vossa história é a nossa história, os vossos sofrimentos são os nossos sofrimentos. Ajudemo-nos nisto, porque também hoje não faltam ídolos vãos e falsos que desonram o nome do Altíssimo. São os ídolos do poder e do dinheiro que prevalecem sobre a dignidade do homem, da indiferença que volta o olhar para o outro lado, das manipulações que instrumentalizam a religião, tornando-a uma questão de supremacia ou então reduzindo-a à irrelevância”, declarou o Santo Padre. Antes, num encontro com os bispos, padres, religiosos e seminaristas da Eslováquia, o Papa desafiou a Europa a criar “novos alfabetos” para evangelizar as novas gerações.

No Domingo, dia 12, na chegada à Eslováquia, o Papa Francisco alertou, em declarações ao Conselho Ecuménico das Igrejas na República Eslovaca, que “só estando do lado dos mais fracos poderemos sair verdadeiramente todos da pandemia”.

 

4. Presente na Hungria no passado dia 12 de setembro, para presidir à Missa de encerramento do 52.º Congresso Eucarístico Internacional [ver pág.06 deste jornal], o Papa teve um encontro privado, antes da celebração, com o presidente húngaro, Janos Ader, e com o primeiro-ministro, Viktor Orban, que decorreu no Museu de Belas Artes de Budapeste. Segundo um comunicado da Santa Sé, “entre os vários temas tratados” esteve “o papel da Igreja no país, o esforço com a preservação do meio ambiente, a defesa e promoção da família”.

No mesmo local, Francisco encontrou-se depois com os Bispos da Hungria – a quem pediu para construir pontes e difundir a alegria do Evangelho –, e depois com os representantes do Conselho Ecuménico das Igrejas e algumas comunidades judaicas da Hungria, apelando à integração e à educação para a fraternidade. “Sempre que houve a tentação de absorver o outro, em vez de construir, destruiu-se; e o mesmo se verificou quando se quis colocá-lo num gueto, em vez de o integrar. Quantas vezes aconteceu isto na história! Devemos estar vigilantes e rezar para que não volte a suceder. Devemos empenhar-nos em promover juntos uma educação para a fraternidade, a fim de que não prevaleçam os surtos de ódio que a querem destruir. Penso na ameaça do antissemitismo, que ainda serpeja na Europa e não só; é um rastilho que deve ser apagado”, sublinhou Francisco, reforçando que “a melhor forma de neutralizar” o antissemitismo “é trabalhar positivamente juntos, é promover a fraternidade”.

 

5. O Papa ofereceu 15 mil gelados aos reclusos de Roma, naquele que é um dos verões mais quentes já registados em Itália. Os gelados foram entregues pelo cardeal polaco Konrad Krajewski nas prisões Regina Coeli, no centro da capital, e Rebibbia, na periferia. De acordo com um comunicado do Vaticano, o projeto contou com a colaboração de vários voluntários comprometidos na vivência de duas das sete obras de misericórdia: a visita os presos e o consolo daqueles que necessitam. A doação foi um dos vários “pequenos gestos” para “ajudar a dar esperança a milhares de reclusos das cadeias de Roma”, lê-se no comunicado.

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