Entrevistas |
Regiani e Tiago Líbano Monteiro, diretores da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa
“A família é transversal a todos os setores da pastoral”
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Regiani e Tiago Líbano Monteiro foram nomeados diretores da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa há 8 meses e testemunham, em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, os desafios desta missão que passa não por “fazer coisas” ou “criar estruturas”, mas por colocar a família “em tudo o que se faz nas paróquias”.

 

A entrevista ao casal diretor da Pastoral Familiar da diocese decorreu durante a Jornada Diocesana de Pastoral Familiar, no passado dia 8 de fevereiro, no Turcifal. Regiani e Tiago Líbano Monteiro apontaram aquele encontro como determinante para projetar um “simpósio sobre a Educação dos Filhos”, que vai ter lugar no próximo ano. Para já, perspetivam a Festa da Família (7 de junho, em Óbidos), onde esperam o “envolvimento” de todas as realidades diocesanas.

 

Nesta Jornada Diocesana de Pastoral Familiar, elegeram como temáticas o “acompanhamento de casais novos” e a “educação dos filhos”. Como chegaram a esta escolha?

Regiani (R) – Quando começámos na Pastoral Familiar, fizemos questão de ir visitar, pessoalmente, cada uma das zonas da diocese. Dividimos a diocese em cinco zonas e fizemos cinco encontros e ouvimos também os movimentos. Nesses encontros, fizemos uma auscultação de temas que a Pastoral da Família podia abordar, abrimos à discussão, apresentámos mais temas e fizemos uma votação em cada encontro. Daí, saiu o tema ‘Acompanhamento de casais novos’ como sendo o mais importante.

Tiago (T) – Já em relação ao tema ‘Educação dos filhos’, é um pouco diferente. Em conversas com o padre Duarte da Cunha [Assistente da Pastoral da Família], pensámos que podia ser um tema grande para o próximo ano.

 

Nesta iniciativa, foi sublinhada a dimensão relacional entre comunidade paroquial e família. Como é que a Pastoral da Família pretende abordar este assunto?

T – Quando começámos esta responsabilidade, como diretores da Pastoral da Família, reunimos uma equipa que vinha bastante da equipa anterior, com mais um ou dois casais. A primeira coisa que fizemos foi reunir com cada um deles, conhecê-los como casal e como família. Fomos a casa de cada um e jantámos com eles, de modo a começarmos assim a ser ‘Família de Famílias’, como sublinha D. Manuel Clemente. E, de facto, isso faz uma diferença enorme! Começa aqui! É partir daqui que é gerada esta ‘Família de Famílias’ e, em cada comunidade, deve ser assim. O nosso Patriarca diz muitas vezes: “Que bom que era se nós, em cada comunidade, pudéssemos contar as famílias em vez do número de pessoas”. Neste sentido, podemos fazer isto em cada grupo a que nós pertencemos. Podemos fazer isto, podemos conhecer as famílias que estão connosco. Fizemos isto como exemplo, mas era isso que gostávamos de propagar.

R – Este sentido de comunidade é muito importante. Não há estrutura se não há uma relação. Essa é uma preocupação grande que temos.

 

Sobre a vossa nova missão como diretores da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, como receberam este desafio?

R – Humildade e entrega. Dissemos que íamos rezar...

T – Recebemos um telefonema do padre Duarte da Cunha. Nós estávamos de partida, de férias com a família, para o Brasil. Ficámos admirados, mas, de facto, o tema da família é-nos muito querido e dissemos-lhe que tínhamos de rezar. Apesar de o tema da família nos ser muito querido, não temos nenhuma experiência em termos diocesanos, nem nunca tínhamos participado em nada em termos vicariais ou paroquiais da Pastoral da Família...

R – Fomos conhecendo a realidade desta pastoral falando com o padre Duarte, com D. Manuel Clemente – que nos entusiasmou –, fomos conhecendo a equipa e percebemos que podíamos ser mãos para essa obra. Dissemos “sim”.

 

Quais os principais desafios que encontraram?

T – Ainda é um pouco cedo, mas, em primeiro lugar, o nosso desconhecimento. Uma coisa seria já pertencermos à equipa e depois assumirmos a responsabilidade, mas, para nós, era tudo novo.

R – Extrapolar esta missão para a diocese foi uma novidade para nós. Também foi muito bonito termos a noção do que se foi construindo com o padre Rui Pedro Carvalho [anterior diretor da Pastoral Familiar]. Digo sempre que estou a descobrir o mundo da Pastoral da Família.

T – Temos estado muito com as Equipas de Nossa Senhora e temos também assumido algumas responsabilidades. É um movimento muito familiar, as reuniões são em casa dos casais, o que é ótimo para a Pastoral da Família porque partimos desse tipo de ambiente. Aqui, encontrámos um ambiente também familiar.

 

Como é que a Pastoral Familiar pode estar cada vez mais presente na vida das paróquias?

R – Para nós, foi importante perceber que a Pastoral Familiar não é fazer coisas, é agregar, promover o diálogo, ver o que cada um está a fazer e passar isso para os outros. O nosso papel não é criarmos estruturas nas paróquias. Temos primeiro que ver se existe Pastoral Familiar… se chegamos à catequese, se chegamos à bênção das grávidas, ver os doentes, como tocamos os jovens…

T – A família é transversal a todos os setores. Em vez de ser uma estrutura, deve ganhar esta transversalidade e, em tudo o que se faz na paróquia, deve-se colocar a família. Quando chegámos havia – e há – muita coisa e muita coisa nova. Ajudou-nos a ter o foco em duas prioridades: Famílias comVida e Festa da Família, que são as prioridades para este ano. E, ao mesmo tempo, ir conhecendo tanta coisa que existe. Vamos conhecendo, pouco a pouco, tudo o que há...

