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“Ser misericordiosos sabendo perdoar e sabendo dar-se”
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O Papa Francisco revelou o que entende como caminho da santidade. Na semana em que rezou pela paz em Assis, o Papa agradeceu ao corpo policial do Vaticano, recebeu os Núncios Apostólicos e visitou, de surpresa, os cuidados intensivos de Neonatologia, em Roma.

 

1. O Papa Francisco refletiu sobre a passagem do Evangelho de Lucas, ‘Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso’, que serve de lema ao Ano da Misericórdia. “Não se trata de um slogan, mas de um compromisso de vida, que explicita o mandamento de Jesus no Sermão da Montanha segundo o qual devemos ser perfeitos como o nosso Pai celeste”, afirmou Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 21 de setembro. “Este é o caminho da santidade, ser misericordiosos sabendo perdoar e sabendo dar-se. Saber perdoar, longe de ignorar as exigências da justiça humana, é uma expressão da gratuidade do amor de Deus, que nos convida não a condenar o irmão que peca mas a recuperar a sua dignidade de filho do Pai. Por outro lado, estar dispostos a dar-se, significa reconhecer que, na medida que recebemos de Deus todos os dons, devemos dar-nos aos irmãos, para que nesta mesma medida recebamos ainda mais de Deus”, declarou o Papa, na Praça de São Pedro.

 

2. O Papa Francisco advertiu, durante um encontro inter-religioso pela paz em Assis, contra o “paganismo da indiferença”, a que chamou “um vírus que paralisa, nos torna inertes e insensíveis”. Perante centenas de responsáveis, na passada terça-feira, 20 de setembro, o Papa sublinhou que “hoje o mundo tem uma sede ardente de paz”, e que não se pode deixar cair no esquecimento as “tragédias” que são as guerras e aqueles que por causa delas “se encontram sem voz e sem escuta”. “Nós não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração”, declarou Francisco.

Na Praça de São Francisco, junto do Papa estavam o rabino Abraham Skorka, da Argentina, seu amigo de longa data, Abbas Shuman, vice-presidente da Universidade Al-Azhar (Egipto), e Gijun Sugitani, conselheiro supremo da Escola Budista Tendai (Japão). “Diversas são as nossas tradições religiosas”, apontou o Papa, explicando, de seguida, “para nós, a diferença não é motivo de conflito, de polémica ou de frio distanciamento”. “Hoje não rezamos uns contra os outros”, mas “uns ao lado dos outros, uns pelos outros”, afirmou. “Neste dia, a sede de paz fez-se imploração a Deus, para que cessem guerras, terrorismo e violências”.

Francisco encerrou o encontro com uma reflexão sobre a importância da oração pela paz. “A oração e a vontade de colaborar comprometem a uma paz verdadeira, não a abordagem virtual de quem julga tudo e todos no teclado dum computador, sem abrir os olhos às necessidades dos irmãos nem sujar as mãos em prol de quem passa necessidade. O nosso futuro é viver juntos. Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio. Que os crentes sejam artesãos de paz na invocação a Deus e na ação em prol do ser humano!”, concluiu.

O encontro internacional e inter-religioso pela paz em Assis, com o tema ‘Sede de paz. Religiões e cultura em diálogo’, realizou-se no 30º aniversário do primeiro evento do género, promovido pelo Papa João Paulo II, e terminou com a leitura de um Apelo de Paz, entregue depois a crianças de vários países, para o distribuírem pelos líderes políticos e diplomáticos, após um momento de silêncio pelas vítimas das guerras. No apelo, é pedido que se realize “o encontro no diálogo”, e a oposição “todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo”.

 

3. Na Missa que assinalou o 200º aniversário do Gendamaria, o corpo policial do Vaticano, Francisco agradeceu a honestidade da força. “A vossa tarefa é evitar que se façam coisas más, como as que fazem os exploradores e os corruptos. A vossa tarefa é defender a honestidade, uma tarefa que tantas vezes é mal paga. Eu agradeço-vos o trabalho que fazem. Sei que muitas vezes têm de lutar contra a tentação de muitos que vos querem comprar. Fico orgulhoso em saber que o vosso estilo é dizer ‘não’, que não alinham nisso”, referiu, na homilia da celebração do passado Domingo, 18 de setembro.

Francisco aproveitou a ocasião para denunciar a “corrupção” generalizada na sociedade e a exploração laboral que “esmaga” os pobres”. “Faz-me impressão ver como a corrupção se espalhou por todo o lado”, admitiu, considerando que há três “tipos de pessoas”: “o explorador, o fraudulento e o homem fiel”.

 

4. O Papa Francisco recebeu os Núncios Apostólicos (seus representantes diplomáticos nos cinco continentes), pedindo que as Nunciaturas sejam “verdadeiramente a Casa do Papa” e de acompanhamento às Igrejas locais. Na audiência que decorreu na Sala Clementina, no sábado, dia 17, o Papa explicou que o serviço do Núncio deve ser feito com “sacrifício como humildes enviados” a cada realidade. “Não basta apontar o dedo ou agredir quem não pensa como nós. Esta é uma mísera tática das atuais guerras políticas e culturais mas não pode ser o método da Igreja”, alertou Francisco, pedindo aos Núncios Apostólicos para acompanharem as Igrejas “com o coração de pastores” e os povos “nos quais a Igreja de Cristo está presente”.

Ainda no sábado, o Papa participou numa conferência sobre imigração e a crise dos refugiados, em Roma. “Encorajo-vos a dar as boas-vindas aos refugiados nas vossas casas e comunidades”. A “autêntica hospitalidade” é a “maior segurança contra os odiosos atos terroristas”. Francisco diz que se vive “a mais grave crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial”, mas sublinha que os “65 milhões de refugiados no mundo não são diferentes dos nossos familiares e amigos”.

 

5. O Papa fez uma visita à secção de Neonatologia do Hospital de São João, em Roma, onde se encontravam 12 recém-nascidos, cinco deles nos cuidados intensivos e em estado grave. A visita surpresa no dia 16 de setembro, integrada nas ‘Sextas-feiras da Misericórdia’, foi recebida com espanto pelo pessoal que não esperava ver entrar ali o Papa, com uma máscara na cara e bata vestida, como se exige em zonas assépticas. Francisco deteve-se junto de cada incubadora e saudou os pais de cada recém-nascido, dando-lhes conforto e coragem.

O Papa visitou depois um lar para doentes terminais, onde se encontrou com funcionários e familiares, visitando cada um dos 30 acamados, novamente para grande surpresa dos presentes.

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