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“Rezemos juntos para que estes dias sejam ricos de graça e alegria”
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O Papa Francisco está na Tailândia, viajando no Domingo para o Japão. Antes, ainda em Roma, reforçou o apelo contra o desperdício de comida, almoçou com 1500 pobres, visitou de surpresa o posto móvel de saúde instalado na Praça de São Pedro e recebeu o presidente de Cabo Verde.

 

1. O Papa Francisco chegou à Tailândia, na passada quarta-feira, dia 20 de novembro, depois de um longo voo iniciado na véspera, tendo em vista celebrar os 350 anos do catolicismo neste país asiático. “Hoje parto para a minha 32ª #ViagemApostólica. Queridos amigos da Tailândia e do Japão, à espera de nos encontrarmos, rezemos juntos para que estes dias sejam ricos de graça e alegria”, escreveu Francisco, no Twitter. O Papa aterrou em Banguecoque às 12h30 locais, madrugada na Europa, e foi de imediato descansar, não tendo tido qualquer atividade pública nesse dia. Ao longo de três dias, entre quinta-feira e sábado, Francisco ia ser recebido pelo Governo, pelo líder da comunidade budista, ia visitar o hospital de São Luís, encontrar-se com o Rei Vajiralongkorn, no Palácio Real, e reunir-se com os bispos, padres, religiosos, seminaristas e catequistas, além de celebrar Missa no Estádio Nacional. Na segunda visita de um Papa à Tailândia – João Paulo II esteve no país em 1984 –, Francisco vai ter ainda um encontro inter-religioso numa universidade e celebrar Missa com jovens, na Catedral da Assunção. A Tailândia é um país de maioria budista, com os cristãos a representar apenas 1,2% de uma população de 69 milhões. Destes, os católicos são apenas metade, com pouco mais de 300 mil fiéis.

Neste Domingo, dia 24, o Papa viaja para o Japão e, numa vídeo-mensagem, divulgada segunda-feira, dia 18, Francisco referiu que o tema da visita é “proteger toda a vida”, especificando que reza pelo fim do “poder destrutivo das armas nucleares”. “Este forte instinto que ressoa no nosso coração, de defender o valor e a dignidade de cada ser humano, adquire particular importância diante das ameaças à convivência pacífica que hoje o mundo deve enfrentar, especialmente nos conflitos armados. O vosso país está ciente do sofrimento causado pela guerra. Junto com vocês, rezo para que o poder destrutivo das armas nucleares nunca mais volte a ocorrer na história da humanidade. Usar as armas nucleares é imoral”, alertou. O Papa sublinhou ainda a importância do diálogo e da fraternidade inter-religiosos “que podem ajudar a superar as divisões”.

Após a viagem ao extremo-oriente, o regresso a Roma está marcado para o dia 26 de novembro.

 

2. O Papa Francisco enviou uma mensagem ao Programa Alimentar Mundial (PAM), apelando ao fim do desperdício de comida e a uma “mudança do estilo de vida”. O texto, divulgado dia 18 de novembro, evoca o que São João Paulo II definiu como “paradoxo da abundância”, apresentado como um obstáculo à solução do problema da desnutrição na humanidade. O Papa elogia as iniciativas em curso, que visa tornar mais eficaz a luta contra a fome no mundo, com “medidas determinantes para eliminar o desperdício alimentar”. “Ninguém pode ser excluído da necessidade de combater esta cultura que oprime tantas pessoas, especialmente os pobres e vulneráveis na sociedade”, apela Francisco, saudando a campanha global do PAM ‘Stop the Waste’ (‘Parem com o desperdício’), propondo um novo estilo de vida que “consiste em valorizar adequadamente o que a mãe terra oferece”.

 

3. Na Missa do III Dia Mundial dos Pobres, na Basílica de São Pedro, o Papa pediu que não se descarte as pessoas “na corrida” dos tempos, não seguindo a “tentação do eu”. “Com a mania de correr, de dominar tudo e imediatamente, incomoda-nos quem fica para trás; e consideramo-lo descartável. Quantos idosos, nascituros, pessoas com deficiência, pobres. Considerados inúteis. Vamos com pressa, sem nos preocuparmos que aumentem os desníveis, que a ganância de poucos aumente a pobreza de muitos”, lamentou Francisco, na homilia, no Vaticano, no passado dia 17 de novembro.

O Papa alertou, ainda, para o dever do amor “não hipócrita”. O mesmo, diz Francisco, capaz de “dar àqueles que não têm nada para restituir a servir sem procurar recompensas nem retribuições”, lembrou. “Então ponhamo-nos a questão: Eu ajudo alguém, de quem nada poderei receber? Eu, cristão, tenho ao menos um pobre por amigo?”, questionou. Os mais desfavorecidos “são preciosos aos olhos de Deus, porque não falam a linguagem do eu: não se aguentam sozinhos, com as próprias forças, precisam de quem os tome pela mão”, acrescentou.

Depois, na recitação do Angelus, o Papa lembrou novamente o III Dia Mundial dos Pobres, com o tema ‘A esperança dos pobres jamais se frustrará’. “Os meus agradecimentos vão para aqueles que, nas dioceses e paróquias de todo o mundo, promoveram iniciativas de solidariedade para dar esperança concreta aos mais desfavorecidos”, referiu. “Agradeço as muitas iniciativas em favor das pessoas que sofrem, dos necessitados. Isto tem de testemunhar a atenção que nunca deve faltar em relação a esses irmãos e irmãs. Vi, há poucos minutos, algumas estatísticas da pobreza… faz-nos sofrer a indiferença da sociedade com os pobres. Rezemos”, convidou Francisco.

Tal como nos anos anteriores, o Papa almoçou depois com um grupo de 1500 pobres, no auditório Paulo VI, do Vaticano, que recebeu 150 mesas para os convidados de Roma e de várias dioceses italianas.

 

4. O Papa surpreendeu ao visitar, sem qualquer aviso prévio, o posto móvel de saúde instalado na Praça de São Pedro, antes de inaugurar um centro de acolhimento para sem-abrigo. A iniciativa aconteceu na sexta-feira, dia 15 de novembro, por ocasião do III Dia Mundial dos Pobres. Francisco foi acolhido pelos doentes com uma salva de palmas, agradecendo o trabalho levado a cabo por voluntários, alguns dos quais abdicaram por dias de férias para poder prestar este serviço. O espaço ofereceu, durante uma semana, visitas médicas especializadas, tratamentos, análises clínicas e exames a título totalmente gratuito, para todas as pessoas.

 

5. O Papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, o presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, no dia 16 de novembro,  tendo sido “evocadas as boas relações bilaterais”, segundo o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, acrescentando que o Papa e o presidente cabo-verdiano falaram ainda “da importância da educação moral e religiosa nas escolas públicas do país para a promoção dos valores da família e da sociedade” e do andamento do “processo de beatificação do escravo Manuel”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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