Igreja em movimento |
Instituto Secular Caritas Christi/Testemunho
Deixar-se encontrar por Cristo
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Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este con­vite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído» (Evangelii Gaudium). A alusão a estas palavras do Papa Francisco na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013), traduz naturalmente aquilo que gostaria de partilhar com o leitor, ou seja a história de uma vida de consagração num Instituto Secular que há 25 anos atrás se deixou (deixa) encontrar por Cristo. Uma história comum a quantos e quantas se deixaram/deixam seduzir por Cristo. Uma história que pode começar assim: 

Tudo começa com uma experiência profunda de encantamento/enamoramento por Jesus Cristo, deste “deixar-se encontrar por Cristo”, como refere o Papa. É a partir deste “click”, desta descoberta pessoal da presença de Deus em nós que tudo muda! É o Espírito Santo que, no nosso íntimo, nos faz acolher a Revelação de Deus no Evangelho de Jesus e nos faz intuir que a nossa vida sairá a ganhar se nos deixarmos conquistar por Ele. Quando descobrimos que Ele faz toda a diferença e nos deixamos cativar por Ele, a nossa vida não para mais.

 Falar da vocação é falar desta história de amizade com Jesus que Ele, através do Seu Espírito, vai colocando no nosso íntimo o desejo de O seguir, de Lhe perguntar “onde moras?” (Jo 2,38). À medida que a gente “cresce,” na procura deste Deus que nos habita, Ele vai-se revelando e como o fermento que faz crescer toda a farinha, assim acontece na nossa vida. É através dessa transformação silenciosa e escondida que se vai operando, que nos leva a falar com alegria e a partilhar com intensidade, a riqueza da nossa vida, da nossa vocação.

Como já referido, quando nos encantamos, tudo muda! Sim, é a partir deste momento, quando nos sentimos verdadeiramente tocadas por Cristo, quando temos o privilégio de encontrar mediações do Amor Inesperado e Imerecido de Deus por nós, que desabrocha no nosso íntimo, ao mesmo tempo, uma paz inexplicável e uma vontade enorme de continuar a desvelar segredos… ao sentir este amor de Deus, naturalmente que cresce em nós o desejo de o transmitir, de o comunicar aos irmãos, de partilhar este dom. A resposta a este amor concretizou-se através do Instituto Secular Caritas Christi.

O Instituto Secular Caritas Christi surgiu nos finais da década de 30. Os seus fundadores foram uma jovem francesa (Juliette Molland) e o Padre dominicano (José Maria Perrin). A 19 de março de 1955 é declarado Instituto Secular de Direito Pontifício pelo Papa Pio XII.

 

Quem foi Juliette Molland?

Juliette Molland,nasceu a 27 de junho de 1902. Terminado o seu percurso académico, na área de contabilidade, vai exercer a sua atividade profissional numa fábrica de produtos químicos. Apesar das responsabilidades profissionais manteve sempre uma disponibilidade total para o serviço da sociedade e da Igreja. Queria ser leiga e viver a consagração do seu batismo até ao fim, dando-se total e definitivamente ao Senhor, amando-O e fazendo-O amar.

Juliette foi uma mulher que cativou a infância de várias gerações na sua terra natal pela organização de festas e peças de teatro. Durante a segunda guerra mundial foi conselheira municipal, delegada das ações sociais e, apesar dos meios precários de que dispunha, procurou ainda dar resposta a situações dramáticas em consequência da ocupação nazi, aquado da 2ª guerra mundial. E como ele gostava de mencionar: “Não há sacrifícios, quando se ama; só há atos de amor."

Como referido por D. João Alves (1998), “os Institutos Seculares apareceram para garantir um caminho seguro de santificação aos leigos que o queiram seguir e são um modo privilegiado para a renovação da missão da Igreja na evangelização da sociedade e das culturas”. É esta perceção que Juliette tem desde o primeiro momento “Deus precisa de santos no meio do mundo”.

É esta a missão dos consagrados: tornar presente o rosto de Cristo. A experiência do amor de Deus, levar-nos-á a retribuir, a irradiar Cristo, a ter um coração disponível para os irmãos. É esse o apelo que Ele nos faz constantemente. Estarmos atentas e abertas no nosso meio, nas mais variadas situações, ou como Juliette gostava de dizer: florescer onde Deus nos colocou.

E como o Pe. Perrin refere na Lei de Vida: “a vossa vocação e a vossa razão de ser consistem em consagrar, no meio do mundo, toda a vossa vida de leigas, em busca deste ideal: crer no amor e a ele corresponder, ser, em tudo coerente com a fé que está toda na caridade de Deus para connosco. Isto implica não só ser filhos de Deus e viver dele, mas também ter para com o próximo o coração, as palavras e os gestos de Cristo, perder-se na Sua Igreja e pelo Seu Reino. Tal é a vossa razão de ser e o testemunho que deveis dar no meio do mundo”. (J. M. Perrin 1944), e ainda no 1º art. da Lei de Vida: “toda nossa razão de viver é pois permanecer no amor de Deus para o amar e fazer amar no lugar onde ele nos colocou, sob o olhar do Pai que vê no segredo”(1979).

Atualmente o Instituto conta com cerca de 1.400 membros espalhados por 45 países nos cinco continentes. Em Portugal está implantado desde 1956 e são cerca de 170 os seus membros, presentes em várias dioceses do País.

A nossa consagração é cheia de riscos e de exigências mas portadora de um carisma rico e original. A nossa presença no mundo, a nossa secularidade é um meio excelente para chegarmos aos mais variados pontos da sociedade a fim de aí tornar presente o rosto misericordioso de Deus. Somos mulheres que não deixam o mundo e as suas realidades, mas chamadas a transparecer pela nossa vida o amor de Deus.

Em suma, falar de vocação significa falar de busca e de procura, de tentar seguir e encontrar-se nos caminhos que levam a uma vida maior. No ser humano, a vida plena coincide, por paradoxal que pareça, com a vida plena das outras pessoas à nossa volta. “O segredo da felicidade”, dizia a fada num famoso conto infantil, “é fazeres felizes as pessoas à tua volta!”. Esta é no fundo a experiência que todos temos, do quanto mais te dás, mais rico ficas, ou como refere D. Anacleto Oliveira (2013) na sua Nota Pastoral “Há mais felicidade em dar (se)”.

 

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Contactos:

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