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Na saída do Hospital, dar lugar à gratidão
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Há muita gente que ao regressar a casa, depois de uma situação clínica difícil ou de um internamento mais ou menos prolongado, expressa reconhecimento pelos cuidados recebidos e admiração pela dedicação dos médicos, enfermeiros, auxiliares e outros profissionais. Enfatizam a competência, humanidade, dedicação e profissionalismo. Há algumas pessoas que dão largas à gratidão e enviam uma carta de louvor e agradecimento. Essas missivas, apesar de serem um insignificante e pequeno gesto, são para aos profissionais estímulo, reconhecimento e afecto.

Maria Isabel, cinquenta e dois anos de idade, casada e com três filhos, teve de passar por um longo internamento hospitalar devido a uma situação clínica grave. Desse tempo, apesar do sofrimento por que passou, reserva gratas recordações: «Quando entrei no hospital, foi estranho e aterrador. Gente atarefada e a correr, outros lamentando as dores e rostos fechados, os cheiros… Quando o meu marido e os meus filhos saíram e eu me despi para vestir o pijama do Hospital, vieram a mim sentimentos, temores e dúvidas inquietantes e avassaladoras. Nunca me tinha sentido tão despida e tão só, e deitei-me na cama e comecei a chorar. Não conseguia conter-me, era mais forte que eu. Com o tempo e ajuda de outras doentes e do pessoal a coisa foi acalmando e comecei a sentir coragem para enfrentar a minha situação.

No meu internamento, o que mais me impressionou foi a humanidade e competência do serviço e dos cuidados que me foram prestados: a atenção e o carinho dos enfermeiros, dia e noite, a atenção dos médicos e outros doutores, a delicadeza das senhoras que todos os dias faziam a minha cama de lavado e serviam as refeições, higiene impecável das salas e corredores, o apoio espiritual do capelão, os voluntários. Naturalmente houve uma coisa ou outra desagradável, mas isso é normal, somos humanos. Mas essas coisas mais desagradáveis não mancham a gratidão que sinto em relação às pessoas que me ajudaram. Dou graças a Deus por tudo e por todos. Algumas companheiras doentes foram de uma atenção e solidariedade edificante, sempre atentas. Na minha oração sempre as recordo.

Depois de tudo pelo que passei, de todo o bem que me fizeram e como me ajudaram a regressar a casa com saúde, não entendo como se pode dizer tão mal dos Hospitais! Não pude, por isso, ficar calada e decidi enviar uma carta ao Hospital a agradecer a forma humana e competente como fui tratada no Serviço onde estive. Agradeci a todos, sem excepção, aos enfermeiros, médicos e auxiliares, à assistente social e psicóloga, ao capelão e voluntários. E não posso deixar de agradecer a Deus por ter recuperado a saúde com a ajuda de profissionais tão excelentes».

Referindo-se ao apoio espiritual, dizia ainda: «E vou contar um segredo. Eu estive muito mal, sabe?! Houve uma altura que pensei: “já não volto mais a casa”. Houve alturas que perguntava: “para que serve a fé?” “Onde está Deus?” “Que mal fiz para sofrer tudo isto?” E instalava-se a confusão no meu coração, o vazio, a revolta, o desejo de morrer. Fez-me bem ter com quem desabafar a dor da minha alma e agradeço ao capelão, a alguns voluntários e enfermeiros que foram capazes de me escutar e de compreender a minha dor. Mas, donde me veio a maior força para continuar a lutar, foi da comunhão que a dada altura passei a receber todos os dias. Fazia-me sentir que, apesar dos meus sentimentos estranhos, o Senhor estava comigo e que eu estava unida a ele. E acontecia algo de extraordinário comigo: reaparecia a paz, a tranquilidade no meu coração. Parecia que ganhava novas forças, novo alento. Eu não era muito praticante. Hoje reconheço o quanto a fé foi importante naqueles momentos difíceis. Reconheço agora o quão importante é haver nos hospitais Assistência Espiritual e Religiosa».

 

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Assistência Religiosa e Espiritual nos Hospitais

O serviço de assistência espiritual e religiosa tem como missão providenciar cuidados espirituais e religiosos aos utentes internados nas instituições hospitalares do país. Segundo o decreto-lei 253/2009, ao utente, independentemente da sua confissão, é reconhecido o direito a pedir o Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa e a ser assistido em tempo razoável ou com prioridade em caso de iminência de morte.

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