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Confissão é mais do que um encontro para “duas palavrinhas”
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O Papa Francisco falou da confissão. Na semana em que explicou o que é a conversão, o Papa encontrou-se com responsáveis económicos mundiais, publicou a Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações e recebeu o realizador Martin Scorsese.

 

1. O Papa lembrou que para uma pessoa se confessar tem de “ir ao fundo dos pecados”, rejeitando resolver “o caso” com “duas pinceladas”. Na homilia da Missa que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, no Vaticano, no passado dia 5 de dezembro, o Papa Francisco sublinhou que “ter coragem de ir com fé verdadeira em direção ao Natal” implica deixar-se “recriar” por Jesus, olhando para a “raiz do próprio pecado” para que seja possível transformar-se em “homem novo” e “mulher nova”.

O Papa salientou que na confissão não há “duas palavrinhas” e depois continua tudo na mesma. “Somente duas pinceladas de verniz e acreditamos que com isso encerro o caso! Não! Os meus pecados, com nome e sobrenome: fiz e envergonho-me dentro do coração!”, disse o Papa, acrescentando que não se deve “esconder a gravidade dos pecados”, antes “ir ao fundo dos pecados”, “entregá-los ao Senhor” para que “Ele os cancele” e ajude cada um a “avançar na fé”.

 

2. Na reflexão do passado Domingo de manhã, em Roma, na oração do Angelus, o Papa Francisco explicou que o Advento, de preparação para o Natal, é propício para os fiéis se libertarem do egoísmo e do pecado, convertendo-se. A conversão, explica, passa por “deixar os caminhos cómodos mas enganadores, dos ídolos deste mundo: o sucesso a todo o custo, o poder em detrimento dos mais fracos, a sede das riquezas e o prazer a qualquer preço. Em vez disto, trata-se de abrir o caminho ao Senhor que vem. Ele não tira nada à nossa liberdade, mas dá-nos a verdadeira felicidade. Com o nascimento de Jesus em Belém, é o próprio Deus que habita no meio de nós para nos libertar do egoísmo, do pecado e da corrupção”, enalteceu, no passado dia 4 de dezembro.

No segundo Domingo do Advento, o Papa falou ainda da evangelização, sublinhando que o cristão deve procurar atrair os outros através do anúncio do Reino, e não como um “adepto que procura angariar pessoas para a sua equipa”.

 

3. O Papa alertou para a urgência de encontrar a “melhor forma” para responder-se ao “sofrimento e necessidades” dos mais pobres e excluídos. Foi numa audiência aos responsáveis económicos mundiais, que participam numa iniciativa da Revista ‘Time’, na manhã do passado dia 3 de dezembro. “O nosso grande desafio é responder aos níveis globais de injustiça, promovendo um sentido local e mesmo pessoal de responsabilidade para que ninguém seja excluído da participação na sociedade”, referiu Francisco, na Sala Clementina, no Vaticano. Nesta audiência, o Papa disse que a “renovação, purificação e fortalecimento” de modelos económicos sólidos depende da “conversão pessoal e generosidade” de cada um às pessoas mais necessitadas.

Aos cerca de 400 participantes, Francisco destacou que o tema do encontro, ‘O Desafio do Século XXI: Criar um novo Pacto Social’, “é muito oportuno” e aponta para a necessidade urgente de modelos económicos “mais inclusivos e equitativos”. “Quando ignoramos os gritos de tantos irmãos e irmãs em todo o mundo, não lhes negamos apenas os seus direitos e valores dados por Deus, mas também rejeitamos a sua sabedoria e impedimos de oferecer talentos, tradições e cultura”, desenvolveu o Papa.

 

4. O Papa Francisco sublinhou a “dimensão missionária da vocação cristã”. Foi na Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que se celebra a 7 de maio de 2017, com o tema ‘Impelidos pelo Espírito para a missão’. “O compromisso missionário não é algo que vem acrescentar-se à vida cristã como se fosse um ornamento, mas, pelo contrário, situa-se no âmago da própria fé. A relação com o Senhor implica ser enviados ao mundo”, escreve Francisco, no texto divulgado no passado dia 30 de novembro, pelo Vaticano.

A mensagem assinala que “todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho”, algo que “vale de forma particular” para as pessoas chamadas a uma “especial consagração e também para os sacerdotes”. Francisco considera importante “aprender do Evangelho o estilo de anúncio” e alerta para quem se deixa levar “por um certo frenesim de poder, pelo proselitismo ou o fanatismo intolerante”, “mesmo com a melhor das intenções”. “O Evangelho, pelo contrário, convida-nos a rejeitar a idolatria do sucesso e do poder, a preocupação excessiva pelas estruturas e uma certa ânsia que obedece mais a um espírito de conquista que de serviço”, escreve.

O Papa observa que o povo de Deus “precisa de ser guiado” por pastores que “gastam a sua vida ao serviço do Evangelho” e pede às comunidades paroquiais, associações e grupos de oração que peçam “ao Senhor que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho”. “Com renovado entusiasmo missionário, são chamados a sair dos recintos sagrados do templo, para consentir à ternura de Deus de transbordar a favor dos homens”, acrescenta, assinalando que a Igreja precisa de sacerdotes “confiantes e serenos”.

 

5. O Papa Francisco recebeu em audiência o realizador Martin Scorsese, que esteve presente em Roma na antestreia do seu mais recente filme, ‘Silêncio’. Baseado num livro com o mesmo nome, da autoria de Shusako Endo, ‘Silêncio’ é a concretização de um sonho de Scorsese que, desde 1991, tentou transpor para o cinema esta obra que relata a presença dos missionários jesuítas portugueses no Japão do século XVII, numa época em que o cristianismo foi duramente perseguido. O realizador norte-americano chamou um padre jesuíta para seu conselheiro e as filmagens decorreram, essencialmente, em Taiwan.

O Papa Francisco que, quando era um jovem jesuíta tinha o sonho de ser missionário no Japão, ainda não viu o filme, mas no dia 30 de novembro recebeu Martin Scorsese que, com a sua mulher e filhas, ofereceu ao Papa dois quadros relacionados com os cristãos desta época, um deles com a uma imagem de Nossa Senhora, pintada por um japonês e muito venerada nesses tempos de perseguição. Francisco disse que já leu o livro ‘Silêncio’, sublinhou a semente deixada nessa época pelos jesuítas e recordou o museu dos 26 mártires que hoje existe em Nagasaki.

O mais recente filme de Scorsese estreia em Portugal no dia 19 de janeiro.

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