Lisboa |
Paróquia de São Tiago de Camarate
Tornar a Igreja presente e visível nos bairros
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É uma paróquia com cinco séculos de existência e é também a única do Patriarcado de Lisboa que está confiada aos Missionários Combonianos. A paróquia de São Tiago de Camarate viveu uma Semana Missionária que anunciou Cristo nos 26 bairros desta freguesia da periferia de Lisboa.

 

Fala-se de Camarate e o pensamento leva-nos como que instintivamente para 1980 e para o acidente aéreo que vitimou o Primeiro-Ministro de então, Francisco Sá Carneiro. Mas Camarate é mais do que apenas essa lembrança. É também mais do que as notícias que por vezes de lá chegam, em especial vindas dos bairros. O padre António Alexandre da Rocha Ferreira, de 68 anos, chegou a Camarate há cerca de um ano e meio e salienta que “é preciso desmistificar o que se diz e fala de Camarate”. A Igreja está presente nesta freguesia há 500 anos e durante a Semana Missionária em Camarate quis dar a conhecer Cristo. A todos. “Quisemos levar a Igreja a estar presente nos bairros e procurámos que a comunidade cristã tomasse consciência da realidade das pessoas que fazem parte da paróquia. É muito importante a abertura da comunidade às realidades locais, para que a Igreja não seja simplesmente um centro de culto, mas um centro de missão! O Evangelho leva-nos à renovação da nossa vida, mas leva-nos também ao contacto com os outros”, sublinha ao Jornal VOZ DA VERDADE o pároco de Camarate.

 

Novas realidades

Camarate é a única paróquia do Patriarcado de Lisboa que está confiada aos Missionários Combonianos. “Em Portugal, só tivemos um trabalho paroquial, que foi em Paço de Arcos, entre os anos 60 e 80. Depois, nunca mais tivemos nenhum compromisso numa paróquia, uma vez que nos dedicámos mais à animação missionária, à formação, às vocações”. Camarate é, por isso, a primeira experiência paroquial do padre Alexandre, após ter estado 24 anos no Quénia. Chegou a Camarate acompanhado do padre Boaventura, coadjutor, e do irmão José Neto. Na chegada a Camarate, em Setembro de 2010, tudo era novo para esta equipa dos Missionários Combonianos que iria estar ao serviço da Igreja local. “Nós os três conhecíamo-nos, mas nunca tínhamos trabalhado juntos. Por isso, o nosso primeiro objectivo foi formar a nossa comunidade. Depois, não conhecíamos esta terra, muito menos a realidade social e pastoral de Camarate. Além disso, nunca tínhamos estado empenhados em trabalho pastoral cá em Portugal. Portanto, enfrentámos desde logo três novos desafios!”, recorda o padre Alexandre.

Camarate é uma freguesia com cerca de vinte mil habitantes, cujo paradigma social tem-se alterado nos últimos anos. “Esta é uma zona populosa, que mudou muito ao longo dos anos. Temos ouvido dizer que antigamente esta era uma zona de quintas, mas por volta dos anos 60, quando houve uma migração interna, muitas pessoas chegaram a Camarate vindas das beiras. Eram sobretudo pessoas que vinham trabalhar para Lisboa e que se instalavam na periferia, muitas vezes em condições de grande dificuldade, sem apoios sociais. Mas é gente laboriosa, que procurou encontrar os seus próprios caminhos para se desenvolver”. De acordo com o padre Alexandre, esta é uma zona onde ainda há bairros clandestinos. “Camarate tem 26 bairros e alguns deles, penso que a maioria, são ainda considerados ilegais. Porque as pessoas tiveram de encontrar, pelos seus próprios meios, um abrigo, uma casa”. Nos anos 80 e 90, “além dos chamados retornados”, Camarate passa também a acolher muitos africanos. “Como amostra, podemos referir a escola secundária, onde 32% dos alunos não são de origem portuguesa”.

