Missão |
Mariana Mateus Figueiredo, da Juventude Mariana Vicentina
“Estou tão feliz, que não sei se vivo ou se sonho!”
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No Dia de Natal, recebemos o Menino que se quer fazer presente em cada um de nós. Hoje, somos convidados a conhecer a história da Mariana Mateus Figueiredo que, ao longo do seu percurso, foi acolhendo o Menino na sua vida e, com Ele e com Maria, foi fazendo caminho de atenção ao Outro.

 

Maria, a inspiração da família

Nasci em Vila de Cucujães (Concelho de Oliveira de Azeméis) a 17 de outubro de 1988, e recebi o nome de Mariana, por ter sido 1988 um ano de devoção a Maria. Sou a mais nova de quatro irmãos, numa família católica onde se rezava o terço todos os dias, onde nunca se faltava à Eucaristia dominical, onde a visita aos doentes e a assistência a famílias desfavorecidas estava sempre presente e, por isso, a vivência da Fé era completa.

Integrei o movimento internacional Juventude Mariana Vicentina (JMV) na adolescência, motivada pelo exemplo dos meus irmãos, que eram igualmente elementos deste grupo de jovens. Foi neste movimento que, ao longo de 14 anos, vivi e aprofundei a minha fé, participando em diversas experiências que contribuíram para o meu desenvolvimento espiritual e pessoal. Identifiquei-me profundamente com os valores da JMV, o que me fez e faz estar comprometida com a associação e com a Igreja. Os carismas Laical, Eclesial, Mariano, Vicentino e Missionário foram vividos na paróquia como leitora e membro da assembleia dominial, na participação do terço Mariano, nas visitas aos doentes, aos idosos e às famílias carenciadas, e como voluntária em vários programas de apoio a pessoas portadoras de deficiência, como por exemplo na obra social do Pousal e no Santuário de Fátima.

 

Quando a vivência missionária começa a fazer sentido

Nesta vivência em grupo, iam sendo assumidos gradualmente pequenos compromissos e responsabilidades, que colaboraram igualmente para a minha formação pessoal e espiritual, tendo sido vogal de caridade e missão (2006/2009) e posteriormente presidente do grupo (2009/2012) no centro local de Cucujães. Também assumi funções no conselho regional centro como vogal de caridade e missão (2011/2014) e integrei recentemente, com a mesma função, o Conselho Nacional da JMV.

Nesta caminhada, destaco a presença e o contacto com Padres da Boa Nova em Cucujães, com os quais desde cedo me habituei a ouvir falar de missão, e das Irmãs da Companhia das Filhas da Caridade (Irmãs Vicentinas) da Gandarinha (também em Cucujães). A Irmã Conceição Laranjeiro, das Filhas da Caridade, com a sua vitalidade e dinamismo excecional, foi talvez a pessoa que mais contribui para este meu percurso. Marcou-me a imagem de uma irmã já velhinha, que serviu os pobres e a Igreja na sua motorizada, com um amor incondicional ao Outro, e um dom especial para cativar os jovens. Foi a minha mãe da Fé…

 

Missão que marca a vida

O meu percurso académico e futuro profissional foi influenciado, em larga escala, por tudo o que aqui já foi exposto. Ingressei no curso de Reabilitação Psicomotora em 2007, na Universidade de Évora, motivada por todas estas ricas e diversas experiências, onde adquiri e desenvolvi o gosto pelas relações interpessoais e o interesse pela diferença.

Inspirada por tantos Homens e Mulheres que fazem missão e com o desejo de ir mais longe, fazendo-me perto de quem mais precisa, senti que era hora de dar a este compromisso uma dimensão mais profunda. Cheia de alegria e de mãos dadas com o rosto missionário da Igreja deixei para trás um afilhado com apenas 4 dias de vida, a família, os amigos, o namorado, o trabalho e tantos pequenos luxos, que só percebemos que o são quando lá chegamos… E, assim, em setembro de 2016, durante três meses, integrei a missão de voluntariado “Renascer p'ra Esperança”, da JMV, a decorrer numa pequena localidade Moçambicana, Chirrundzo, que dista cerca de 25km de Chókwé, no Distrito de Xai-Xai, Província de Gaza.

O trabalho com a comunidade local, a dinamização do internato e a revitalização do refeitório social, foram o principal foco neste projeto. O trabalho desenvolvido no refeitório foi aquele que mais me marcou, na medida em que era a valência onde a presença da equipa de missão tinha maior impacto. As crianças que frequentavam o centro tinham histórias de vida muito difíceis. Na sua maioria eram órfãs ou abandonadas pelos pais, e viviam em condições de pobreza extrema… tenho a certeza que muitos dias não chegavam a fazer nenhuma refeição. Para além de receberem o pequeno-almoço e o almoço, eram desenvolvidas atividades de ocupação dos tempos livres, onde podiam aprender a dizer as primeiras palavras em português, cantar, dançar, pintar, brincar e, sobretudo, serem felizes.

No contacto com estes meninos, com as suas famílias e com aquela comunidade tentei perceber o que era ser moçambicano. A experiência não poderia ter sido mais gratificante! No meio da adversidade e da miséria, tanta riqueza na partilha, no acolhimento e na forma de viver deste povo que me inquietou. Nunca eu tinha visto um nascer do sol tão incrível, um pôr-do-sol tão laranja e um céu tão estrelado. Contemplei todos os dias estas maravilhas da natureza e renasci com as cores, os sons, os cheiros e os sabores nunca antes experimentados. Mas o que mais me impressionou, foram os rostos carregados, cansados e com fome, a cantar, a dançar e a rezar de tal forma que toda a miséria se abafava e apenas havia lugar para uma alegria de tal forma contagiante que me inflamou o coração, arrepiou a pele, e me fez chorar tantas vezes ao sentir a presença de Deus. Desde que fui em missão, sinto mais e sou mais!

Estou tão feliz, que não sei se vivo ou se sonho!!!

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