Roma |
Mensagem do Papa para a Quaresma
“Prestemos atenção uns aos outros”
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“Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã!”. O alerta é deixado pelo Papa Bento XVI na Mensagem para Quaresma deste ano, publicada pela Santa Sé, na passada terça-feira, 7 de Fevereiro.

 

Com o tema ‘Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras’, a mensagem quaresmal de Bento XVI centra-se na citação bíblica da Carta aos Hebreus (Heb 10,24) onde – explica o Papa – o autor oferece “um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, reciprocidade e santidade pessoal”.

 

Ser ‘guarda’ dos irmãos

Segundo Bento XVI, “o primeiro elemento é o convite a prestar atenção”, o que significa “estarmos atentos uns aos outros, a não nos mostrarmos alheios e indiferentes ao destino dos irmãos”. Recordando que “com que frequência prevalece a atitude contrária – da indiferença e desinteresse – que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela ‘esfera privada’”, o Papa assinala que “o Senhor chama cada um a cuidar do outro”, pedindo para ser “‘guarda’ dos nossos irmãos”, estabelecendo relações “caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem”. “Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão”, refere o Papa na mensagem que dirige para a Quaresma deste ano marcado, de modo particular na Europa, pela crise económica.

Citando o Papa Paulo VI que “afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade”, Bento XVI salienta que “a atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico moral e espiritual”. “Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é ‘bom e faz o bem’”. Neste sentido, o Papa salienta que “assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem”.

 

Ter misericórdia por quem sofre

Recorrendo à parábola evangélica do bom Samaritano, onde o sacerdote e o levita passam com indiferença ao largo do homem assaltado e espancado pelos salteadores, Bento XVI observa que “a riqueza material e a saciedade” são, “com frequência”, o que impede o “olhar feito de humanidade e de carinho” pelo irmão. Do mesmo modo, aponta que também pode ser causa “o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias”. Por isso apela: “Devemos sempre ser capazes de ‘ter misericórdia’ por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre”.

 

A correcção fraterna

Nesta dinâmica da caridade que passa pelo prestar atenção ao outro, o Papa Bento XVI sugere, ainda, outro elemento a ter conta: “A correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna”. Considerando que “de forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros”, o Papa aponta que “quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos”, e que é o próprio Cristo quem “manda repreender o irmão que cometeu um pecado”. Por isso, diz: “É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem”. No entanto, para esta correcção fraterna, observa que “a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou de censura; é sempre movida pelo amor e pela misericórdia”.

 

Atenção recíproca

Nesta mensagem quaresmal, o Papa Bento XVI destaca, ainda, o “dom da reciprocidade” apontando a Igreja como lugar onde esta acontece. “Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam”. Segundo Bento XVI, “os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo”, e por isso afirma que “a nossa existência está ligada à dos outros, quer no bem quer no mal”.

Esta atenção recíproca “tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior”, e por isso o Papa refere que para nos estimularmos ao amor e às boas obras há que “caminhar juntos na santidade”. Segundo Bento XVI, a vocação à santidade é “o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo”, e “o tempo que nos é concedido na nossa vida é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus”.

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