Missão |
Rui Filipe Fontinha Vieira, dos Leigos para o Desenvolvimento
“Foi um ano exigente, mas reconfortante e de enorme felicidade e partilha”
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Rui Filipe Fontinha Vieira nasceu a 11 de agosto de 1988 em Alijó, na Diocese de Vila Real. É licenciado e mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Em setembro de 2014 partiu em missão por um ano para São Tomé e Príncipe com os Leigos para o Desenvolvimento.


Os seus pais são naturais de Alijó onde vivem e trabalham. Tem uma irmã de 24 anos e, apesar de residir e trabalhar (integrado numa sociedade de Advogados) atualmente no Porto, regressa à sua terra natal sempre que tem oportunidade. Recebeu os sacramentos do Batismo, Eucaristia e Crisma na Igreja Paroquial de Santa Maria Maior em Alijó. É Escuteiro do Corpo Nacional de Escutas desde 1994, no Agrupamento 756-Alijó, “tendo sido Lobito, Explorador, Pioneiro e Caminheiro”. “Realizei a minha Promessa de Dirigente em 2011. Exerci vários cargos no Agrupamento e na Região, sendo atualmente Chefe de Agrupamento. É, sem dúvida, uma “escola de vida” incrível, completa e que permite o desenvolvimento de muitas competências, que dificilmente se adquirem noutra organização. Para além disso é um meio privilegiado para o crescimento e aprofundamento da Fé que, comigo, se verificou especialmente”, partilha. Realizou todo o ensino básico e secundário em Alijó. Em 2006 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, onde se licenciou em Direito, e de seguida concluiu o Mestrado em Direito com especialização em Ciências Jurídico-Políticas, com a Tese intitulada “Intolerância contra os Cristãos na Europa e Liberdade de Proselitismo, hoje”. É solteiro, mas tem “casamento agendado para o dia 15 de Setembro de 2018, com a Susana”, com quem namora desde 2015.

 

“É difícil resumir o ano de Missão em São Tomé e Príncipe”

Em 2013 inscreveu-se na formação dos Leigos para o Desenvolvimento que teve a duração de nove meses. “Para além do objetivo principal que a mesma encerra, senti me proporcionou um crescimento humano e de fé muito grande. No final, após um discernimento acompanhado e esclarecido, decidi colocar-me ao dispor dos Leigos para o Desenvolvimento para partir em missão.” Em setembro de 2014 foi enviado em missão por um ano para São Tomé e Príncipe. Consigo partiram “a Carlota, o João, a Joana, a Susana o Emanuel e o Bruno, a Comunidade LD 2014-2015”. Ficou responsável por vários projetos: “Dinamização de um Grupo Comunitário – grupo onde se reúnem as ‘forças vivas’ da comunidade para, em síntese, sinalizar e encontrar soluções para os desafios que se colocam à comunidade enquanto tal; ajuda ao regular funcionamento de uma Associação de Moradores – organização que, com uma estrutura associativa, tenta zelar pelos interesses dos moradores; colaboração na construção de um Centro Comunitário – projeto saído da reflexão do Grupo Comunitário, para construção de um espaço que permitisse levar a cabo as mais diversas atividades para a Comunidade; celebração da Palavra – em 2014-2015, as comunidades do sul de São Tomé (Porto Alegre, Malanza, Ponta Baleia e Ilhéu das Rolas) apenas tinham a presença do seu Pároco duas vezes por mês. Nesse sentido, cabia à comunidade dos Leigos para o Desenvolvimento organizar a Celebração da Palavra nos restantes Domingos, cabendo-me a mim a função de dinamizar a mesma.” Partilha que “foi um ano exigente, com muitos desafios mas, ao mesmo tempo, reconfortante e de enorme felicidade e partilha. Em geral, os projetos referidos tiveram um desempenho positivo. O Grupo Comunitário, como ‘motor’ de uma comunidade onde o Poder Local e Central praticamente não chegam, foi responsável pela existência de vários acontecimentos, como a chegada de eletricidade a Malanza, a organização de um atividade de final de ano para toda a comunidade, a possibilidade de reflexão e início de ação relativamente à limpeza da Comunidade e tratamento adequado do lixo produzido, a sensibilização para a necessidade de uma utilização responsável da água, entre outras. O Centro Comunitário passou a ser uma realidade para Porto Alegre, sendo atualmente o palco principal para várias atividades. Palestras, encontros de grupos informais, festas, etc. Para além destes projetos, os Leigos para o Desenvolvimento desenvolvem outros nas áreas da educação, dinamização comunitária, formação profissional ou empreendedorismo, sem esquecer a dimensão pastoral da Missão. As orações, pessoal e comunitária, diárias eram o combustível que permitia, dia após dia, manter o foco no essencial e nos objetivos da Missão. As pessoas, esse tesouro maior que São Tomé e Príncipe tem, faziam por nos sentirmos praticamente em casa, desde o primeiro dia. Aliás, São Tomé e Príncipe é, definitivamente, uma das minhas casas. O caminho entre Malanza e Porto Alegre ou Ponta Baleia, grande parte das vezes feito a pé, trazia sempre aquele encontro mais demorado, com partilha de histórias que deliciam quem as ouve e nos faz agradecer a Deus a possibilidade de estar ali; tal como aquelas incursões pelo seio da comunidade, em que havia sempre a possibilidade de ‘apenas estar’. E por fim, mas não o menos importante, de longe, a ‘comunidade LD’, imbuída da proposta de viver segundo os ideais da ‘simplicidade e pobreza’. O local onde eram partilhadas as alegrias e os desencantos dos projetos. Onde se riu e chorou, se confidenciou e onde, graças a Deus, se discutiu muito! Aquele porto seguro onde, por muitas que tenham sido as dificuldades, todos nos aportamos e nos sentíamos ‘família’. É difícil, muito difícil mesmo, resumir o ano de Missão em São Tomé e Príncipe em poucas palavras. Serão sempre limitadas para exprimir todos os sentimentos e momentos vividos”.

 

Um desafio de crescimento, humano e espiritual

Sobre o regresso a Portugal, diz-nos que “trouxe o embate com uma realidade antiga mas esquecida durante o ano de Missão. Uma realidade substancialmente diferente onde, muitas vezes, o acessório se sobrepõe ao essencial. Mas também uma realidade onde se volta a ter a companhia da família e dos amigos de sempre, onde se sente o conforto daqueles que mais sentiram a nossa partida”. Atualmente, encontra-se a realizar um novo caminho: “A Susana e eu, como parte do nosso caminho a dois, mas também ‘a três’, encontramo-nos a realizar, no Centro Missionário Arquidiocesano de Braga, a formação do ‘Salama’, um projeto de cooperação entre a Arquidiocese de Braga e a Diocese de Pemba, Moçambique. Neste momento, surge igualmente como um desafio de crescimento, humano e espiritual, cujo saldo, independentemente da decisão e resultado final, será sempre positivo”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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