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“Compromisso renovado e eficaz a favor da proteção efetiva de cada ser humano”
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O Papa Francisco apelou à defesa dos refugiados que também são afetados pela Covid-19. Na semana em que o Papa emérito Bento XVI foi uns dias à Alemanha visitar o irmão, que está doente, Francisco agradeceu a profissionais de saúde e o Vaticano advertiu para o “défice de intimidade” dos sacerdotes e considerou “intolerável” qualquer ato racista.

 

1. O Papa pediu a proteção aos refugiados que também são afetados pela pandemia de Covid-19. “A crise provocada pelo coronavírus trouxe à luz a exigência de assegurar a proteção necessária também às pessoas refugiadas, para garantir a sua dignidade e segurança”, disse, no final da oração do Angelus, no passado Domingo, 21 de junho. Francisco apelou a “um compromisso renovado e eficaz de todos a favor da proteção efetiva de cada ser humano, em particular daqueles que foram forçados a fugir devido a situações de grave perigo para eles ou para as suas famílias”.

A pandemia motivou ainda outra reflexão do Papa, agora sobre a relação do homem com o meio ambiente. “O confinamento reduziu a poluição e fez redescobrir a beleza de muitos lugares livres de tráfego e de barulho. Agora, com a retoma das atividades, todos devemos ser mais responsáveis pelo cuidado da casa comum”, apelou. Sobre a encíclica Laudato Si’, Francisco elogiou “as múltiplas iniciativas que, em todas as partes do mundo, nascem a partir ‘de baixo’ e seguem nessa direção”, que podem favorecer “uma cidadania cada vez mais consciente deste bem comum essencial”.

Durante as reflexões relacionadas com o Evangelho de Domingo, o Papa homenageou a quantidade de cristãos perseguidos em todo o mundo nos dias de hoje, “os mártires de nossos dias”, e deixou um conselho: “Não devemos ter medo de quem tenta extinguir a força evangelizadora com arrogância e violência”, porque “nada podem contra a alma, isto é, contra a comunhão com Deus”. Para Francisco, “o único medo que o discípulo deve ter é o de perder esse dom divino, renunciando viver de acordo com o Evangelho e, assim, obter a morte moral, o efeito do pecado”.

 

2. O Papa emérito regressou esta segunda-feira, 22 de junho, ao Vaticano, num voo que partiu de Munique. Bento XVI tinha deixado na quinta-feira, dia 18, a sua residência no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, e viajado até à Alemanha para estar à cabeceira do irmão que está doente. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, tinha declarado que Bento XVI ficaria em Ratisbona “pelo tempo necessário”.

No Domingo, último dia em que passou na Baviera, o Papa emérito realizou duas visitas ao irmão. Na véspera, foi a alguns locais importantes para a família, que não visitava desde 2006, durante a última visita domiciliar oficial. A primeira paragem foi no cemitério de Ziegetsdorf, no túmulo onde estão sepultados os pais e a irmã mais velha, um momento de oração concluído por aspersão com água benta. A segunda paragem foi em sua casa, em Pentling, nos arredores de Ratisbona. Foi aqui que morou ao longo dos anos como professor de teologia dogmática na Universidade da cidade, de 1969 a 1977, antes da sua nomeação como arcebispo de Munique e Freising. A casa agora abriga o Instituto Bento XVI, onde o seu património teológico é preservado. Bento XVI reuniu-se ainda com o Núncio Apostólico na Alemanha, que veio de Berlim, o arcebispo Nikola Eterović, que nos anos do pontificado do Papa emérito ocupou o cargo de secretário-geral do Sínodo dos Bispos.

 

3. O Papa agradeceu o trabalho dos profissionais de saúde durante a pandemia e classificou-os de “anjos” para os doentes, no decorrer de uma receção a estes trabalhadores da região de Lombardia, a mais afetada pelo coronavírus. Francisco explicou que “no turbilhão da pandemia com efeitos chocantes e inesperados”, a presença do pessoal médico “foi um ponto de referência seguro para os doentes, antes de mais, mas de uma maneira muito especial para os membros da família que, neste caso, não tinham oportunidade de visitar os seus entes queridos”. “Os pacientes sentiam, frequentemente, que tinham ‘anjos’ ao seu lado, que os ajudavam a recuperar a saúde e, ao mesmo tempo, os consolavam e apoiavam, inclusivamente, com o telemóvel para contactar a pessoa mais velha que estava prestes a morrer com o seu filho, a sua filha, para se despedir, para os ver pela última vez”, acrescentou, no encontro do passado sábado, 20 de junho.

O Papa destacou ainda que, mesmo quando estavam exaustos, continuaram a trabalhar com abnegação. “Quantos médicos e paramédicos, enfermeiros, não puderam ir para casa e dormiram ali, onde puderam, porque não havia camas no hospital? E isso gera esperança”, disse.

Francisco indicou que, “agora, é o momento de aproveitar toda a energia positiva que se gerou durante a pandemia” e acrescentou que foi “um drama que, em grande parte, pode e deve dar frutos para o presente e o futuro”. “Para honrar o sofrimento dos doentes e dos muitos falecidos, especialmente idosos, cuja experiência de vida não deve ser esquecida, é necessário construir o amanhã e isso exige compromisso, força e a dedicação de todos”, afirmou. O Papa assegurou ainda que médicos, paramédicos, voluntários, sacerdotes, religiosos, leigos, todos, “começaram um milagre”.

 

4. A Congregação para o Clero, da Santa Sé, assinalou o Dia de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, a 19 de junho, com uma reflexão onde alerta para um “défice de intimidade” na vida dos padres católicos. “O que representa um alto potencial de risco na vida do padre é aquilo a que se chamou ‘défice de intimidade’. Todo o estado de vida, para ser integralmente abraçado e protegido de incursões ameaçadoras, deve cultivar uma especial ‘relação íntima’ que lhe valorize as possibilidades e lhe diminua os riscos: para um sacerdote, trata-se da amizade pessoal e quotidiana com o Senhor”, refere o texto, divulgado em Portugal pela Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios. O Dia de Oração pela Santificação do Clero é celebrado todos os anos na Solenidade do Coração de Jesus.

 

5. A Santa Sé afirmou, junto do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, que qualquer ato racista é “intolerável”, sublinhando que, para os católicos, todos as pessoas são “iguais na sua dignidade”. “Todos os membros da família humana, feitos à imagem e semelhança de Deus, são iguais em sua dignidade intrínseca, independentemente de raça, nação, sexo, origem, cultura ou religião”, disse o observador permanente da Santa Sé neste organismo das Nações Unidas, arcebispo Ivan Jurkovic, apelando aos Governos para “reconhecer, defender e promover os direitos humanos fundamentais de cada pessoa”.

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