Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
É claro que o amor luta

Quando escutamos algumas pessoas que falam em amor e bondade, ficamos por vezes com a sensação de que se querem referir a algo que significa passividade, incapacidade de reagir a qualquer tipo de acontecimento ou situação. De tal forma que quase assumimos no nosso pensamento colectivo que uma pessoa boa é alguém que deixa que aconteça tudo o que lhe fazem, sem reagir, lutar, ou sequer indignar-se.

Nada mais errado. Nesses casos, quando muito, poderíamos estar a falar de alguém que é tolerante (essa dita “virtude dos tempos contemporâneos”) – ou seja, poderíamos estar a falar de alguém que é indiferente perante o bem ou o mal, o certo ou o errado, a verdade ou a mentira.

Ao contrário, alguém que ama constitui sempre uma denúncia do ódio. E uma pessoa boa constituirá sempre uma acusação para quem pratica o mal. Quem procura a Verdade não se satisfaz nunca com o erro que lhe é oferecido. O amor, a bondade e a verdade são como uma luz que ilumina o que está escondido e que impede a indiferença. Não existe nada de pior para o mal e o ódio que alguém radicalmente bom.

A luta contra Deus, com que nos deparamos em tantas situações da nossa vida, encontra aqui as suas raízes. Deus é amor, verdade, bondade na sua perfeição. Por isso, aqueles que escolhem viver no ódio, na mentira e na maldade não podem deixar de lutar contra Deus. Não nos espantemos, por isso, que a Sagrada Escritura fale não poucas vezes num Deus que se indigna e destrói o pecado. Que julga e condena o mal, sem qualquer contemplação. Nem estranhemos a existência de S. Miguel, “chefe dos exércitos celestes”.

Mais: o bem tende a espalhar-se. Pela sua própria natureza, o bem faz mais bem; a verdade torna mais verdadeiro o que se encontra à sua volta; e a bondade contagia e transforma aqueles que com ela se deparam. É uma torrente imparável.

Aparentemente e não poucas vezes (até pelas suas armas, menos ruidosas e vistosas), o amor parece frágil e facilmente derrotável pelo mal. Mas este, que é sempre um “mirrar de humanidade”, é incapaz de vencer a luta final. É incapaz de vencer o amor que se mostrou na cruz de Jesus e que, de uma vez por todas, venceu a morte.

É por isso que o amor luta. Luta desalmadamente contra o ódio. Nem o pode suportar nem pode deixar de se comunicar.

A grande diferença não está na luta, no entusiasmo ou empenho na mesma. A diferença está nas armas. Aliás, estas são o critério para descobrir se estamos de facto perante o amor ou simplesmente diante do ódio disfarçado. As armas do bem, da verdade e do amor são bem diferentes, são de outra ordem. Mas a luta, essa continua sem quartéis.

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