Lisboa |
Assembleia Vicarial de Catequistas, em Torres Vedras
“Catequese desafia a um encontro cada vez maior com o Senhor”
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O Sector da Catequese de Lisboa está a assinalar o início do ano pastoral com a Assembleias de Catequistas nas vigararias. No Centro Pastoral de Torres Vedras, o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Daniel Henriques alertou os catequistas para “quatro tentações possíveis”, que são também “desafios” à própria catequese. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, a irmã Isabel Martins, deste sector, apresenta a formação ‘Ser Catequista’ e destaca a mobilização destes agentes pastorais para estes encontros.

 

Perante uma plateia com mais de 160 catequistas da Vigararia de Torres Vedras, D. Daniel Henriques partilhou a sua experiência a dar catequese (ver caixa), antes de entrar no seminário, e alertou depois para as “quatro tentações possíveis” na missão dos catequistas: a deserção, a usurpação, o querer colher frutos e o individualismo. “São também quatro grandes desafios, se nós estivermos vigilantes”, apontou.

Sobre a primeira tentação, a deserção, o Bispo Auxiliar de Lisboa lembrou: “Depois de um ‘sim’ generoso para dar catequese, o dizer: ‘Já chega’. Todos nós já sentimos isso, o cansaço, o desânimo, o desgaste. Temos sempre imensas razões para desertar desta messe do Senhor”. Neste sentido, “quando acontece este desânimo, deve vir o desafio da resiliência”. “Uma resiliência que não é apenas uma obstinação humana, uma teimosia humana, mas é algo que nos vem do Espírito Santo, que não nos deixa desistir. É muito importante não nos apoiarmos em nós próprios, mas no Senhor. Sempre!”, aconselhou D. Daniel.

Na segunda tentação, “da usurpação”, o Bispo Auxiliar convidou a um “serviço desapegado”. “Usurpação é de facto chamar meu ao que não é meu, e usarmos e abusarmos do pronome possessivo: o meu grupo, os meus meninos”, sublinhou, convidando: “O lugar que eu ocupo não seja um lugar usurpado ao lugar de Cristo, ao lugar do Senhor. Nós somos os amigos do Esposo. A nossa alegria deve ser que o Senhor esteja a crescer neles, no seu coração, na sua vida, e não tanto o apego que eles vão tendo ao catequista”.

Contra a tentação de querer “colher frutos”, D. Daniel Henriques deixou o desafio de “lançar a semente à terra”. “A hora de colheita não nos pertence, apenas a hora da sementeira. E esta semente não é nossa, é semente do Senhor. Os frutos não são para serem colhidos no nosso celeiro. Isto é tão importante também porque, por vezes, temos a tentação de avaliar a eficácia e a qualidade do nosso trabalho pelos frutos que nos estão à vista. Semear, semear, semear, não considerando que possa haver terrenos onde não vale a pena fazer a sementeira”, alertou, a propósito da terceira tentação.

A quarta tentação é “a do individualismo”, que traz consigo o desafio “da comunhão e da sinodalidade”. “É importante combatermos esta experiência do ‘eu’ e o ‘meu grupo’ como se fosse o meu quintal, a minha ‘paroquiazinha’. Estamos ali em nome da Igreja. É tão importante que esta caminhada aconteça uns com os outros. É bom quando os catequistas se encontram para preparar as atividades e fazer o calendário paroquial, mas que também nos encontremos para rezar juntos, para nos escutarmos mutuamente, para podermos trocar experiências”, aconselhou.

Em conclusão, nesta Assembleia Vicarial de Catequistas da Vigararia de Torres Vedras, o Bispo Auxiliar de Lisboa apontou que “o grande desafio da catequese” é “a conversão pessoal, generosa, quotidiana” dos catequistas. “Conversão que, mais do que ir corrigindo coisas erradas, é de facto este encontro cada vez maior com o Senhor, a intensidade da minha vida espiritual na oração, na confissão, na vida eucarística. Este cuidado em sermos coerentes na nossa vida moral, na nossa relação uns com os outros, na nossa inserção comunitária. Só um coração apaixonado pode suscitar uma fé apaixonada. Só anunciam as maravilhas de Deus pessoas maravilhadas com as coisas de Deus”, terminou D. Daniel Henriques.

 

Uma experiência que contagie

O início da assembleia que reuniu os catequistas da Vigararia de Torres Vedras, na manhã de sábado, 2 de outubro, começou com a apresentação do percurso inicial de formação de catequistas, intitulado ‘Ser Catequista’. Na explicação da irmã Isabel Martins, colaboradora do Sector da Catequese do Patriarcado, esta proposta “decorre da aplicação dos novos documentos –  o ‘Diretório para a Catequese’ e o documento dos nossos Bispos: ‘Catequese: A alegria do encontro com Jesus Cristo’ – e responde a uma necessidade de renovação da formação dos catequistas também para estes novos tempos que estamos a viver e em resposta aos desafios do Papa Francisco e às características da evangelização que ele aponta”. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, a religiosa salienta que esta formação decorre em modo presencial e online – nos encontros que decorrem à noite, “é um percurso de 12 catequeses que pretende proporcionar ao catequista uma experiência de encontro com Jesus, através da Palavra de Deus, que o contagie no seu modo de fazer catequese. Ou seja, que o modo de fazer catequese não resulte de uma formação muito elaborada em metodologia, mas que resulte, sobretudo, de uma experiência interior que ele faz e que transmite, ‘coração a coração, mãos a mãos, cabeça a cabeça’ – como dizia o Papa –, aos seus catequizandos, adequando a mensagem à realidade que ele encontra à frente”, refere.

