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“Temos de rezar por estes irmãos que estão em guerra”
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O Papa apelou à oração pela “terra martirizada” da Síria. Na semana em que apontou a “rede familiar” como “fundamental” para os doentes terminais, Francisco nomeou Arcebispo e Núncio Apostólico um sacerdote português. Numa paróquia de Roma, o Papa deixou uma mensagem em defesa dos idosos.

 

1. Na audiência geral, esta quarta-feira, o Papa pediu orações pela “terra martirizada” da Síria, ao saudar os peregrinos do Médio Oriente. “Temos de rezar por estes irmãos que estão em guerra e pelos cristãos perseguidos, que querem expulsar daquela terra”, pediu o Papa aos fiéis, no auditório Paulo VI, que acolheu o encontro, por causa do frio em Roma. Na catequese, Francisco falou sobre a "apresentação das oferendas" nas Missas. "O Senhor pede-nos, na vida diária, boa vontade; pede-nos o coração aberto, pede-nos o desejo de sermos melhores e para se dar Ele mesmo a nós na Eucaristia, pede-nos estas ofertas simbólicas que depois se tornam o Corpo e o Sangue”, referiu o Papa, dando continuidade à série de catequeses sobre a Missa. Francisco explicou que o sacerdote, na Missa, “representa Cristo, cumpre aquilo que o próprio Senhor fez e confiou aos discípulos na Última Ceia: ‘Tomou o pão e o cálice, deu graças, deu-o aos seus discípulos, dizendo: Tomai e comei...bebei: este é o meu corpo... este é o cálice do meu sangue. Fazei isto em memória de mim’”. O Papa explicou que a Igreja dispôs a Liturgia Eucarística “em momentos que correspondem às palavras e aos gestos realizados por Ele, por Jesus, na véspera de sua Paixão. Assim, na preparação dos dons são levados ao altar o pão e o vinho, isto é, os elementos que Cristo tomou em suas mãos”.

No final da audiência, duas bordadeiras da Vila de Óbidos ofereceram ao Papa Francisco uma casula trabalhada à mão.

Neste mesmo dia, e apesar de ainda não ter sido confirmado pela Santa Sé, foi noticiada a viagem do Papa Francisco, no próximo mês de junho, a Genebra, Suíça, para participar no Congresso do ‘Conselho Mundial das Igrejas’ que se reúne para discutir a paz no Médio-Oriente.

 

2. O Papa Francisco destacou, também nesta quarta-feira, a responsabilidade da sociedade “não abandonar” os doentes terminais, aqueles que se confrontam com o fim da vida, “um limite insuperável, que pode suscitar revolta e angústia”. Numa mensagem enviada aos participantes de um congresso internacional sobre Cuidados Paliativos, que decorreu em Roma, organizado pela Pontifícia Academia para a Vida, o Papa frisou que “quando todos os recursos” da medicina se esgotam tem de emergir aquele que é “o aspeto mais importante nas relações humanas”. O estar “próximo”, o acompanhar quem sente a “impotência de ter chegado ao ponto extremo da sua vida”. Porque só assim é que “este pode mudar de significado”, e “deixar de ser separação e solidão para ser ocasião de encontro e comunhão”, especificou o Papa argentino. Na mesma mensagem, Francisco destacou ainda a importância “do acompanhamento espiritual, da oração e da família” nestas “fases finais da vida”. “A rede familiar, por mais frágil e desagregada, constitui sempre um elemento fundamental”, completou.

 

3. No dia 26 de fevereiro, o Papa Francisco nomeou arcebispo e núncio apostólico o Monsenhor José Avelino Bettencourt. O sacerdote português era, até agora, um dos responsáveis pelo protocolo da Santa Sé. A partir do dia 19 de março o padre nascido nos Açores, mas ordenado no Canadá, para onde foi viver com apenas três anos, será ordenado Bispo e entra ao serviço do Papa como embaixador, ou núncio apostólico. Sobre a missão que lhe estará confiada, o novo núncio nada pode dizer ainda, mas recorda que antes do protocolo ou da diplomacia, há outra missão. “Eu gosto de recordar a mim mesmo que sou primeiro, e sobretudo, um sacerdote. Como os outros sacerdotes e com a mesma missão dos outros sacerdotes. A Igreja chamou-me para uma missão particular, que sempre procurei abraçar, e de servir o máximo possível”, disse, em entrevista à Ecclesia.

 

4. No Domingo, após a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, em Roma, o Papa Francisco apelou novamente à cessação da violência “desumana” na Síria. “Este mês de fevereiro foi um dos mais violentos em sete anos de conflito: centenas, milhares de vítimas civis, crianças, mulheres, idosos. Até os hospitais foram atingidos. As pessoas não encontram comida”, descreveu o Papa. “Irmãos e irmãs, tudo isso é desumano! Não se pode combater o mal com o mal. A guerra é o mal!”, sentenciou Francisco, pedindo que seja garantido o acesso dos comboios de ajuda humanitária aos mais necessitados, sobretudo na região de Ghouta. “Dirijo o meu sincero apelo à cessação imediata da violência, que seja garantido acesso à ajuda humanitária – alimentos e medicamentos – e que sejam retirados os feridos e doentes. Oramos a Deus que isso aconteça sem demora”, apelou.

 

5. Durante uma visita à paróquia de São Gelásio I, em Roma, Francisco deixou uma mensagem em defesa dos idosos. “Vós sois os braços, os braços dos mundo debaixo das cinzas: debaixo das dificuldades, debaixo das guerras estão estes braços, braços de fé, braços de esperança, braços de alegria escondida”, disse o Papa, no passado Domingo, 25 de fevereiro. As crianças ofereceram a Francisco um saco cheio de cartas e desenhos, contando-lhe detalhes da sua vida na paróquia; o pontífice, por sua vez, brincou com o mau tempo, e disse que um cristão deve ser “avançar com coragem, nos dias bonitos e nos dias feios”. No encontro dos idosos e doentes, que abraçou, um a um, abençoando fotos e terços. Já em privado, o pontífice saudou trabalhadores da Cáritas, voluntários dos bancos farmacêuticos e alimentar, bem como os pobres ajudados por estes serviços; o Papa falou ainda com dois jovens imigrantes da Gâmbia, acolhidos pelo paróquia, antes de confessar alguns fiéis. Na homilia improvisada, o Papa sublinhou que Jesus não foi um “libertador terreno”, vencedor de batalhas. “O caminho de Jesus é outro: Jesus vence através da humilhação, da humilhação da Cruz”. Nos momentos mais duros, Cristo “nunca” deixa ninguém só. “Avancemos, nesta Quaresma, com estas duas coisas: nas provações, recordar a alegria de Jesus, isto é, aquilo que nos espera; que Jesus está presente, sempre, com a sua glória, para dar-nos força. E durante toda a vida, ouvir Jesus, o que Jesus nos diz, no Evangelho, na liturgia, fala-nos sempre, ou no coração”, concluiu.

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