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“Ou trabalhamos juntos para sair da crise, ou nunca sairemos dela”
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O Papa Francisco deixou vários alertas a dirigentes e à sociedade em geral sobre como sair da crise. Na semana em que o Vaticano condenou todas as formas de eutanásia e suicídio assistido, o Papa encontrou-se com crianças autistas, insistiu na necessidade de uma “Igreja em saída” e pediu que a vacina contra o novo coronavírus seja universal.

 

1. O Papa considera que os responsáveis políticos ouvem mais os poderosos do que os fracos. “Ouvimos mais as grandes empresas financeiras do que as pessoas ou aqueles que movem a economia real. Ouvimos mais as empresas multinacionais do que os movimentos sociais. Ouvimos mais as grandes farmacêuticas do que os profissionais da saúde, que estão na linha da frente nos hospitais ou nos campos de refugiados. Este não é o caminho certo!”, alertou Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 23 de setembro.

Na opinião do Papa, para sair desta crise é preciso implementar o princípio da subsidiariedade, respeitando a autonomia e a capacidade de iniciativa de todos. “Ou trabalhamos juntos para sair da crise, ou nunca sairemos dela. Sair da crise não é dar uma pincelada de verniz sobre as situações atuais para parecer mais justas, não. Para sair da crise, é preciso mudar. E todos fazem a verdadeira mudança, com todas as pessoas que formam o povo. E todos juntos, em comunidade”, referiu.

Neste encontro público no Pátio São Dâmaso, no Vaticano, o Papa recordou que, “devido ao confinamento motivado pelo novo coronavírus, muitas pessoas, famílias e atividades económicas encontraram-se em sérias dificuldades”, e deixou um apelo para que “os vértices da sociedade” respeitem e promovam os níveis intermédios e reconheçam como é “decisiva a contribuição de indivíduos, famílias, associações, empresas e até das Igrejas.”

Na sua intervenção pediu ainda para que as pessoas sejam “protagonistas do próprio resgate”, criticando políticos e atores sociais que prometem “tudo para o povo”, mas não fazem “nada com o povo”.

 

2. O Vaticano condena todas as formas de eutanásia e suicídio assistido, com a publicação de uma carta doutrinal pela Congregação para a Doutrina da Fé. ‘Samaritanus bonus (‘O Bom Samaritano’) - Sobre o cuidado das pessoas nas fases críticas e terminais da vida’ é o título do documento, aprovado pelo Papa, que se destina, sobretudo, “aos que estão em contacto com os doentes nas fases críticas e terminais (familiares ou os tutores legais, capelães hospitalares, ministros extraordinários da Eucaristia e agentes de pastoral, voluntários e profissionais da saúde) e aos próprios doentes”.

O texto reafirma a proibição da eutanásia e do suicídio assistido, considerados como crimes contra a vida humana e “um ato intrinsecamente mau, em qualquer ocasião ou circunstância”. Por isso, “a eutanásia é um ato homicida que nenhum fim pode legitimar e que não tolera nenhuma forma de cumplicidade ou colaboração, ativa ou passiva”. O mesmo se diga do suicídio assistido, uma vez que “tais práticas jamais são uma autêntica ajuda ao doente, mas uma ajuda a morrer.

A carta ‘Samaritanus bonus’ divide-se em várias partes e pontos de reflexão doutrinal, como “a obrigação moral de excluir a obstinação terapêutica”, “os cuidados básicos: o dever de alimentação e hidratação”, “os cuidados paliativos”, “o acompanhamento e o cuidado em idade pré-natal e pediátrica”, ou “a reforma do sistema educativo e da formação dos profissionais da saúde”.

No ponto relativo à “objeção de consciência por parte dos profissionais da saúde e das instituições sanitárias católicas”, o documento admite poder-se “chegar à situação de dever desobedecer à lei, para não acrescentar injustiça a injustiça” e acrescenta que “os profissionais da saúde não devem hesitar a pedi-la como direito próprio e como contribuição específica ao bem comum.”

“Tudo isto”, conclui o documento, “requer uma tomada de posição clara e unitária por parte das Conferências Episcopais, das Igrejas locais, assim como das comunidades e das instituições católicas para tutelar o próprio direito à objeção de consciência nos contextos legislativos que preveem a eutanásia e o suicídio”.

 

3. “Estou feliz ao ver os vossos rostos e leio nos vossos olhos que vocês também estão contentes por estarem um bocadinho comigo”, disse o Papa, esta segunda-feira, 21 de setembro, a um grupo de pequenos hóspedes do centro austríaco para autismo ‘Sonnenschein’ (‘Esplendor do sol’). “Posso imaginar porque é que os responsáveis escolheram este nome. É porque a vossa casa parece um magnífico prado florido no esplendor do sol, e as flores desta casa são vocês”, destacou.

Na breve audiência que decorreu no Vaticano, Francisco explicou aos mais novos que “Deus criou o mundo com uma grande variedade de flores de todas as cores”. “Cada flor tem sua própria beleza, que é única. Também cada um de nós é belo aos olhos de Deus e Ele gosta de nós. Isto faz-nos sentir a necessidade de dizer a Deus: obrigado!”, salientou.

 

4. O Papa reforçou o apelo por uma Igreja “em saída”, alertando as comunidades católicas para os perigos de estarem fechadas em si próprias. “A Igreja deve ser como Deus, sempre em saída. E quando a Igreja não está em saída, adoece”, assinalou Francisco, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação do Angelus, no Domingo, 20 de setembro. “É melhor uma Igreja acidentada, por ter saído para anunciar o Evangelho, do que uma Igreja doente, por estar fechada”, acrescentou, destacando que as comunidades católicas são chamadas a sair dos vários tipos de “fronteiras” que possam existir, para “oferecer a todos a palavra de salvação que Jesus veio trazer”. “Trata-se de abrir horizontes de vida que ofereçam esperança a quem está parado nas periferias existenciais e ainda não experimentou, ou perdeu, a força e a luz do encontro com Cristo”, apontou.

 

5. O Papa pediu que a vacina contra o novo coronavírus seja universal e não apenas disponível para os países mais ricos, de forma a que todos, mesmo os mais pobres, possam ser curados da pandemia. Numa audiência com membros da fundação italiana ‘Banco Farmacêutico’, no sábado, dia 19, Francisco lamentou que existam “populações no mundo” que “não têm acesso a determinados medicamentos”, e disse que “a nível ético, se existe a possibilidade de tratar uma doença com um medicamento, tem de estar à disposição de todos, caso contrário cria-se uma injustiça”.

O Papa alertou ainda para o “perigo da globalização da indiferença” e defendeu “a globalização da cura, ou seja, a possibilidade de todas as populações terem acesso a medicamentos que poderiam salvar muitas vidas”.

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