Ano da Fé |
Acreditar com o Concílio
A Virgem Maria, Mão de Jesus e Mãe da Igreja
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|Lumen Gentium, nº53|

“A Virgem Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no seu coração e no seu corpo, e deu a Vida ao mundo, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida do modo mais sublime, em atenção aos méritos do seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a sublime prerrogativa e dignidade de Mãe de Deus Filho, e, portanto, filha predilecta do Pai e sacrário do Espirito Santo; com este dom de graça sem igual, ultrapassa de longe todas as outras criaturas, celestes e terrestres. Ao mesmo tempo, encontra-se unida na estirpe de Adão com todos os homens que devem ser salvos; mais ainda, é verdadeiramente mãe dos membros de Cristo... porque, com o seu amor, colaborou para que na Igreja nascessem os fiéis, que são membros daquela cabeça. Por esta razão, é também saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e também como seu exemplar e modelo acabado na fé e na caridade; e a Igreja católica, ensinada e conduzida pelo Espirito Santo, honra-a como mãe amantíssima, dedicando-lhe o afecto da piedade filial”.

 

|Comentário de D. Nuno Brás|

Continuamos esta semana a olhar para o lugar da Virgem Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Desde sempre Deus preparou e pensou a Virgem Maria como Aquela em quem o Verbo, o Filho de Deus se faria carne. Ela, como afirma o Concílio, é “da estirpe de Adão”; humana como nós; e dela o Verbo de Deus tomou a carne humana.

Mas, em atenção ao Seu Filho, Maria foi redimida antecipadamente: foi preparada e pensada por Deus para que, da Sua carne, nascesse Aquele que haveria de corresponder plenamente, sempre, à vontade do Pai e, desse modo, abrir para todos um caminho de salvação.

A Virgem Maria é pois a Mãe do Filho de Deus: pelo Seu assentimento às palavras do Anjo, Deus fez-se carne no seu seio. Mas a Virgem Maria é também Aquela que viveu constantemente unida ao próprio Jesus e à Sua Missão. E, finalmente, é ainda Ela que, no Livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos junto da Igreja nascente – Mãe de Cristo e “Mãe dos membros de Cristo… porque, como seu Amor, colaborou para que, na Igreja, nascessem os fiéis”, como afirma o Concílio.

Assim, por um lado, a Virgem Maria é, na Igreja, um membro singular, único, irrepetível.

Mas, por outro lado, a Virgem é também aquela que, na sua vida, realiza tudo quanto cada batizado é chamado a ser. Olhando para Ela, vemos resplandecer a vida de Deus e o seu Amor para connosco. Ela é o modelo acabado da Igreja, que, também por isso, nos ajuda em cada momento da nossa existência de cristãos.

Mãe de Cristo, Mãe da Igreja, nossa Mãe: não podemos deixar de a honrar, como convida o Vaticano II, “dedicando-Lhe um afeto de piedade filial”, aliás tão próprio, desde há muitos séculos, do povo português.

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