Lisboa |
Luz da Paz de Belém chegou ao Patriarcado de Lisboa
“Luz para muita gente e ajuda para muitas vidas”
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A Luz da Paz de Belém chegou a Lisboa. Trazida desde a cidade onde Jesus nasceu, a chama que foi distribuída por cerca de 110 paróquias do Patriarcado pretende transformar-se num sinal de “claridade, beleza e esperança” para inúmeras vidas, como lembrou o Cardeal-Patriarca, na celebração de distribuição da luz, na Sé de Lisboa.

 

Tudo começou há alguns anos quando um agrupamento de escuteiros de Lisboa soube da existência de uma celebração em Espanha, onde era partilhada a luz trazida de Belém, a cidade Natal de Jesus. Foram trazendo a luz para si e para os amigos e, desde há cinco, seis anos, esta iniciativa começou a ser assumida pela Junta Central do CNE – Corpo Nacional de Escutas e, posteriormente, pelas juntas regionais. Hoje, a Luz da Paz de Belém “é um momento congregador para todos”, classifica o padre Jorge Sobreiro, assistente do CNE de Lisboa. Na noite do passado dia 17 de dezembro, em pleno Advento, esta iniciativa foi um sinal que mostrou que, “mesmo no meio dos afazeres, há uma luz que vence a nossa escuridão”, aponta o sacerdote. A escolha da Sé Patriarcal de Lisboa para esta celebração pretende, desde logo, evidenciar a dimensão diocesana da iniciativa e não apenas de um grupo de escuteiros. “Procura-se que esta celebração não seja apenas dos escuteiros – claro que nos marca a todos, escuteiros – mas que seja diocesana. Isso penso que temos conseguido fazer e existem muitas paróquias a inscreverem-se” para que esta luz possa ser levada para cada vez mais casas.

 

Partilhar

Belém, Viena, Guarda, Lisboa. Este foi o percurso feito pela chama que chegou à Sé de Lisboa, na passada segunda-feira, 17 de dezembro, para ser partilhada. Responsável por garantir o transporte da luz desde a Sé da Guarda até ao Patriarcado esteve o agrupamento de escuteiros da Paróquia de Moscavide, na Vigararia Lisboa II. Em declarações ao Jornal VOZ DA VERDADE, a chefe do agrupamento 582, Paula Mendonça, destaca a importância desta iniciativa para a motivação do clã com 14 elementos, entre os 18 e os 22 anos. “Era um desafio que eles, já no ano passado, tinham tentado fazer e não conseguiram. Para o nosso clã, foi muito importante porque temos muito o sentido de partilha. Tudo o que eles fazem, querem partilhar com todos. Por isso, trazer a luz, desde a Guarda, para partilhá-la por toda a região de Lisboa foi muito importante”, considera.

 

Comunidade

Outro dos pontos destacados por esta responsável é a dimensão comunitária e “muito importante” trazida por esta iniciativa. Quando o agrupamento sugeriu fazer esta celebração diocesana na sua própria paróquia, e depois de ter sido indicada a Sé como local preferencial, uma vez que é a “igreja mãe” de toda a diocese, surgiu o convite para o agrupamento de escuteiros de Moscavide ir buscar a Luz da Paz de Belém à Guarda. “O nosso assistente e pároco, padre José Fernando, ficou felicíssimo, porque a paróquia e agrupamento mostrou união. Foi muito importante”, considera.

Uma vez chegada a luz à Paróquia de Moscavide, a vontade do clã em partilhar a luz continuou. Em vez de se distribuir a luz apenas numa única celebração, “este ano, os pioneiros, quiseram ser eles a ir levar a luz às pessoas”, revela Paula Mendonça. “Muita gente não pode deslocar-se à igreja para ir buscar a luz; então, eles propuseram levar a luz a casa das pessoas. No entanto, a luz estará presente em todas as celebrações da paróquia e quem quiser pode levar a luz”, refere esta chefe do agrupamento, valorizando a “responsabilidade” que vai observando em cada criança para não deixar apagar a chama. “Por aí se vê o sentido que eles têm da luz, não a querendo deixar apagar. É uma experiência extraordinária”, assume.

