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Porquê casar pela Igreja?
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Fará sentido nos dias de hoje casar pela Igreja? Será uma tradição de antigamente, que aos olhos e à realidade do mundo de hoje, é desadequada e desatualizada? Um compromisso para a vida toda, não só na alegria, mas também na tristeza, não só na saúde, mas também na doença?

Hoje em dia aos olhos do mundo poderá parecer que não faz sentido casar pela igreja, que o arrependimento pode chegar a qualquer hora, que as vontades com o tempo podem mudar, e por isso mais vale não assumir um compromisso assim tão sério, ainda mais na Igreja, que parece que trás uma solenidade maior.

A verdade é que para nós casar pela Igreja continua a fazer todo o sentido. E porquê?

Porque trás Jesus à história do casal. E como é tão mais rico que convidemos e vivamos com Jesus esta história. Uma história que não começa no dia do casamento, mas que já começou no namoro. E por isso convidamo-Lo para que continue a fazer parte, todos os dias da vida em casal, para um futuro novo que começa ali. É Jesus a força que nos impele sempre a sermos mais e melhor para o outro.

Casar pela Igreja é olhar também para o matrimónio como vocação, que nos leva a celebrar um sacramento. Sacramento que através do casal se torna sinal do amor de Deus no mundo e para o mundo. Que mostra o amor maior que há, que leva cada um dos membros do casal a desejar e a trabalhar para o bem maior do outro. É viver o matrimónio e tudo o que ele trará como um chamamento de Deus, que nos convoca à missão de amar e ser amado e de amar como Ele ama, sem reservas, com gratuidade total. Casar pela Igreja é acreditar que o Matrimónio é uma aliança e não apenas um contrato que nos une, mas uma aliança que se celebra e que todos os dias é renovada.

Ao mantermos o propósito de percorrermos este caminho lado a lado com Jesus, ficamos comprometidos, a aliança torna-se mais forte e conscientes que mesmo que venham as tempestades, os obstáculos, os medos e as dúvidas, a promessa de amor não esmorece ou diminui, pelo contrário aumenta, fortalece-se, reinventa-se e dá frutos.

Ao aceitarmos fazer este caminho, de casar pela Igreja, somos chamados constantemente a darmos um testemunho fiel do sacramento que celebrámos, do vínculo que estabelecemos com Jesus e com o nosso cônjuge, respondendo na vida e com a vida como esposos muito amados por Deus.

Ainda que nos momentos alegres e de saúde, se torne mais fácil, são esses que nos permitem absorver a capacidade que nos irá suportar nos momentos mais tristes e de doença.

Sempre que nos mantivermos firmes no nosso propósito do amor incondicional que recebemos de Deus, entregamo-nos e damo-nos por completo ao outro, na esperança e na construção de um projeto de amor que cresce e se concretiza no “sim” afirmado no dia do matrimónio.

Casar pela Igreja mais que um desejo de viver uma vida em comum, é acreditar que Deus nos chama, através do Matrimónio, e se faz presente através d´Ele. E isso é uma grande responsabilidade, mas também é uma grande maravilha, pois interpela-nos a sermos mais um para o outro, mas também para o mundo. Nas realidades onde estamos a cada dia.

texto por Rita e João Pedro

 

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Teologia do Corpo - De que se fala hoje, quando se fala de amor?

São João Paulo II era um verdadeiro pastor que levava a sério as questões existenciais colocadas pelas pessoas que ele acompanhava. Muitos namorados e muitos casais perguntavam como conciliar a dificuldades e constrangimentos da vida de casal e de família com o profundo desejo de santidade que tinham. Responder a este anseio do coração humano, tornou-se a sua prioridade. São João Paulo II desenvolveu uma abordagem filosófica, que não tendo propriamente novidade na doutrina, acabou por ser uma novidade na forma de falar do amor porque partia da própria experiência subjetiva do homem que ele encontrava retratada até nas Escrituras. Ou seja, ele mostrou o caminho, que tinha sido traçado por Deus, para que a partir da experiência de ser um corpo, o homem pudesse conhecer o próprio Deus.

