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Escuteiros de Lisboa participaram no 24.º Jamboree, nos EUA
“Todos diferentes, mas todos iguais”
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Durante 12 dias, quase 50 mil escuteiros de todo o mundo reuniram-se, nos Estados Unidos, para o 24.º Jamboree – o maior encontro mundial de escuteiros. Da Região de Lisboa do CNE participaram cerca de 460 escuteiros, com dois dos participantes a testemunhar, ao Jornal VOZ DA VERDADE, um evento de “tolerância” e onde se experimentou o “espírito de grupo” entre várias culturas.

 

De regresso a Lisboa, alguns dos escuteiros que participaram no 24.º Jamboree, no ‘Summit Bechtel Reserve’, na Virgínia, nos Estados Unidos da América (EUA), testemunham um ambiente de “muita festa, tolerância e muita amizade”, onde se sublinhou a construção de um mundo melhor e mais sustentável. “Somos todos diferentes, mas todos iguais. No Jamboree, conhecemos imensas culturas, religiões, países de onde nunca pensaria conhecer pessoas”, conta Pedro Matos, do agrupamento 626 de Linda-a-Velha. Para este jovem que completou 18 anos durante a ‘aventura’ nos Estados Unidos, esta iniciativa escutista é para “agarrar” por quem tiver a oportunidade.

Pensado para adolescentes entre os 14 e os 17 anos, o Jamboree, que é organizado pelo Movimento Escutista Mundial, reúne, a cada quatro anos, escuteiros de todo o mundo, de várias religiões ou até sem crença. Entre 22 de julho e 2 de agosto deste ano, a organização esteve a cargo dos escuteiros do Canadá, México e Estados Unidos. “Tinha gente de todas as partes do mundo”, salienta Pedro Matos, lembrando as inúmeras atividades, como “rafting, slide e moto4”, que estavam disponíveis para os 50 mil escuteiros participantes. Neste evento, houve também a oportunidade para conhecer mais sobre a cultura de diferentes países, sobretudo, a meio da semana, com a Festa Cultural.

 

Na fila

Para um evento desta dimensão, a logística não era fácil, mas, para este jovem de Linda-a-Velha, acabaram por ser as filas de espera a contribuírem para alguns dos momentos mais significativos na vivência desta experiência. “Como havia tantas pessoas lá, as filas para as atividades eram sempre enormes, com cerca de uma hora de espera. Era nesses momentos que tínhamos contacto com outras pessoas, fazíamos amigos, trocávamos informações”, explica Pedro Matos, salientando também as festas que reuniram todos os participantes no mesmo anfiteatro, ao ar livre. “Era um momento de tremenda alegria e de um grande espetáculo visual, que também me marcaram muito”, assegura.

Para a viagem ser possível, a preparação começou muito cedo. No caso do agrupamento 626 de Linda-a-Velha, as inscrições abriram um ano e meio antes, com a noção de que “uma viagem destas, de 17 dias, não ia ser muito barata!”. “Planeámos vender os calendários dos escuteiros, vender os nossos próprios produtos para angariar fundos”, explica Pedro, apontando a venda de “porta-chaves” como “uma das campanhas mais fortes”. “Por exemplo, se o Sporting jogava com o Benfica, nós fazíamos porta-chaves verdes e brancos e vermelhos e brancos e vendíamos aos respetivos adeptos. Mas também organizámos jantares e lanches”, aponta este jovem que fez parte da comitiva de Linda-a-Velha que levou 23 pessoas, das quais três chefes e duas jovens para trabalharem como voluntárias na organização.

 

Convivência sem conflitos

No agrupamento 1100, do Parque das Nações, o desafio para angariar fundos também esteve presente durante os largos meses de preparação para a participação no Jamboree. “Era um preço bastante alto e, para isso, foi necessário juntarmo-nos todos e contar também com a ajuda dos pais”, conta Sofia Torneiro, de 16 anos. “Organizámos atividades, como uma noite de fados, vendemos, no Natal, artigos para oferecer à família e, no arraial, também angariámos fundos”, especifica esta adolescente que integrou uma “tropa” de 40 elementos, com muitos a viajarem, pela primeira vez, para fora do país, sem os pais.

À semelhança de Pedro Matos, também Sofia Torneiro se sentiu tocada pela “diversidade de culturas num só sítio”. “Não estamos habituados a estar com tantas nacionalidades e, no mesmo sítio, podermos conhecer tantas culturas diferentes e perceber como existem diferentes formas de agir”, salienta. Para além da partilha cultural, a presença de escuteiros de outras religiões foi, para Sofia, “um ponto positivo” porque percebe-se que “é possível conviver sem problemas, sem entrar em conflitos, como muitas vezes há no mundo”.