 

Uma paróquia com 26 bairros

Além da comunidade da igreja paroquial, a paróquia de São Tiago de Camarate conta também com diversas comunidades. “No Bairro de Angola celebramos a Eucaristia dominical no bar da escola secundária; no Bairro de Fetais temos desde o ano passado uma capelinha pequenina, porque dantes celebrávamos num 3º andar; e no Bairro de São José celebramos a Missa dominical ou vespertina na Comissão de Moradores”. De entre todas as comunidades, o pároco de Camarate salienta as dificuldades num bairro em particular: “O problema que se nos apresenta mais difícil é no Bairro de Angola, onde a Eucaristia nos últimos 30 ou 40 anos foi celebrada em 14 ou 15 lugares diferentes. Infelizmente, nunca houve um lugar fixo que a comunidade pudesse considerar ponto de referência”, lamenta o padre Alexandre, apontando que esta ausência de local “levou à dispersão da comunidade pela dificuldade em se reunir”. Para o futuro, este sacerdote revela ao Jornal VOZ DA VERDADE que “já há um terreno no bairro para construir uma capelinha ou igreja”, mas “a dificuldade está em construir”.

 

Acertar o passo com a comunidade

A paróquia de Camarate foi criada em 1511, aquando da constituição da freguesia, que na época foi separada de Sacavém. “Há 500 anos, já havia a igreja paroquial de Camarate, que foi construída ou reconstruída conforme está agora”, conta o pároco, salientando “a beleza das obras de arte, das pinturas do tecto e da talha dourada” do templo.

Ao longo destes séculos, muitos cristãos têm-se entregado de corpo e alma a esta comunidade cristã do concelho de Loures. “Aqui na paróquia, há 500 anos que os cristãos estão presentes”, destaca o padre Alexandre, lembrando que como Missionário Comboniano que é, já esteve em terras onde nunca tinham ouvido falar de Cristo: “De facto, não fomos os pioneiros no anúncio aqui nesta zona, como já aconteceu connosco noutras circunstâncias!”.

Os desafios e as apostas pastorais da nova equipa sacerdotal de Camarate procuraram, por isso, ir ao encontro do caminho que é empreendido na paróquia. “Nós quisemos, em primeiro lugar, ‘acertar’ o nosso passo com o passo da comunidade”, garante o padre Alexandre. “Neste sentido, tivemos de fazer uma espécie de levantamento de toda a organização da paróquia, dos movimentos presentes, das actividades, e a partir daí, ver com as pessoas a direcção a tomar para caminharmos juntos”, acrescenta. As pessoas são uma preocupação constante dos padres Alexandre e Boaventura e também do irmão Neto. “Apostámos muito na aproximação às pessoas! Para ver e sentir os anseios, os problemas e as necessidades desta gente”.

 

Sem os leigos, o trabalho é insignificante

Os movimentos da Igreja estão também presentes na paróquia de São Tiago de Camarate. Não são em grande número, mas têm um trabalho de relevo na evangelização, segundo o pároco: “Não temos muitos movimentos na paróquia, mas as Comunidades Neocatecumenais têm uma história em Camarate e fazem um trabalho apreciável de aprofundamento da fé e de vivência comunitária”. Há também um outro movimento, “que já teve mais expressão do que tem actualmente”, que é o movimento de Schoenstatt. “É muito curioso, porque Camarate está ligado à fundação deste movimento em Portugal, através de um sacerdote que esteve cá, o padre Ribeiro Alves”. Os escuteiros, com as suas quatro secções, têm também presença nesta paróquia: “O agrupamento está muito vivo! Temos mais de cem escuteiros e a sua presença é sempre muito bem-vinda e activa!”.

Para a concretização da missão, os Missionários Combonianos presentes em Camarate contam com os leigos. “Nós vimos de experiências no Quénia e no Brasil, onde é fundamental a presença dos leigos! O que procuramos fazer em Camarate, quando olhamos para o trabalho a realizar, é pôr em movimento outras forças e boas vontades, em particular dos leigos! Estamos absolutamente convencidos que ou mobilizamos os leigos para o apostolado e para a missão, ou o nosso trabalho será quase insignificante. Porque as necessidades e os problemas são muitos”.