 

Para que seja luz

Foram centenas os escuteiros e outros representantes que responderam afirmativamente ao convite para levar a Luz da Paz de Belém às cerca de 110 paróquias representadas na Sé. Na noite fria que se fez sentir, a forte afluência levou o Cardeal-Patriarca de Lisboa a manifestar “alegria” pela presença de tantos jovens na “igreja de toda a diocese”. “Como sabem, esta é uma iniciativa de solidariedade que vai sendo percorrida de terra em terra, para que esta luz seja luz para muita gente e seja ajuda para muitas vidas. Por isso, nós, os cristãos, sentimo-nos, necessariamente, bem porque é para isso que também cá estamos... para sermos úteis, solidários, próximos e para levar esperança, alegria e conforto a muita gente, em muitas situações”, referiu D. Manuel Clemente, na Sé de Lisboa.

Na sua homilia, o Cardeal-Patriarca refletiu sobre os dois significados do nome da iniciativa: “Luz da Paz e Luz de Belém”. “Tudo isto se refere a Jesus. Não é por acaso que Ele próprio se apresentou como a luz do mundo e também o fez assim aos seus discípulos para que onde os discípulos de Jesus cheguem, também haja luz, também haja claridade, também haja beleza, esperança, tudo aquilo que Ele nos traz do céu, da parte de Deus”, apontou.

 

Mais intensamente

Começando por recordar alguns momentos significativos da vida de Jesus até aos 30 anos, D. Manuel Clemente recordou depois o momento evangélico em que Jesus sai de Nazaré da Galileia e “vai ter com toda a gente e começa a anunciar este mundo de luz, de paz, que Ele trazia”. “Mas houve gente que achou que era luz a mais... e quiseram ofuscar e extinguir aquela luz”, referiu. “Os discípulos esconderam-se logo, cheios de medo de que lhes acontecesse a mesma coisa. Depois, passou esse dia, outro dia, e houve a alvorada do terceiro dia e, quando eles estavam cheios de medo, de repente, sem ser preciso abrir a porta, Ele estava com eles. E os discípulos perceberam que aquela luz voltava a brilhar, ainda mais intensamente, agora, na ressurreição de Jesus Cristo”, recordou D. Manuel Clemente. “Ele disse que ‘quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles’. Nós fazemos esta experiência quando nos reunimos por causa de Jesus, quando ouvimos a sua Palavra e faz-se uma grande luz nas nossas vidas. A morte já não é a última palavra. A última palavra é a vida, esta luz de Deus”, garantiu o também escuteiro D. Manuel Clemente, testemunhando como, há 50 anos, a experiência dos discípulos de Jesus também se concretizou na sua vida e, sobretudo, através das atividades escutistas. “Quando liamos os Evangelhos e O sentíamos tão perto de nós... Como isso depois acabou por marcar as nossas vidas. A mim, fez-me padre, a outros, outras profissões, mas com a mesma luz. Tenho a certeza que isso acontece com vocês e é o que permite que esta luz continue a circular”, apontou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, apelando a que a mesma luz possa brilhar em todos os corações, não com “medo de que nos tirem a vida ou as coisas”, mas com a certeza de que “a morte está vencida, o bem é sempre vitorioso”, concluiu.

 

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Como surgiu a Luz da Paz de Belém?

A iniciativa da Luz da Paz de Belém surgiu como um programa de beneficência com o nome ‘Luz na Escuridão’, dedicado a apoiar crianças necessitadas na Áustria. Desde então, todos os anos, uma criança oriunda do norte de Áustria recolhe a Luz na gruta da Natividade em Belém, onde Jesus nasceu, e leva-a para o seu país, onde esta é partilhada numa grande cerimónia ecuménica realizada em Viena.

Delegações escutistas e guidistas de toda a Europa participam na celebração de Viena para levar a Luz aos seus respetivos países, como uma mensagem de Paz. Nas suas terras, os Escuteiros e as Guias partilham a Luz, levando-a a outras Igrejas, casas particulares, hospitais, residências de idosos, prisões, lugares públicos e de importância cultural e política ou a qualquer lugar onde seja apreciado o seu significado.

Neste ano de 2018, a Luz da Paz de Belém chegou a Lisboa, no dia 17 de dezembro, através da celebração nacional que decorreu na Guarda, no dia anterior.

texto e fotos por Filipe Teixeira
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