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‘Evangelii Gaudium’ (nº 202 a 216) – Capítulo IV
Economia e distribuição dos rendimentos
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O tema da pobreza tem sido desde o início do pontificado do Papa Francisco uma constante na sua preocupação e, também, na Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’ o Papa manifesta essa sensibilidade considerando que “a necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza não pode esperar” e que, os planos de assistência, que acorrem a determinadas emergências, deveriam considerar-se apenas como respostas provisórias”. “Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais  da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum. A desigualdade é a raiz dos males sociais”, denuncia Francisco.

Neste sentido, o Papa frisa que “a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política económica”, mas que, por vezes, “parecem somente apêndices acrescentados de fora para completar um discurso político sem perspetivas nem programas de verdadeiro desenvolvimento integral”.

Ao debruçar-se sobre esta temática Francisco deixa um alerta para uma atitude diferente diante do que é a força dos mercados. “Não podemos mais confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado. O crescimento equitativo exige algo mais do que o crescimento económico, embora o pressuponha”. “Requer decisões, programas, mecanismos e processos  especificamente orientados  para uma melhor distribuição dos rendimentos, para a criação de oportunidades de trabalho, para uma promoção integral dos pobres que supere o mero assistencialismo”, observa o Papa argentino.

Diante destas dificuldades o Sumo Pontífice deixa uma súplica: “Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo”. Entendendo a política como “uma sublime vocação”, Francisco aponta-a como “uma das formas mais preciosas da caridade” porque, explica, “busca o bem comum”. Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres”, acrescenta nesta súplica de oração. “Porque não recorrer a Deus pedindo-lhe que inspire os seus planos?”, questiona Francisco sublinhando a convicção que de “a partir de uma abertura à transcendência, poder-se-ia formar uma nova mentalidade política e económica”.

 

Cuidar da fragilidade

Recordando a todos os cristãos que “somos chamados a cuidar dos mais frágeis da Terra”, o Papa Francisco sublinha que é “indispensável prestar atenção e debruçarmo-nos sobre as novas formas de pobreza e fragilidade, nas quais somos chamados a reconhecer Cristo sofredor: os sem-abrigo, os toxicodependentes, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais só e abandonados, etc”. Outra preocupação manifestada pelo Papa nesta Exortação vai ao encontro das pessoas que “são objeto das diferentes formas de tráfico”. “Não nos façamos distraídos! Há muita cumplicidade....”, alerta Francisco deixando algumas interpelações para situações muito concretas de vida. Ainda entre estes seres frágeis estão “as mulheres que padecem situações de exclusão, maus tratos e violência”, “os nascituros”, que o Papa considera “os mais inermes e inocentes de todos”, a quem se quer “negar a dignidade humana”, alerta Francisco.

Diante destes frágeis há uma atitude de responsabilidade de todos para a qual Francisco chama a atenção: “Nós, os seres humanos, não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas”. “Não deixemos que, à nossa passagem, fiquem sinais de destruição e de morte que afetem a nossa vida e a das gerações futuras”. “Pequenos mas fortes no amor de Deus, como São Francisco de Assis, todos nós, cristãos, somos chamados a cuidar da fragilidade do povo e do mundo em que vivemos”, apela o Papa Francisco. 

texto por Nuno Rosário Fernandes
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