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Conferência Internacional ‘Rumo ao futuro com João Paulo II’
“O Papa que foi apóstolo do amor humano”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa destacou a atualidade da mensagem de São João Paulo II, uma “figura fulgurante” dentro e fora da Igreja. Numa conferência internacional que assinalou os 100 anos de nascimento de João Paulo II, e que decorreu online, D. Manuel Clemente salientou a ligação do Papa polaco a Portugal e, especialmente, a Fátima, numa “relação” que “impulsionou” muitos a “aproximarem-se de Maria”.

 

“Porque é que a sua pessoa, a sua vida e a sua palavra tinham um impacto tão forte que perdura ainda hoje?”, começou por indagar o Cardeal-Patriarca de Lisboa às centenas de participantes, de todo o mundo, na conferência online ‘Rumo ao futuro com João Paulo II’, no dia 17 de janeiro. “Sabemos a resposta, porque ela não pode escapar a quem vê os acontecimentos e as pessoas com um olhar de fé: o mesmo Espírito que Jesus nos prometeu continua a abrir os nossos corações a todos quantos nos testemunhem e anunciem o Seu Evangelho”, respondeu D. Manuel Clemente.

Neste ciclo de conferências online, que decorreu entre 15 e 17 de janeiro e que pretendeu também assinalar o centenário do nascimento do Papa polaco, o Cardeal-Patriarca disse que Karol Wojtyla foi, e continua a ser, “uma figura fulgurante, com uma vida e uma mensagem que não terminaram com a sua morte, precisamente porque vão ao encontro do coração humano que ele tão bem conhecia e tão profundamente acompanhava”. “Posso dizer isto, muito concretamente em relação aos portugueses, que o Papa visitou por três vezes, mas tantas outras vezes encontrou, pois muitas foram as visitas a Roma para o encontrar e ouvir a sua palavra. Quem o encontrava e escutava sentia com clareza o apelo a, com entusiasmo, seguir o Senhor Jesus, Redentor do Homem, para quem o Papa sempre apontava com um entusiasmo contagiante”, destacou. Desse contágio sobressai a ligação do Papa a Nossa Senhora, manifestado no lema do seu pontificado, ‘Totus Tuus’, e particularmente “para nós, portugueses, um povo mariano por excelência”, através de uma “clara unidade” com Fátima. “Esta relação impulsionou muito tantos jovens e menos jovens a aproximarem-se de Maria e, concretamente de Fátima, com um olhar renovado, a retomarem as peregrinações e a uma autêntica conversão”, salientou.

 

Encontro com Cristo

Para compreender melhor um dos mais longos pontificados da história (quase 27 anos), o Cardeal-Patriarca recordou a “importância” do então bispo Karol Wojtyla para aquele que o próprio apelidou de “o maior acontecimento eclesial do seu século”: o Concílio Vaticano II. “O então jovem bispo polaco acompanhou de perto os debates e teve especial influência naquela que viria a ser a Constituição Pastoral ‘Gaudium et Spes’. Todos sabemos que ele citava continuamente este documento”, observou. No número 22 do referido documento, onde se lê: ‘O mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente’, “sobressai que para o homem se conhecer e conseguir realizar-se a si mesmo precisa de se encontrar com Cristo”. “É aqui que encontramos o elemento unificador das suas encíclicas e de tantos – mesmo tantos – discursos, catequeses e homilias, onde temos, quer o eco nas suas primeiras palavras como Papa: ‘não tenhais medo de abrir, melhor, de escancarar as portas a Cristo’, quer também o que pretendia com a preparação e a celebração do Grande Jubileu da Encarnação do ano 2000”, acrescentou.

 

“Convicção decisiva”

Outra das citações da ‘Gaudium et Spes’ usada com maior regularidade por João Paulo II é a do número 24: ‘O homem, única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma, não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo’. Na opinião de D. Manuel Clemente, “o Papa, que desde jovem foi apóstolo do amor humano, e que se tornou, nas palavras de Francisco, o Papa da família, sabia bem que o amor precisava de ser evangelizado para que o homem se tornasse mais ele mesmo e realizasse a verdade para que fora criado”. Esta centralidade do ‘Homem’ foi “uma convicção decisiva para a entrada da Igreja no terceiro milénio”, afirmou o Cardeal-Patriarca. E foi precisamente “este amor ao homem concreto” que tornou o Papa João Paulo II num “intrépido defensor da vida em todas as suas fases, desde a conceção à morte natural; a valorizar e a cuidar das famílias; a estar atento aos pobres e aos doentes; e falar com coragem e amor às crianças, aos jovens, às famílias, aos idosos, aos trabalhadores”, considerou. “A dignidade intrínseca de cada pessoa humana está na origem da sua preocupação pela liberdade, pela paz, pela justiça, pelo cuidado da natureza”, reforçou D. Manuel Clemente.

Outra das palavras-chave do pontificado e magistério de São João Paulo II, segundo o Cardeal-Patriarca de Lisboa, é ‘Redenção’ e que, por isso, também está presente nos títulos dos seus documentos fundamentais. “A Redenção não é para quem viveu e sofreu tanto, e viu tanta ambiguidade nos homens, uma questão secundária. A certeza de que o homem é grande choca com a experiência da maldade possível e experimentada. Contudo, o encontro com Cristo é experiência de redenção e, por isso, de esperança”, sublinhou D. Manuel Clemente.

