Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Morrer em Cristo

Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra com a destruição dos vivos, diz-nos o Livro da Sabedoria (1,13). De Deus apenas devemos esperar a vida.

O sofrimento, contudo, nem sempre é olhado de forma negativa. Veja-se, por exemplo, o rosto sofrido mas contente do ciclista que, depois de muitos quilómetros percorridos, atravessa a meta em primeiro lugar. Ou, nos nossos dias, o sofrimento daqueles que se submetem a operações cirúrgicas para conseguirem a correção de uma parte considerada menos estética do seu corpo. Muitas vezes (sobretudo quando o motivo é a glória própria) o sofrimento é mesmo procurado e elogiado. Afinal, é a condição para atingir vitórias, conquistas, glória.

E, no entanto, o sofrimento do ser humano, particularmente o sofrimento inocente, constitui o grande escândalo com que, mais cedo ou mais tarde, todos nos debatemos – e, em particular, o sofrimento causado pela morte. Porque, apesar de todas as descobertas da medicina, da psicologia e da técnica, o ser humano continua a sofrer e a morrer: as catástrofes naturais continuam a suceder-se; as guerras continuam a existir; a morte continua a estar presente no nosso quotidiano.

Como todas as realidades humanas, também este sofrimento não procurado para glória do próprio, pode ser vivido de várias formas: podemos tentar ignorá-lo, e fingir que ele não existe (como no caso daqueles que praticam a eutanásia); podemos vivê-lo numa revolta suicida (como Job antes de ser colocado diante da presença de Deus, e como, antes e depois dele, tantos outros que o vivem na solidão e desespero); podemos aceitá-lo, simplesmente resignados à triste sorte que nos coube; mas podemos também vivê-lo unidos a Cristo, sabendo que, por graça, carregamos com Jesus o pecado do mundo e que assim viveremos igualmente a alegria da salvação trazida pelo Senhor a todos os tempos e lugares.

Aos olhos de muitos dos nossos contemporâneos, os santos que partilharam com Cristo os momentos de sofrimento e que os ofereceram pela salvação do próximo são olhados apenas como pobres resignados, senão mesmo como loucos. Mas não será antes essa a verdadeira vitória sobre o sofrimento e a morte?

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