A pedra angular da antropologia de João Paulo II, a que ele próprio chamou Teologia do Corpo, é a raiz personalista que afirma que o homem é digno apenas de amor e nunca pode ser usado como uma coisa, nem pelo próprio Deus. Já aqui se vê como o Papa foi profeta, ao alertar para a profunda desumanização dos caminhos tão em voga do hedonismo e do individualismo.

A Teologia do Corpo assenta num tripé, três conhecidas conversas de Jesus com os homens do seu tempo, que podíamos ser nós mesmos:

A primeira, quando fala aos Fariseus sobre o adultério e lhes diz que “no princípio não era assim” (Mt 19, 3-9) apontando para a criação para nos fazer pensar no plano original de Deus para o Homem e para a Mulher. Neste primeiro ciclo de catequeses, a partir dos dois relatos da criação, João Paulo II mostra como “sozinho o homem não realiza plenamente a sua essência. Ele realiza-a apenas existindo ‘com alguém’ e mais profunda e completamente ainda ‘para alguém’… a comunhão de pessoas significa existir num ‘para’ reciproco de dom mutuo.” (TdC 9jan1980).  O homem percebe esta sua essência a partir da experiência da solidão original e da unidade original que lhe são dadas pelo fato de ser um corpo e de ser criado à imagem e semelhança de Deus: livre, com consciência de si, e com a capacidade de amar da mesma forma que Deus ama.

A segunda conversa de Jesus é o conhecido Sermão da Montanha (Mt 5, 1-7) em que João Paulo II destaca a expressão “Felizes os puros de coração porque verão a Deus”, para nos indicar que a verdadeira batalha entre as forças do bem e do mal, é travada no coração do homem, afastando-nos de qualquer interpretação maniqueísta de tensão entre corpo e espirito, mas remetendo-nos para a necessidade de integração e de unidade. No mesmo capítulo de Mateus, em Mt 5, 29, Jesus refere-se ao adultério cometido no coração reforçando o apelo a que os nossos corações recuperem a pureza do olhar perdida com o pecado original, quando a vergonha se introduziu na vida do homem. São João Paulo II não se cansa de repetir que “a pureza é indispensável para o amor” (TdC 2dez1980).

A terceira palavra de Jesus é a conversa que tem com os Saduceus sobre a vida depois da morte (Mc 12, 18-27). Neste colóquio, Jesus diz que Deus “não é um Deus de mortos, mas de vivos” para nos falar da ressurreição dos corpos. O matrimónio agora, no tempo, é um sinal, uma analogia do amor de Deus pela humanidade, de Cristo pela Igreja. Na eternidade, onde estaremos face a face com Deus e onde não serão necessárias analogias, nem sinais, o matrimónio já não será necessário. “A participação na natureza divina, a participação na vida interior do próprio Deus,… atingirá então o seu auge, pelo que a vida do espirito humano chegará a uma plenitude que antes lhe era absolutamente inacessível” (TdC9dez1981).

Depois de ter lançado o tripé para o entendimento do significado do amor humano e do que ele chama o significado esponsal do corpo, que se realizará plenamente na eternidade, João Paulo II detém-se a aprofundar o celibato consagrado como antecipação desse estado de plena união com Deus, e do matrimónio como sacramento dessa união, visível aqui e agora.

Podíamos ainda acrescentar dois conceitos chave para entender o que a Teologia do Corpo nos revela: castidade e comunhão. Deixo estas palavras como desafio a cada um para aprofundar o maravilhoso plano de Deus para o amor humano.

Para conhecer melhor o plano divino para viver o amor humano, realiza-se regularmente na nossa diocese o Fórum Wahou! Está aberto a todos os interessados. Poderão saber mais no site http://www.teologiadocorpo.org/forum-wahou.

texto por Maria José Vilaça, CERTA – Centro de Estudos e Recursos Teologia do Amor

 

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Oração em Família

Este mês dedicamos a nossa oração aos namorados: aos jovens namorados, mas também aqueles que pelo sacramento do matrimónio são eternos namorados.

Para nos guiar nesta reflexão, recuperámos as palavras do Santo Padre, aquando do Encontro das Famílias, nas Filipinas, a 16 de janeiro de 2015.