A terminar a intervenção, o Cardeal-Patriarca sublinhou ainda o “legado do Santo Papa polaco na sua constante insistência na urgência da missão de anunciar Jesus Cristo e, concretamente, naquilo a que ele chamou uma ‘Nova Evangelização’”, e memorou o início do pontificado de João Paulo II que ocorreu um ano antes de D. Manuel Clemente ser ordenado sacerdote. “Já diácono, foi-nos dada a alegria de receber uma carta do Papa aos sacerdotes, que pude ler e meditar e que tanto bem me fez. Desde então foram muitos os encontros e as cartas que o Papa ofereceu aos sacerdotes. Como não ser tocado pela alegria que é ser padre numa Igreja que, sem fugir aos desafios, está entusiasmada e sabe que a vocação sacerdotal é um Dom e um Mistério?”, concluiu.

 

 

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Veja os vídeos com as intervenções em http://conference.diecezja.pl

  

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Leitura do presente e do futuro

O padre Duarte da Cunha, assistente da Pastoral Familiar de Lisboa, integrou a organização da Conferência Internacional ‘Rumo ao futuro com João Paulo II’ e faz, ao Jornal VOZ DA VERDADE, um “balanço positivo” da iniciativa que juntou participantes de mais de uma dúzia países. “A nossa ideia principal foi assinalar o centésimo aniversário do nascimento de João Paulo II” e, como não foi possível fazê-lo durante o ano passado, “concretizámos agora a ideia”, revela. “Pensámos em realizar a iniciativa com a consciência de que aquilo que João Paulo II disse e fez não é uma coisa só para ‘chorar’, como coisas passadas, mas serve também para nos ajudar a ver o que estamos a viver hoje – como a pandemia – e também como se pode viver o futuro”, realça este sacerdote, garantindo que as intervenções “não só mostraram a continuidade que se manteve com os Papas que se seguiram, como enfrentaram questões da atualidade”. “O pensamento de João Paulo II, sobretudo da sua antropologia, da sua ética, da sua teologia, ajudaram a perceber tudo isso”, assegura o sacerdote, partilhando ainda a importância que São João Paulo II teve na sua vida: “Foi o Papa da minha juventude, da minha ordenação, dos meus primeiros 15 anos de padre. É um modelo, um ponto de referência”. O padre Duarte da Cunha destaca igualmente a novidade da mensagem trazida pelo Papa polaco. “Foi muito importante, numa altura em que não era assim tão claro como hoje, que o específico da nossa missão é anunciar Jesus Cristo. Não são só os valores cristãos, os valores evangélicos, mas a Pessoa de Jesus Cristo”, reforça este sacerdote, a quem entregaram por acaso, nos primeiros anos como padre, um livro de João Paulo II que viria a “marcar” a sua formação. “Quando fui nomeado para o Secretariado da Família pela primeira vez, em 1997, numa ocasião, o senhor D. António dos Reis Rodrigues deu-me um livro que lhe tinha sobrado da sua biblioteca: eram as catequeses da Teologia do Corpo, de João Paulo II. Comecei a ler e fiquei fascinado. Isso marcou muito a minha formação seguinte e tudo o que tenho feito”, partilha.

Durante três dias, entre 15 e 17 de janeiro, esta iniciativa que decorreu online contou com a intervenção de mais de 15 participantes, para além do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Entre eles, George Weigel, biógrafo de João Paulo II; D. Mieczysław Mokrzycki, Arcebispo de Lviv, na Ucrânia, e antigo segundo secretário pessoal de João Paulo II; e Aura Miguel (ver caixa), jornalista Vaticanista da Renascença, que acompanhou, em dezenas de viagens, o Papa polaco. “Todas as pessoas convidadas aceitaram prontamente”, realça o padre Duarte da Cunha, revelando que existe a intenção da organização de publicar, em livro, todas conferências.

 

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Devoção a Nossa Senhora marcou toda a vida de Karol Wojtyla

A jornalista Aura Miguel observou, na conferência ‘Rumo ao futuro com João Paulo II’, a devoção a Nossa Senhora que esteve presente em toda a vida de Karol Wojtyla. Foi a partir dessa presença mariana que nasceu “a sua vocação, a sua humanidade, a sua criatividade pastoral, o corajoso testemunho de amor a Cristo e a Nossa Senhora”, assegurou a vaticanista, que acompanhou o pontificado do Papa João Paulo ao longo de 19 anos.

Nesta intervenção que teve, com o tema ‘Totus Tuus: A Mãe do Redentor na vida e no pensamento de João Paulo II’, a jornalista da Renascença recordou também o momento do atentado, a 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, e como o Santo Padre interpretou esse acontecimento à luz da Mensagem de Fátima. “Há um ‘antes’ e um ‘depois’ do ataque. João Paulo II tem plena consciência de que não morreu naquela ocasião, graças à proteção de Nossa Senhora”, tal como lembrou, mais tarde, o próprio, recordou Aura Miguel.

texto por Filipe Teixeira; fotos D. R.
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