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Papa convida jovens a “peregrinação espiritual” até à JMJ Lisboa 2023
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O Papa Francisco condenou o ataque terrorista na Nigéria. Na semana em que publicou a Mensagem para a 36.ª Jornada Mundial da Juventude, o Papa criticou a “eutanásia disfarçada” contra idosos, mostrou-se solidário com a população das Canárias e pediu mais unidade entre católicos na Europa.

 

1. A violência na Nigéria preocupa o Papa Francisco, que esta quarta-feira, 29 de setembro, manifestou a sua “dor” face ao mais recente ataque terrorista no país. “Rezo pelos que morreram, os feridos e por todo o povo nigeriano. Desejo que seja sempre garantida, no país, a incolumidade de todos os cidadãos”, afirmou o Papa, no final da audiência-geral, que decorreu na Sala Paulo VI, no Vaticano.

O ataque foi lançado no último Domingo, 26 de setembro, por homens armados, contra a aldeia de Madamai, no distrito de Kaura, no estado de Kaduna, que se situa no noroeste da Nigéria. Segundo o balanço das autoridades de segurança locais, pelo menos 34 moradores morreram e sete ficaram feridos, e várias casas foram incendiadas. A região tem sido palco de diversos ataques nos últimos meses por parte de grupos criminosos, responsáveis por vários sequestros em escolas e universidades. Só este ano foram raptados mais de 1.400 alunos, segundo a UNICEF.

 

2. O Papa convidou os jovens de todo o mundo a uma “peregrinação espiritual” na preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2023, em Lisboa, depois da experiência de pandemia, nos últimos meses. “Gostaria de tomar-vos pela mão, mais uma vez, para continuarmos juntos na peregrinação espiritual que nos conduz rumo à Jornada Mundial da Juventude de Lisboa em 2023”, escreveu Francisco, na sua mensagem para a JMJ de 2021, que vai ser celebrada a nível local. A mensagem, divulgada dia 27 de setembro pelo Vaticano, deixa votos de que os jovens católicos vivam as várias etapas que levam à edição internacional da JMJ Lisboa 2023, na capital portuguesa, como “verdadeiros peregrinos e não como ‘turistas da fé’”. “Ajudar-nos-emos uns aos outros a levantar-nos juntos e, neste difícil momento histórico, tornar-nos-emos profetas de tempos novos, cheios de esperança”, apontou.

Francisco deixou ainda desafios às novas gerações, para que sejam capazes de testemunhar a “comunhão da Igreja”, o amor e o respeito nas relações humanas, a esperança e a fé em Jesus Cristo. O Papa apontou como prioridades a “justiça social”, a defesa dos não têm voz na sociedade e a “a ecologia integral”. O texto evoca igualmente o impacto da pandemia na vida dos mais novos, com a morte de muitos familiares e o isolamento social. “Em muitos casos, surgiram problemas familiares, bem como desemprego, depressão, solidão e vícios; para não falar do stress acumulado, das tensões e explosões de raiva, do aumento da violência”, assinalou.

A Mensagem para a 36.ª Jornada Mundial da Juventude tem como tema ‘Levanta-te! Constituo-te testemunha do que viste’, uma passagem do livro dos Atos dos Apóstolos em que Jesus se dirige ao Apóstolo Paulo (cf. At 26, 16). “Não basta ter ouvido outros a falarem de Cristo; é necessário falar com Ele pessoalmente. No fundo, rezar é isto. É falar diretamente com Jesus, embora porventura tenhamos o coração ainda em desordem, a cabeça cheia de dúvidas ou mesmo de desprezo por Cristo e pelos cristãos”, realçou o Papa.

Este ano, pela primeira vez, a edição local da JMJ será celebrada na Solenidade de Cristo Rei do Universo, a 21 de novembro, que encerra o ano litúrgico. “Renovo a todos vós, jovens do mundo inteiro, o convite a tomar parte nesta peregrinação espiritual que nos levará à celebração da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa no ano de 2023”, concluiu Francisco.

 

3. O Papa criticou o que apelida de “eutanásia disfarçada” contra os idosos, ao referir que, por vezes, recebem metade dos medicamentos de que precisam “porque são caros”. Num discurso durante a sessão plenária da Pontifícia Academia para a Vida, Francisco pediu às instituições católicas e aos médicos para não cederem a uma cultura que descarta. O Papa acrescentou que, além das crianças, no caso do aborto, os idosos também são tratados “como lixo, porque não são necessários”, quando, na verdade, defende o Papa, representam sabedoria. “São a raiz da sabedoria da nossa civilização, e esta civilização descarta-os”, criticou. “Vamos ter cuidado com essa cultura. Não é um problema de uma lei ou de outra, é um problema de disposição”, considerou Francisco, lançando um apelo para que “os académicos, as universidades católicas e mesmo os hospitais católicos não entrem nesse caminho, no caminho do desperdício”.

 

4. O Papa manifestou-se solidário com as populações atingidas pelo vulcão Cumbre Vieja, que há uma semana está a expelir lava nas Canárias, Espanha. “Exprimo proximidade e solidariedade aos atingidos pelas erupções do vulcão da ilha La Palma, nas Canárias. Penso especialmente nos que se viram obrigados a abandonar as suas casas”, afirmou Francisco, durante o Angelus do passado Domingo, 26 de setembro. “Rezemos por estas pessoas tão provadas e pelos que as socorrem a Nossa Senhora, venerada naquela ilha como Nossa Senhora das Neves”, pediu.

Na Praça de São Pedro, depois da oração do Angelus, Francisco lembrou também os seis mil deslocados, referindo que a Igreja assinalava, naquele Domingo, o Dia Mundial do Migrante e Refugiado. “É preciso caminhar juntos” para construir um mundo que não exclui ninguém, disse o Papa, convidando os peregrinos a visitarem o monumento na Praça de São Pedro que simboliza um grupo de refugiados com um olhar de esperança. “É necessário caminharmos juntos, sem preconceitos, sem medos e pôr-se ao lado dos mais vulneráveis: migrantes, refugiados, deslocados, vítimas do tráfico e abandonados. Somos chamados a construir um mundo cada vez mais inclusivo, que não exclua ninguém”, terminou.

 

5. O Papa Francisco presidiu à Missa pelo 50.º aniversário do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), no Vaticano, pedindo que os católicos da Europa rejeitem o comodismo e enfrentem o aumento do desinteresse pelas questões religiosas e espirituais, no velho continente. “Hoje, na Europa, nós, cristãos, somos tentados a acomodar-nos nas nossas estruturas, nas nossas casas e nas nossas igrejas, na segurança das tradições, na satisfação por um certo consenso, enquanto em redor os templos se esvaziam e Jesus fica cada vez mais esquecido”, lembrou Francisco, na Basílica de São Pedro, no passado dia 23 de setembro, lamentando a falta de “fome e sede de Deus”, na sociedade, com muitas pessoas centradas apenas nas “necessidades materiais”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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