 

Todos pelo mesmo

No dia da Lusofonia, “a oportunidade para estar em contacto com todos os países que falam português” foi um dos momentos que mais marcou esta adolescente do agrupamento de escuteiros do Parque das Nações. “Para nós, o Brasil é tão distante, mas, naquele sítio, pudemos estar com brasileiros, perceber a sua cultura. Uma vez até organizámos o pequeno-almoço com eles e até celebrámos uma Missa juntos. Foi um ponto forte, porque percebemos que, estando longe uns dos outros, acreditamos todos no mesmo e estamos todos ali pela mesma causa”, salienta Sofia que testemunhou momentos que tornaram claros a atualidade da mensagem de Baden Powell, o fundador do escutismo. “A entrega aos outros, a amizade e a interajuda foi, sem dúvida, visível. Parecia que, mesmo sendo de outro país, havia alguma coisa que nos ligava... o escutismo”, refere Sofia Torneiro, desejando que outros tivessem também a mesma oportunidade de participar num Jamboree. “Até agora, foi a melhor experiência da minha vida”.

O próximo Jamboree vai decorrer em 2023, em Saemangeum, na Coreia do Sul.

 

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Portugueses distinguidos em encontro internacional

Durante o 24.º Jamboree, nos Estados Unidos, foram distinguidos dois portugueses. Um deles, João Armando Gonçalves, dirigente do Corpo Nacional de Escutas, recebeu o ‘Lobo de Bronze’, pelo “excelente compromisso e serviço” prestado ao movimento, “a nível regional e mundial”. Este dirigente liderou o Movimento Mundial Escutista entre 2014 e 2017. Nesta edição do Jamboree, o português Miguel Sousa foi oficialmente o primeiro escuteiro a receber o ‘Prémio de participação’, uma insígnia exclusiva que exige o conhecimento do património escutista, participação em eventos de divulgação ambiental, de diálogo religioso e cultural.

 

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Centenário do escutismo católico nacional arranca com a JMJ

O Corpo Nacional de Escutas (CNE) vai assinalar, em 2023, cem anos de existência e está a preparar um plano de comemorações que tem arranque previsto para um ano antes, aquando da Jornada Mundial da Juventude, em 2022. Para os escuteiros católicos, a JMJ em Lisboa é ocasião ideal para o arranque das comemorações do primeiro centenário do escutismo católico português, e nesse sentido, pretendem enviar o referido plano às Regiões escutistas, às dioceses e também ao Patriarcado de Lisboa na qualidade de anfitrião do encontro mundial de jovens católicos, em 2022. Em declarações à Agência Ecclesia, o chefe nacional do CNE, Ivo Faria, salienta que a próxima JMJ é a ocasião ideal para “algo que permita ter uma vivência especial para os nossos escuteiros”. De momento, tudo está ainda a ser estudado e numa fase embrionária, mas Ivo Faria considera que a JMJ “é fator de desenvolvimento e crescimento para os escuteiros, que são também jovens e os principais destinatários desta iniciativa”.

 

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Português eleito para Comité Europeu do Escutismo

O português Joaquim Castro Freitas foi eleito como membro do novo Comité Europeu da Organização Mundial do Movimento Escutista, para o triénio de 2019-2022, durante a 23.ª Conferência Europeia de Escuteiros, que decorreu entre 24 e 28 de agosto, em Split, na Croácia. O atual chefe nacional-adjunto do CNE, de 35 anos, é o terceiro português, na história do Escutismo, a assumir estas funções. Técnico da Agência Erasmus+ e coordenador português da Rede Europeia de Informação aos Jovens (EURODESK), foi também presidente da assembleia geral do Conselho Nacional da Juventude. Em declarações à revista Flor de Lis, o dirigente português revela ser “uma honra e uma alegria enorme” esta distinção. “Significa também uma imensa responsabilidade, significa que confiam naquele que foi o perfil que a Federação Escutista de Portugal escolheu para apresentar a eleições para o Comité Europeu de Escutismo. Significa também que em Portugal temos bom Escutismo, bons exemplos, imensas boas práticas, que temos de estar disponíveis para partilhar e para trazer também para o nível europeu ainda mais do que hoje fazemos”, salientou Joaquim Castro Freitas.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Jamboree e escuteiros de Lisboa
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