 

Proposta de oração

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Ámen.

Oração

Senhor nosso Deus, que inspirados pelo sonho de São José e no dom da Sagrada Família que lhe foi confiado, nunca percamos a capacidade de “repousar” em Ti e de sonhar. Que sejamos capazes de sonhar a nossa vida conjugal, de sonhar o futuro dos nossos filhos, e de sermos testemunhas alegres do sonho dos jovens namorados.

Ámen.

Leitura (Mt 1, 18-25)

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.»

Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco. Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. E, sem que antes a tivesse conhecido, ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus.

Reflexão e partilha

No meu dia-a-dia dou espaço ao meu “repouso” no Senhor? Confio-Lhe as minhas preocupações e dificuldades?

Sonho a minha relação com o meu esposo(a)/namorado(a)?

José foi “chamado por Deus a construir uma casa para Jesus.” E eu, aceito o convite de Deus, para construir esta casa para Jesus?

Depois do sonho, José é chamado a agir. Que ações concretas podem derivar do meu sonho?

Acção de Graças

Pai do céu,

Obrigada por estares presente em todos os momentos da nossa vida familiar, sejam eles mais felizes ou mais tristes.

Pedindo “a intercessão de São José, que é amigo do Anjo, para saber quando podemos dizer «sim» e quando devemos dizer «não»”, ajuda-nos a caminhar para a santidade na verdade, no amor e na fé. Que Tu sejas sempre o pilar principal da nossa relação.

Perdoa-nos Senhor pelas vezes que nos perdemos de Ti e por todas as vezes que nos perdemos um do outro, às vezes sem nos apercebermos.

Perdoa-nos pelas vezes em que não sabemos desculpar, crer, esperar e suportar.

Ajuda-nos a nós e a todos os pares de namorados a seguirmos a tua vontade e fazermos o caminho do discernimento da nossa vocação conTigo, sozinhos e lado a lado. Que sejamos Teu espelho na entrega um ao outro e que o nosso amor seja esperança de entrega também para os que nos rodeiam.

Que a nossa mãe Maria e a sua tranquilidade estejam também sempre presentes nesta entrega ao outro.

Avé Maria

Glória

 

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Vai Acontecer

Caminhada para Namorados e Casais Novos

A Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa promove no dia 16 de Fevereiro uma caminhada para namorados e casais novos (até 7 anos de casamento), desde o Forte de Santo António (São João do Estoril) até Cascais.

Com o tema «Não sejas morno» (Cf. Apoc. 3,15), os participantes terão oportunidade de dialogar e refletir, entre as 15:00 e as 19:00, sobre esta temática e medir a ‘temperatura’ da relação.

O ponto de encontro para início da caminhada é às 14h45 no Forte de Santo António e para quem vai de comboio deverá sair na estação de S. João do Estoril. Estará alguém da equipa na estação para receber os participantes.

Participem, vai ser uma caminhada especial!

 

Jornada Diocesana de agentes de Pastoral Familiar

A Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa convida todos os agentes de Pastoral Familiar para a Jornada Diocesana que se realizará no Sábado, dia 23 de Fevereiro de 2019 no Centro Diocesano de Espiritualidade do Turcifal. Sob o tema “A Arte do Acompanhar, iremos promover um dia de formação para aprofundar as interpelações das Exortações Apostólicas: ‘A Alegria do Evangelho’ e ‘A Alegria do Amor’. Será também uma oportunidade para reflexão e partilha sobre a importância da arte de acompanhar as famílias nos vários âmbitos da vida das famílias.

Destina-se a todos os agentes de pastoral familiar: equipas paroquiais e vicariais de pastoral da família, aos agentes de preparação para o batismo, agentes de preparação para o matrimónio, responsáveis de movimentos familiares, a todas as famílias que queiram aprofundar esta temática.

Inscrições até dia 16 de Fevereiro de 2019. Participe!

textos pela Pastoral Familiar de Lisboa
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
Pode dizer-se que as Bem-Aventuranças correspondem a um dos textos centrais da civilização moderna....
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P. Gonçalo Portocarrero de Almada
No passado dia 11 de Fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, completaram-se doze anos sobre o...
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