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“O verdadeiro escravo é aquele que não é capaz de amar”
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O Papa Francisco lembrou as formas de escravidão. Na semana em que convocou os presidentes das Conferências Episcopais para cimeira sobre os casos de abusos, o Papa alertou para a perseguição “diabólica” contra os bispos, criticou a discriminação de doentes e pessoas com deficiência e apelou à união da Igreja.

 

1. O Papa Francisco prosseguiu a reflexão sobre o terceiro mandamento, lembrando diversas formas de escravidão. “O terceiro mandamento da Lei de Deus, sobre repouso semanal, permite que agradeçamos e bendigamos pelo dom da criação, como também que celebremos a memória da libertação da escravidão. Há muitas formas de escravidão: a escravidão física, como a dos hebreus no Egito, como também formas de escravidão interior, sendo a pior de todas a escravidão do próprio ego. Este acaba por se converter num carrasco que nos atormenta e nos conduz à opressão do pecado, que nos impede de alcançar um verdadeiro repouso. De facto, o verdadeiro escravo é aquele que não é capaz de amar, porque está escravizado pelo orgulho, inveja, ira, gula, preguiça, luxúria e avareza. Neste sentido, para nós, cristãos, o dia de repouso, o Domingo, é dia da liberdade: da vitória de Cristo que através do seu amor doado na cruz, arrancou-nos dos grilhões da morte e do pecado. Jesus liberta-nos da escravidão do egoísmo e torna-nos capazes de amar”, garantiu o Papa, durante a audiência-geral de quarta-feira, dia 12 de setembro, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

 

2. O Papa Francisco convocou os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo para uma cimeira sobre a proteção de crianças, que vai decorrer de 21 a 24 de fevereiro de 2019. A notícia foi divulgada esta quarta-feira, na sequência do encontro do conselho de cardeais que aconselham o Papa sobre a reforma das estruturas da Igreja. Segundo a nota divulgada pela Santa Sé, nesta reunião com o Papa foi refletido “amplamente” sobre o tema dos abusos.

Dois dias antes, a 10 de setembro, o conselho de cardeais anunciou que a Santa Sé deverá prestar, em breve, esclarecimentos sobre as polémicas que têm afetado a Igreja. A nota dos cardeais, que estiveram reunidos em Roma, tem apenas três parágrafos, mas termina com uma expressão de solidariedade para com Francisco. Segundo a nota, o conselho “expressou a sua total solidariedade com o Papa Francisco em relação ao que se tem passado nas últimas semanas, sabendo que no contexto da atual polémica a Santa Sé está para fazer os eventuais e necessários esclarecimentos”.

 

3. O Papa alertou para o que considera ser uma perseguição “diabólica” contra os bispos em todo o mundo, apelando a uma atitude de “oração” e “proximidade”, neste momento difícil. “A força do bispo contra o grande acusador [o diabo] é a oração, a de Jesus sobre ele e a própria oração; e a humildade de sentir-se escolhido e de permanecer próximo do povo de Deus, sem ir em direção a uma vida aristocrática que lhe tira essa unção”, assinalou Francisco, na homilia da Missa a que presidiu, na capela da Casa de Santa Marta, no Vaticano, na manhã do passado dia 11 de setembro.

O Papa aludiu a um momento “em que parece que o grande acusador se soltou e persegue os bispos”. “[O diabo] procura desvendar os pecados, que se vejam, para escandalizar as pessoas. O grande acusador que, como ele mesmo diz a Deus no primeiro capítulo do Livro de Job, ‘vagueia pelo mundo procurando como acusar’”, acrescentou.

 

4. O Papa Francisco criticou a discriminação de doentes e pessoas com deficiência, pedindo que deixem de ser vistos como um “problema” pela sociedade. “O medo leva-nos a marginalizar o doente, quem sofre, a pessoa com deficiência; há muitos modos de marginalizar, também com uma pseudopiedade ou com a eliminação do problema: ficamos surdos ou mudos diante das pessoas marcadas pela doença, a angústia e as dificuldades”, assinalou o Papa, após a oração Angelus, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, na manhã do passado Domingo, 9 de setembro.

Francisco lamentou que, “muitas vezes”, os doentes e as pessoas com deficiência se tornem “um problema, quando deveriam ser ocasião para manifestar solicitude e solidariedade” na sociedade, face aos mais fracos.

A reflexão dominical, a partir da janela do apartamento pontifício, partiu da passagem do Evangelho da cura, por parte de Cristo, de um surdo-mudo. “Jesus age sempre com discrição, não quer dar nas vistas, não está à procura de popularidade ou sucesso, mas deseja apenas fazer bem às pessoas”, assinalou o Papa, sublinhando que esta cura representou uma “abertura” aos outros e ao mundo. “Trata-se de abrir-se às necessidades dos nossos irmãos que sofrem e precisam de ajuda, fugindo do egoísmo e do coração fechado”, apontou.

 

5. O Papa recebeu em audiência uma delegação de bispos provenientes de territórios de missão nos vários continentes, tendo-lhes pedido dinamismo no trabalho pastoral. Francisco pediu aos prelados para cuidarem particularmente de realidades como “as famílias e os jovens” e para terem sempre em atenção a salvaguarda daquela que deve ser a missão da Igreja Católica no meio das pessoas. Algo que não aconteceu “em numerosas comunidades nas quais se verificaram comportamentos de abuso sexual, de poder e de consciência”, apontou. A este propósito, o Papa frisou que “a Igreja precisa de união, não de solistas fora do coro ou de quem corre atrás de objetivos pessoais”.

Neste encontro com os 74 bispos, de 34 países, que participaram num seminário organizado pela Congregação para a Evangelização dos Povos, Francisco lembrou os prelados do imperativo que transportam consigo, desde a ordenação, de estarem sempre presentes e atentos às necessidades dos povos, especialmente daqueles “que experimentam a marginalidade e a degradação”. “Não é possível anunciar o Evangelho sentado, mas a caminho. Um bispo não é um oficial de escritório, ou um administrador empresarial, mas deve viver no meio do povo, pelas estradas do mundo, como Jesus. Levar Deus onde Ele não é conhecido, onde Ele é desfigurado e perseguido”, salientou, reforçando que um bispo é essencialmente um “homem de oração, de anúncio e de comunhão”.  “É fácil levar uma cruz ao peito, mas o Senhor pede-nos para levar uma cruz muito mais pesada às costas e no coração: pede-nos para partilhar a sua cruz”, completou o Papa Francisco.

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