 

Sobre a Festa da Família, o que já se pode saber?

T – A última Festa da Família, que decorreu na cidade de Lisboa, revelou uma importância enorme no envolvimento dos movimentos. Isso é um ponto-chave onde queremos muito investir, juntamente com o envolvimento dos mais jovens.

R – É importante não termos uma Festa da Família só com casais. É um passo que estamos a tentar dar para este ano.

T – Quando fizemos o balanço da última Festa da Família, uma das ideias que surgiu, através dos casais que estiveram muito envolvidos, foi a de envolver os Campos de Férias, a Pastoral da Juventude e a Catequese. Estamos agora a tentar ‘cozinhar’ isso. A Pastoral da Família envolve todos. É a Família a envolver tudo!

 

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Famílias comVida

O projeto Famílias comVida (www.familiascomvida.pt) foi apresentado, no Turcifal, pela orientadora Maria Clara Jardim, da Paróquia do Parque das Nações. Na sua intervenção, esta leiga que é psicóloga e enfermeira começou por apontar o objetivo prioritário do projeto que tem como missão a “valorização da família como núcleo fundamental da sociedade humana”. Pretende-se “criar uma rede de pontos de acolhimento em cada vigararia e paróquia”, onde um orientador do Famílias comVida “pode, numa primeira fase, acolher qualquer pessoa ou família, católico ou não”, e orientar para um apoio mais especializado.

 

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Jornada Diocesana de Pastoral Familiar

Testemunhos sublinham a importância do acompanhamento

No primeiro painel da Jornada Diocesana de Pastoral Familiar, dedicado ao “acompanhamento de casais”, o padre Agostinho Marques Castro, responsável pela Pastoral Familiar da Vigararia de Loures-Odivelas, destacou a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, em 2022, como “uma boa forma de envolver as famílias, e não só, no acolhimento dos jovens”. O sacerdote Carmelita sublinhou ainda que “a Pastoral Familiar devia ser um todo”, e que é necessário “impulsionar as pessoas para a importância do Matrimónio”.

De seguida, a psicóloga Teresa Ribeiro destacou a preocupação que, na Igreja, “desde sempre existiu” com as famílias. “Tem-no feito em duas vertentes. Por um lado, a ação e, por outro, a oração. As duas são extremamente importantes. A ação sobre o que é a família – hoje em dia há uma grande confusão sobre o que é a família – e intervenções concretas em defesa da família, designadamente o acompanhamento das pessoas nas diferentes fases do ciclo de vida”, destacou esta profissional. Analisando algumas tarefas de desenvolvimento da formação do casal, Teresa Ribeiro sublinhou que “não há casais perfeitos, nem famílias que não tenham dificuldades”, mas, a “grande diferença, é a maneira como se olha para essas dificuldades”. Neste campo, “é completamente diferente trabalhar com casais que casaram para a vida ou com casais que estão à experiência”. Perante as dificuldades dos casais, “o perdão é uma ferramenta fundamental”, destacou esta especialista em Terapia Familiar.

Os últimos intervenientes neste painel foram o casal Cláudia e Fernando Costa Duarte, casados há sete anos e com três filhos, e que começaram por partilhar a importância da preparação do Matrimónio e o caminho feito em Igreja. “Tivemos a graça de fazer um CPM muito personalizado, durante quase um ano, em que mensalmente tínhamos encontros onde refletíamos sobre os temas mais normais para os casais”, apontou Fernando, revelando que encontrou nas Equipas de Nossa Senhora “uma resposta de partilha com outros casais e de aprofundamento da relação com Deus”. Cláudia destacou os “convites pessoais” para fazer um grupo de acompanhamento de namorados e o CPM. “Quando temos estas bênçãos, acho que deixa uma semente e a intenção para procurar mais”, referiu esta mãe, sublinhando a importância de o tempo de namoro do casal ter sido “muito acompanhado pelos pais e por padres”. “Tivemos a graça de falar de crises relacionais no namoro. Portanto, quando elas apareceram no nosso casamento, nós já tínhamos pensado sobre isto e isso faz toda a diferença”, garantiu.

No painel da tarde, dedicado ao tema da ‘Educação dos Filhos’, o casal Carmo e Luís Virtuoso alertaram os participantes para os desafios que se enfrentam “demasiado depressa” na sociedade. As “estruturas escolares e familiares não estão a ser capazes de se adaptarem a tempo”, referiu o professor Luís Virtuoso, que desafiou a “pensar fora da caixa, a fazer diferente” para antecipar os problemas. Segundo Carmo Virtuoso, uma das grandes dificuldades que tem testemunhado é o facto de “muitos pais tentarem viver a vida dos filhos e pelos filhos”. Assim, o grande desafio dos pais na educação dos filhos passa por “perceber onde está o equilíbrio para, desde crianças, conseguirmos propor aos nossos filhos os valores, vivências e experiências que acreditamos serem as baias adequadas para fazerem o caminho da vida”, acrescentou. “Os miúdos têm que crescer, mas têm que ter espaço para crescer. Isto é muito importante”, completou Luís Virtuoso, atual presidente da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo.

 

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A Festa da Família 2020 foi apresentada, na Jornada Diocesana da Pastoral Familiar, pelo padre Ricardo Figueiredo, pároco de Óbidos. A iniciativa vai decorrer no próximo dia 7 de junho, Domingo, na Vila de Óbidos.

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