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Editorial: João Paulo II, a coragem de ser luzeiro de Deus

Há homens em quem parece que podemos tocar Deus. Era assim o Papa João Paulo II.

É óbvio que, sozinho, ninguém (excepto Deus), consegue mudar o rumo de toda a história humana. Mas é igualmente óbvio que sem homens que se arrisquem a ser luzeiros que iluminam o caminho dos demais, não há história humana que mude – ou, pelo menos, que mude no sentido do bem.

Há homens que, pelas suas capacidades próprias e naturais, pelo génio da sua inteligência, pela perspicácia das suas análises, pela coragem de caminhar contra a corrente, se destacam no seio do tempo em que vivem e conseguem convencer os outros: são os heróis, a quem os povos prestam tributo, e que permanecem na memória colectiva como marcos, pontos de referência para a história comum.

João Paulo II terá sido também tudo isso. Ao homem Karol Wojtyla não faltaria nenhuma dessas qualidades. Mas reduzi-lo a isso é ignorar o centro da sua pessoa, Aquele a quem ele tudo referia e lhe dava forças: Deus.

Olhando para trás, agora que o vemos beatificado, pode parecer que a sua acção como Papa foi sempre repleta de sucessos e de acções que colhiam a unanimidade. Contudo, basta um pequeno exercício de memória para nos darmos conta de que nem sempre foi assim. João Paulo II foi muitas vezes criticado – como diziam alguns fazedores de opinião, dentro e fora da Igreja, era “um conservador com prazo já ultrapassado”.

Mas João Paulo II teve a coragem de ir além daquilo que os outros pensam. Teve mesmo a coragem de ir contra a opinião da maioria. A ele apenas uma coisa importava: Deus e a Verdade que tem para oferecer ao homem contemporâneo. Todo ele respirava Deus. E isso percebia-se – percebiam-no os crentes que com ele contactavam, e percebiam-no até os pouco ou nada crentes, que não deixavam de se sentir interrogados pela sua pessoa.

Mas João Paulo II não teve apenas a coragem de se deixar transformar por Deus e ser a sua transparência. Ele teve igualmente a coragem de ser um luzeiro que, erguido bem alto, na saúde vigorosa, na doença sofrida e, finalmente, na morte, deixa ver não apenas novos horizontes como aponta igualmente novos caminhos: os horizontes e os caminhos de Deus.

“O Papa gosta mais de Portugal, que Portugal do Papa” – desabafou, um dia, um dos seus colaboradores mais chegados. Talvez hoje percebamos que o Papa tinha razão. E talvez agora, finalmente, nos deixemos conquistar e iluminar por esse que foi, no nosso tempo, um grande luzeiro de Deus.

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