Cáritas de Lisboa |
Jovens deixam claro que esta é a hora
Prontos a deixar o sofá
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Auscultar e refletir em conjunto a possibilidade de um Movimento Cáritas Jovem CDL foi o que trouxe à paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações (Lisboa), um grupo de jovens oriundos de diversos lugares do Patriarcado. Fazendo aqui eco do que disseram, a Cáritas Diocesana de Lisboa (CDL) não só acredita, como se vê agora mandatada a dar corpo ao seu descontentamento, através da criação de um movimento que construa e faça a sua diferença.

 

Ao escavarem dentro do seu próprio “EU”, logo na primeira conversa da manhã, em grupo, os jovens foram determinados e entusiastas no apontar aquilo que positivamente os define e julgam ter em comum. Sentem-se dotados, talentosos, exigentes, desenrascados, idealistas, acelerados, sempre à procura, mas também trouxeram ao de cima, com lucidez e coragem, o que julgam ser preocupante: a apatia, a solidão, a ansiedade, o conforto das redes sociais no sofá, o contacto virtual, a insegurança. Sublinharam que amam a autenticidade, mas que também há falsidade nas suas vidas, que se orgulham da abertura à diferença dos outros, mas que também os mina o preconceito, que se acham sensíveis e responsáveis, mas que na prática são pouco presentes, comprometidos e pró-ativos.

Na sua tenra idade, são já, em grande medida, as experiências vividas, marcadas pelo fenómeno da globalização, ao contrário da juventude de outros tempos, muito mais circunscrita e isolada. Falaram de uma educação global, do programa Erasmus, da facilidade em comunicar e viajar e das grandes mudanças que vão acontecendo, de que são testemunhas, mas sobretudo expressão do atual desenvolvimento, a todos os níveis. Mas estes são também os jovens que já sofreram a morte e a solidão de uma pandemia, jovens de um tempo sem tempo, e que não conseguem sair da casa dos pais.

 

Fazer acontecer algo de bom

Ao refletirem sobre as pessoas com quem se relacionam diariamente (o imediato “TU” das suas vidas), enfatizaram a importância e necessidade da relação, da escuta, do acolhimento, do lugar, da partilha, do convívio, da disponibilidade e também da autonomia, da independência-interdependente. E sobre o “Outro”, aquele de quem se ouve falar, perto ou distante, foi claro o descontentamento, a aversão à discriminação, à injustiça, à pobreza, à desigualdade, à pedofilia, à pena de morte, à eutanásia, ao aborto, à economia que não é justa e inclusiva de todos e à ausência de Deus. E se tudo isto os entristece, anima-os o sonho de uma fraternidade global, que não deixe ninguém para trás.

Sentados, em plenário, em meia-lua, nas pausas, no almoço, nas conversas pessoais que se foram tecendo, o que foi naturalmente transparecendo foi uma total disponibilidade para fazer acontecer algo de bom muito rapidamente. Dali, o passo seguinte só poderia ser o mundo, a sua transformação, sem esquecer aquela que também foi frequentemente invocada como a necessidade de reformar a Igreja, com foco em Jesus, e menos nas suas estruturas e corpos hierárquicos. Mas sair, ir ao encontro, como o Papa Francisco o repete cada dia, exige vontade e uma particular preparação e espiritualidade, e os jovens foram perentórios quanto à sua necessidade nas suas vidas.

 

“Estou Aqui”

Referiram que é fundamental transformar a vontade em ação, seguida da sua capacitação, para que a intervenção seja eficaz, produza efeitos positivos. Mas são igualmente necessários, neste processo, testemunhos, exemplos vivos, não só de práticas, que tenham obtido bons resultados, mas de pessoas apaixonadas, carismáticas. Líderes precisam-se. Depois, é essencial conhecer, ler a realidade, e fazer um claro e rigoroso diagnóstico sobre as assimetrias dentro e fora de nós. A resposta aos problemas deve ser transparente, orquestrada em rede, com forças que possam ajudar onde sós não chegaríamos; devem ser capacitantes, autonomizantes, a todos os níveis, indo além da assistência que outros possam já prover, e que apenas responde ao imediato.

“Ser útil. Uma Cáritas Jovem que venha a existir terá de me fazer sentir útil. Os seus projetos terão de ser ações de serviço concreto, cá e lá fora, respostas a reais problemas, devendo resultar de uma partilha de ideias. E terão de existir de forma continuada. Não podemos estar hoje, e não estar amanhã. Terão de ser iniciativas mobilizadoras de outros jovens e vividas em rede, em articulação com outras Cáritas, paroquiais, diocesanas nacionais, e outros organismos”.

Vestidos, no final, com a t-shirt do “Partilhar a Viagem”, campanha de 2019, da Caritas Internationalis, a favor dos Migrantes, os jovens deixaram a sua marca diante de um “Estou Aqui”, concluído com as impressões das suas mãos. E deixaram a paróquia do Parque das Nações, de regresso a casa, como navegantes que levam consigo dons e histórias que não vão deixar de partilhar com quem se encontrarem em águas do seu e de outros tantos caminhos.

 

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Os jovens de hoje apresentam uma elevada sede de justiça social e ambiental, procurando formas significativas e eficazes de servir o próximo. Por outro lado, nós jovens precisamos de momentos onde podemos refletir em conjunto e de ser ouvidos pelas organizações e figuras de poder. Temos a energia e a vontade para sermos missionários, precisamos apenas de, em conjunto com as diversas gerações, ajuda a estruturar a melhor forma de todos conseguirmos pôr os nossos dons ao serviço.

Esta iniciativa da Cáritas de Lisboa permitiu que nós, jovens, fossemos ouvidos e sonhássemos em conjunto um futuro onde os jovens e a Cáritas trabalham lado a lado com o objetivo de organizar e criar oportunidades de voluntariado que utilizem e promovam os nossos dons. É extremamente gratificante conhecer outros jovens que tenham um sentido tão forte de serviço e partilhar entre nós diversas ideias e projetos. Espero com grande expectativa o resultado final deste momento que, sem dúvida, merece futuros encontros.

João Sacadura, paróquia de São Julião da Barra

texto por Cáritas Diocesana de Lisboa
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