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“Família deve ser lugar privilegiado de perdão”
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O Papa pediu para não se perder “a confiança na família”. Nas celebrações de Natal apelou a esforços para “fazer cessar as atrocidades”, à Cúria de Roma falou de “virtudes” e abriu a Porta Santa num albergue. Madre Teresa de Calcutá vai ser santa.

 

1. Na primeira Missa de Domingo após o Natal, na festa da Sagrada Família, o Papa convidou os pais católicos para ensinarem os filhos a rezar e lembrou que a família deve ser um lugar privilegiado de perdão. “No Ano da Misericórdia, possa cada família cristã tornar-se um lugar privilegiado onde se experimenta a alegria do perdão”, apelou o Papa, no passado dia 27 de dezembro, referindo que “o perdão é a essência do amor, que sabe compreender o erro e pôr-lhe remédio”. É no seio da família, prosseguiu, “que as pessoas são educadas para o perdão, porque se tem a certeza de ser compreendidas e amparadas, não obstante os erros que se possam cometer”. “Não percamos a confiança na família. É bom abrir sempre o coração uns aos outros, sem nada esconder. Onde há amor, também há compreensão e perdão”, sublinhou.

Na oração do Angelus, o Papa alertou para o drama dos migrantes cubanos que estão no centro de um conflito diplomático. “O meu pensamento vai neste momento para os numerosos migrantes cubanos que se encontram em dificuldades na América Central, muitos dos quais são vítimas do tráfico de seres humanos. Convido os países da região a renovar, com generosidade, todos os esforços necessários para encontrar uma solução urgente para este drama humano”, declarou.

 

2. A comunidade internacional deve concentrar todos os esforços para “fazer cessar as atrocidades” em curso por todo o mundo, apelou o Papa no Dia de Natal. Na manhã do dia 25 de dezembro, na varanda da Praça de São Pedro, no Vaticano, Francisco denunciou os conflitos que “ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural de povos inteiros”. “Penso ainda em quantos foram atingidos por hediondos atos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Tunis”, prosseguiu o Papa, durante a bênção ‘Urbi et Orbi’. “Aos nossos irmãos, perseguidos em muitas partes do mundo por causa da sua fé, o Menino Jesus dê consolação e força. São os nossos mártires de hoje”, disse Francisco, pedindo que “o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta”.

Na homilia da Missa do Galo, celebrada na Basílica de São Pedro, a 24 de dezembro, o Papa manifestou que a figura do Menino Jesus é reveladora daquilo que é essencial. “Este Menino ensina-nos aquilo que é verdadeiramente essencial na nossa vida”, declarou o Papa, convidando os cristãos, face ao nascimento de Cristo, a permanecerem “em silêncio”, deixando “aquele Menino a falar”. Na sua homilia, Francisco lembrou ainda que “o Menino” nasceu num estábulo, “na pobreza do mundo”, e que, “a partir deste nada”, surgiu “a luz da glória de Deus”.

 

3. “Apesar das doenças que afetam a Igreja, a reforma continua”, garantiu o Papa Francisco. Um ano depois de Francisco ter baseado a mensagem de Natal aos cardeais da cúria num catálogo de “tentações e doenças curiais”, desta vez a mesma ocasião serviu para lhes propor um “catálogo de 24 virtudes”, uma espécie de antibióticos para combater essas doenças. Em Ano da Misericórdia, a extensa lista de virtudes, acompanhada de reflexões, inclui a idoneidade, a sagacidade, a dimensão espiritual e humana, o uso da razão e a amabilidade, a caridade e a verdade, a doação, a honestidade, a humildade, o ser fiel e a exemplaridade. “Exemplaridade para evitar os escândalos que ferem as almas e ameaçam a credibilidade do nosso testemunho. Fidelidade à nossa consagração, à nossa vocação, lembrando-nos sempre das palavras de Cristo: ‘Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco, também é infiel no muito’”.

Para a eficácia destas virtudes, é preciso ser sóbrio e renunciar à lógica consumista. “A sobriedade – última virtude deste elenco mas não em termos de importância – é a capacidade de renunciar ao supérfluo e resistir â lógica consumista dominante. A sobriedade é prudência, simplicidade, essencialidade, equilíbrio e temperança. A sobriedade é contemplar o mundo com os olhos de Deus e com o olhar dos pobres e do lado dos pobres. A sobriedade é um estilo de vida, que indica o primado do outro como princípio hierárquico e manifesta a existência como solicitude e serviço aos outros. Quem é sóbrio é uma pessoa coerente e essencial em tudo, porque sabe reduzir, recuperar, reciclar, reparar e viver com o sentido de medida”, explica Francisco.

Fundamental é também a conversão e abertura de coração, muito mais decisiva do que todas as portas santas que já se abriram. “É inútil abrir todas as Portas Santas de todas as basílicas do mundo, se a porta do nosso coração está fechada ao amor, se as nossas mãos estão fechadas para dar, se as nossas casas estão fechadas para hospedar e se as nossas igrejas estão fechadas para acolher. A atenção é o cuidado dos detalhes e a oferta do melhor de nós mesmos sem nunca cessar de vigiar sobre os nossos vícios e faltas”, referiu Francisco aos cardeais da Cúria romana.

 

4. O Papa abriu a Porta Santa da Caridade num albergue e refeitório para sem-abrigo no centro de Roma. “A entrada no céu não se paga com dinheiro nem com honrarias”, salientou Francisco, no passado dia 18 de dezembro. Duzentos hóspedes do albergue receberam o Papa, representando todos os Centros de Acolhimento da Cáritas de Roma. Durante a cerimónia, Francisco afirmou que o homem encontra Jesus quando se aproxima com humildade dos descartados da sociedade e dos que sofrem. “Jesus está na humildade e, ao abrir esta Porta Santa, queria que o Espírito Santo abrisse o coração a todos os romanos e os fizesse ver qual é a estrada da salvação”, afirmou o Papa.

 

5. Madre Teresa de Calcutá vai ser canonizada em 2016, confirmou o Vaticano, numa celebração que pode ocorrer a 4 ou 5 de setembro, ainda durante o Jubileu da Misericórdia. A freira albanesa laureada com o prémio Nobel da Paz dedicou a sua vida aos mais pobres dos pobres e vai ser canonizada pela Igreja Católica depois da aprovação de Francisco, que reconheceu a cura de um homem que sofria de vários tumores cerebrais. As provas testemunhais durante o processo de estudo do caso referem que as pessoas próximas do doente rezaram muito a Madre Teresa, de quem a respetiva esposa era especialmente devota.

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