A “experiência interior” que é proposta aos catequistas como ‘chave’ da sua missão distingue esta de outras formações anteriores. “É uma diferença substancial em relação ao anterior curso de iniciação, que era um curso muito centrado na apreensão de conteúdos, enquanto que este se centra muito no itinerário da pessoa, para que também ela, ao tomar consciência desse itinerário, seja capaz de acompanhar outros no seu itinerário espiritual”, reforça a irmã Isabel Martins, acrescentando que esta proposta formativa é estruturada em quatro núcleos temáticos.

A forte mobilização dos catequistas para participarem nestas Assembleias Vicariais, que tiveram início a 19 de setembro e que vão durar até dia 6 de novembro, têm sido um sinal de que estes agentes pastorais estão “motivados” para retomar o normal funcionamento que a pandemia veio parar. “De um modo geral, não há muitas paróquias a faltar, o que significa que mesmo aquelas paróquias que tiveram mais dificuldade em dar continuidade à catequese durante a pandemia estão a tentar responder e um dos objetivos principais destas assembleias é o de congregar”, enaltece a colaboradora do Sector da Catequese de Lisboa.

 

Enfrentar uma nova realidade

Presente neste encontro que decorreu na zona Oeste do Patriarcado esteve a catequista Manuela Fernandes que realça, ao Jornal VOZ DA VERDADE, a importância desta formação que “renova e desperta para uma realidade muito mais atual, muito mais presente e íntima, para com quem nós vamos estar”. “Darmos o que temos dentro sem o sentido de Jesus, não vale a pena”, considera.

Esta catequista do 3.º ano, da paróquia da Silveira, considera que é necessária uma “renovação” que ajude a perceber que crianças os catequistas vão encontrar após a pandemia. “São crianças completamente diferentes, habituadas a estar fechadas, sem convívios, com medos”, considera. “Temos que lhes mostrar que tudo isto aconteceu, mas que não podemos deixar de viver na esperança, no amor e na intimidade de coração para coração, mostrando que, sem Deus, nada é possível”, garante Manuela Fernandes.

A catequista Maria de Jesus Isidro ressalva que esta formação “é fundamental para qualquer catequista, independentemente do percurso que já possa ter feito ao longo dos anos”, porque permite adequar melhor a sua ação “à realidade atual”. “Nesta formação, vimos que temos que firmar primeiro qual é o nosso propósito enquanto catequistas. Depois disso estar bem firmado, a metodologia acaba por ser uma questão de afinação e adequada à realidade dos grupos de catequese”, considera esta catequista do 6.º ano da paróquia do Maxial.

Quando questionada sobre a motivação das crianças para o regresso à catequese presencial, Maria de Jesus Isidro considera que existe nas crianças uma “sede” e uma “vontade de estar com outras crianças, do mesmo grupo de catequese”. “A presença é sempre mais gratificante, para nós, catequistas, e para as crianças”, assegura.

 

Mais informações: www.catequese.net

 

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“Catequistas ajudam a caminhar para Deus”

Na Missa com os catequistas, que encerrou a assembleia vicarial, D. Daniel Henriques lembrou que a Igreja celebrava, naquele dia 2 de outubro, a memória dos Santos Anjos da Guarda, para sublinhar que “os Anjos são companheiros de caminho, intercessores e protetores, que ajudam a caminhar para Deus”. “De alguma forma, esta é a nossa missão. Também os catequistas são ‘anjos’, digamos assim. Temos esta missão de sermos mensageiros e levar uma mensagem de saudação, uma mensagem de vida que vem de Deus e que nos envolve. Somos chamados a anunciar esta mensagem”, recordou o Bispo Auxiliar de Lisboa.

No auditório do Centro Pastoral de Torres Vedras, o prelado pediu ainda aos catequistas para serem “testemunhas vivas do amor de Deus” por todos. “Que o Senhor nos ajude, com a intercessão dos Santos Anjos, a caminharmos na fé e a sermos estas testemunhas vivas do amor de Deus, do amor que Deus tem por cada homem, cada mulher, por cada criança, por cada adolescente, por cada jovem, e que para isso nos envolve neste mesmo amor e nos torna participantes desta missão de sermos catequistas”, referiu D. Daniel Henriques.

 

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O ‘catequisto’

No encontro com os catequistas da Vigararia de Torres Vedras, D. Daniel Henriques tinha começado por partilhar a sua experiência enquanto catequista. “Comecei a dar catequese aos 15 anos, na minha terra, em Ribamar, no concelho de Mafra. Um dia, na Missa, o senhor prior disse que não tínhamos catequista para o 1.º ano e que não iríamos poder arrancar com esse ano. Eu ouvi e sei que aquilo era dirigido a mim”, começou por contar, recordando-se que, nessa altura, tinha feito “uma descoberta”. “Os homens também podiam dar catequese! Foi uma descoberta que me deixou entusiasmado, porque nunca nenhum homem tinha dado catequese em Ribamar… Fiquei então conhecido como o ‘catequisto’, e ainda hoje, na brincadeira, me tratam por o ‘catequisto’”, contou. Ao longo desse ano, o agora Bispo Auxiliar teve “o primeiro chamamento vocacional muito forte”. “Lembro-me de ter pensado: ‘Que bom seria que toda a minha vida fosse só isto, falar de Jesus e anunciar o Evangelho’”. A verdade é que, no final desse ano de catequese, o jovem Daniel entra no seminário…

texto por Filipe Teixeira, com Diogo Paiva Brandão; fotos por Filipe Teixeira
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