Precisamente no âmbito da caridade, a paróquia ajuda mais de 130 pessoas, através do Banco Alimentar. “Infelizmente, temos uma lista de espera de mais de uma centena de pessoas…”, lamenta o padre Alexandre. O centro social paroquial é especialmente dirigido à infância e recebe 247 crianças.

 

Aprofundar a fé

Devido à dificuldade em ter locais fixos, a catequese é dada às crianças e jovens em muitos locais da paróquia: “Há catequese na igreja paroquial, no centro social, no lar perto da igreja, em alguns bairros. Ou seja, temos as crianças muito divididas pelos centros da paróquia”, refere, apontando em 250 o número de crianças e adolescentes que têm catequese em Camarate. “Temos os catequistas muito empenhados, que fazem todos os esforços para responder às necessidades das famílias e das crianças”, assegura o padre Alexandre. A catequese de adultos tem dois grupos: um de aprofundamento da fé, com encontros bíblicos, e outro de preparação para o Crisma. “Enquanto o primeiro é dirigido sobretudo aos pais das crianças da catequese, o segundo surpreendeu-nos muito, porque no princípio parecia que era um grupo que não conseguia ‘arrancar’, mas actualmente tem feito um caminho muito interessante!”, salienta o pároco.

 

Missão

Integrada na celebração dos 500 anos da paróquia, a Semana Missionária em Camarate quis dar a conhecer Cristo, em especial nos bairros. “Estes cinco séculos foram uma oportunidade, não apenas para fazer ‘festas’, mas para a evangelização! A nossa perspectiva é sempre tornar a Igreja presente e visível nos bairros. Mas presente com a missão da Igreja, que é a missão de evangelização e de serviço!”.


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Semana Missionária em Camarate

Entre os dias 10 e 18 de Março, a paróquia de Camarate acolheu a semana missionária sob a pergunta ‘O que te enche o coração?’. Muitas foram as experiências ouvidas, através das duas tendas, presente no adro da igreja, e nos encontros que aconteceram diariamente em inúmeros bairros da paróquia.

O cariz missionário dos Combonianos ajudou a lembrar a missão para a qual o cristão é chamado: a evangelização. De toda a diocese vieram testemunhos de religiosas consagradas e de outros padres missionários. Diariamente a população de Camarate que passou por perto da igreja foi interpelada pela presença das tendas. Ao aproximarem-se, o convite era para que pudessem identificar e retirar uma das coisas que preenche negativamente o coração, ocupando o lugar com algo que o pode tornar feliz. A cada um era oferecido um vaso com uma semente que iria crescer ao longo da semana e que foi levado à celebração de encerramento.

A presença de missionários na paróquia motivou a visita às escolas do 1º ciclo, que decorreu durante toda a semana, sendo considerada uma das actividades que mais enriqueceu a semana missionária.

Contando com a presença de D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, a Igreja tornou-se mais presente nos inúmeros bairros da freguesia e paróquia de Camarate. Além da Palavra de Deus, houve vários testemunhos de cristãos que oferecem, ainda hoje, a sua vida à Igreja, partindo para longe dos seus países e famílias com a missão de anunciar o Evangelho.

Na sexta-feira, dia 16, realizou-se a vigília missionária, preparada pelo grupo de jovens de Camarate, e no sábado os grupos de catequese tiveram diversas actividades missionárias, que culminaram com a Eucaristia presidida por D. Joaquim Mendes.

A Missa de encerramento aconteceu no Domingo, dia 18, presidida pelo padre Tony Neves, director da equipa de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa, que em conjunto com a comunidade pastoral local organizaram esta semana missionária.

texto por Diogo Paiva Brandão
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