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“A paz constrói-se do coro das diferenças”
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O Papa está de visita a Myanmar (27 a 30 de novembro) e ao Bangladesh (30 de novembro a 2 de dezembro). Na semana em que pediu orações pelo Egipto, Francisco recebeu o novo embaixador português na Santa Sé. Foi publicada a Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz (1 de janeiro).

 

1. O Papa manteve, na terça-feira de manhã, dia 28 de novembro, um encontro com representantes das 17 comunidades religiosas de Myanmar. Num discurso improvisado, uma vez que o encontro não estava na agenda, o Papa valorizou a identidade de cada uma e frisou que “a unidade acontece na diversidade”. “Cada confissão tem os seus valores, as suas riquezas e também as suas deficiências. E a paz constrói-se do coro das diferenças. Conscientes disto, podemos definir um caminho de reconciliação”, defendeu, destacando a palavra “harmonia” como palavra-chave, por ser sinónimo de paz. O Papa salientou ainda que “devemos entender a riqueza das diferenças étnicas, religiosas e populares como algo positivo”. “É dessas diferenças que nasce o diálogo”, frisou. Desta maneira, o Papa Francisco consegue contornar a palavra “rohingya” (comunidade muçulmana perseguida no país e que tem levantado fortes críticas no seio da comunidade internacional) e ir ao cerne da sua mensagem: diálogo e respeito uns pelos outros.

Depois do encontro com os representantes das várias comunidades religiosas, o Papa reuniu-se a sós com o líder dos budistas (o budismo é a principal religião em Myanmar). Num comunicado muito breve, o porta-voz do Papa afirma que este encontro teve como objetivo um esforço de encorajamento para a paz e coexistência fraterna como única saída para o futuro (sendo conhecido que os próprios budistas apoiam a iniciativa militar contra a minoria rohingya).

 

2. O Papa Francisco encontrou-se com os líderes políticos do Myanmar, na capital Nepiedó. Apesar de o problema dos rohingya estar a mais de 300 quilómetros de distância, o assunto esteve presente em ambos os discursos, do Papa e da conselheira do Estado – posição equiparável à de primeira-ministra – Aung Suu Kyi, prémio Nobel da Paz. A líder birmanesa referiu-se à mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz de 2017, em que aponta as bem-aventuranças como “programa e desafio para líderes políticos e religiosos” na construção da paz. “Sua Santidade, os dons da compaixão e encorajamento que nos traz serão estimados e levaremos a peito as suas palavras na mensagem pelo Dia Mundial da Paz”, garantiu.

Francisco disse aos seus anfitriões que a sua grande prioridade deve ser “curar as feridas” existentes no país. “Myanmar foi abençoado com o dom de uma beleza extraordinária e numerosos recursos naturais, mas o maior tesouro dele é, sem dúvida, o seu povo, que sofreu muito e continua a sofrer por causa de conflitos civis e hostilidades que duraram muito tempo e criaram profundas divisões. A cura destas feridas não pode deixar de ser uma prioridade política e espiritual fundamental. O árduo processo de construção da paz e reconciliação nacional só pode avançar através do compromisso com a justiça e do respeito pelos direitos humanos”, apelou o Papa.

 

3. O Papa pediu orações pelo Egipto. “Foi com grande dor que soube, na sexta-feira passada, da notícia do massacre que teve lugar numa mesquita no norte do Sinai, no Egipto. Continuo a rezar pelas numerosas vítimas, pelos feridos e por toda aquela comunidade, tão duramente atingida. Que Deus nos livre destas tragédias e apoie os esforços de todos os que trabalham pela paz, concórdia e convivência. Essas pessoas, naquele momento, rezavam. Rezamos também em silêncio por elas”, pediu Francisco, durante o Angelus do passado Domingo, 26 de novembro, referindo-se ao massacre que fez mais de 300 mortos no Egipto, quando um grupo de militantes atacou uma mesquita frequentada pela comunidade sufi, na Península do Sinai.

Francisco pediu também orações pelo sucesso da sua viagem à Ásia: “Esta noite começo a minha viagem apostólica ao Myanmar e ao Bangladesh. Peço que me acompanhem com as vossas orações, para que a minha presença junto daquela população seja um sinal de proximidade e de esperança”.

 

4. O novo embaixador de Portugal junto da Santa Sé, António de Almeida Lima, apresentou, na manhã de dia 25 de novembro, as suas credenciais ao Papa Francisco. “É um dia muito importante para qualquer embaixador e é um dia muito importante para Portugal, porque estas relações que mantemos com a Santa Sé, há muitos séculos, são relações de grande proximidade, grande responsabilidade e relações que se renovam regularmente”, referiu o embaixador, revelando que “o Papa referiu com muito calor a sua recente visita a Fátima”. Francisco falou ainda do “grande apreço que tem pelos portugueses”. “Em particular os portugueses emigrantes na Argentina, que conheceu bastante bem, até porque trabalhavam junto da sua família e deixaram marcas indeléveis junto do Papa como gente trabalhadora, gente de bem, exemplos de vida”, frisou António de Almeida Lima.

Na apresentação das suas credenciais ao Papa, o embaixador ofereceu dois quadros do pintor português João de Sousa Araújo.

 

5. O drama dos refugiados é o tema central da Mensagem do Papa para o 51º Dia Mundial da Paz, celebrado no primeiro dia de cada novo ano. Segundo o texto divulgado pelo Vaticano, no passado dia 24 de novembro, Francisco condena claramente o que considera a “retórica” do medo e da xenofobia. “Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz semeia violência, discriminação racial e xenofobia”, escreve o Papa, no documento ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’.

Francisco lamenta que, em muitos países de destino, se tenha generalizado a “retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus”. Lembrando que este é um fenómeno que continuará a “marcar o nosso futuro” – assim indicam todas as previsões – convida todos a encararem as migrações não como “uma ameaça”, mas “com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz”. É preciso ver nos migrantes e refugiados pessoas que “trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas”, reforça Francisco.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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